Os textos e fotografias produzidos pela equipe da PASCOM da Paróquia São José – C. dos Dantas podem ser livremente utilizados, mencionando-se o blog http://www.montedogalo2009.blogspot.com/ como fonte

31 de mar de 2010

OS ACERTOS FINAIS DE JUDAS (ou desacertos)

Quarta-Feira da Semana Santa
REFLEXÃO DO EVANGELHO

Judas acerta com os sumo-sacerdotes os detalhes do plano de entrega de Jesus. As coisas vão se precipitando. A soma de dinheiro fica acertada em trinta moedas. Parece de bom tamanho. Talvez o próprio Judas anda meio cansado desses expedientes todos. Vai à ceia, sai, vive nas trevas... não está aguentando mais e não está se entendendo. Talvez tivesse mesmo pensado: “Esse Mestre de tanto valor, de valor infinito, trocado por trinta moedas... vamos fazer tudo rapidamente. E depois ainda será preciso avisar aos guardas... montar a cena do beijo”.... Quem sabe para Judas esse Jesus tão homem, tão frágil não teria sido a grande decepção de sua vida!!!

Terrível essa nossa tentação de julgar Judas. Judas é um mistério, como cada ser humano. Quantos de nós começamos a viver uma intimidade com o Senhor tão forte, tão densa e... depois as fragilidades da vida... Corríamos pressurosos ao encalço do Mestre e depois uma espécie de cansaço, de fechamento do coração, e o negamos diante dos reclamos doidos da carne, da sensualidade, da vaidade... Talvez até o tenhamos vendido por um dinheiro estranho que nos parecia dar poder e força...prazer e prestígio.

No meio da ceia uma palavra de Jesus:”Em verdade eu vos digo, um de vós vai me trair!” Naquele quadro de intimidade, essa nota doída. Como crianças temerosas uns e outros começam a dizer: “Senhor, será que sou eu?” A impressão que o texto transmite é que os apóstolos não se sentiam firmes.... As palavras de Jesus, segundo Mateus, ganham um tom rude: “Contudo, ai daquele que trair o Filho do homem! Seria melhor que nunca tivesse nascido”.

“Na traição de Judas vemos o entrelaçamento dos desígnios de Deus e do “livre” agir do homem. Ninguém pode negar que Judas agiu livremente; seu gesto, porém, foi prenunciado e não fugiu de modo algum à vontade de Jesus: foi consumado quando para Jesus chegou a “hora”. É perigoso brincar consigo mesmo. A liberdade é um dom, mas seu reto uso é uma conquista, é fruto de correspondência à graça divina. Nada é mais arriscado do que acostumar-se com a graça: pode vir a ser irreparável. É possível, entretanto, acostumar-se até com a Eucaristia. A Semana Santa é a mais trágica celebração da liberdade humana em seu mistério mais profundo, no livre e irrevogável não de Judas e no livre e irrevogável sim de Cristo à vontade do Pai” (Missal Cotidiano da Paulus, p. 327).

Fonte: www.franciscanos.org.br

EVANGELHO: Mateus 26,14-25

Então um dos Doze, chamado Judas Iscariotes, foi aos chefes dos sacerdotes, e disse: «O que é que vocês me darão para eu entregar Jesus a vocês?» Combinaram, então, trinta moedas de prata. E a partir desse momento, Judas procurava uma boa oportunidade para entregar Jesus.
No primeiro dia dos ázimos, os discípulos se aproximaram de Jesus, e perguntaram: «Onde queres que façamos os preparativos para comermos a Páscoa?» Jesus respondeu: «Vão à cidade, procurem certo homem, e lhe digam: ‘O Mestre manda dizer: O meu tempo está próximo, eu vou celebrar a Páscoa em sua casa, junto com os meus discípulos.’ » Os discípulos fizeram como Jesus mandou, e prepararam a Páscoa. Ao cair da tarde, Jesus se pôs à mesa, com os doze discípulos. Enquanto comiam, Jesus disse: «Eu lhes garanto: um de vocês vai me trair.» Eles ficaram muito tristes e, um por um, começaram a lhe perguntar: «Senhor, será que sou eu?» Jesus respondeu: «Quem vai me trair, é aquele que comigo põe a mão no prato. O Filho do Homem vai morrer, conforme a Escritura fala a respeito dele. Porém, ai daquele que trair o Filho do Homem. Seria melhor que nunca tivesse nascido!» Então Judas, o traidor, perguntou: «Mestre, será que sou eu?» Jesus lhe respondeu: «É como você acaba de dizer.»

29 de mar de 2010

A MULHER UNGIU OS PÉS DE JESUS

Segunda-Feira da Semana Santa
REFLEXÃO DO EVANGELHO


Estamos bem às vésperas da paixão. Jesus se encontra em casa de Marta, Maria e Lázaro. Participa de uma refeição, uma refeição de adeus em casa de amigos. Não está apenas com seus amigos íntimos. Há outros convidados. Maria, segundo João, toma uma libra de perfume de nardo puro e lava os pés do Mestre, deitada no chão, enxugando-os com os cabelos. A casa inteira ficou impregnada do perfume e no coração dos amigos, havia um ar de despedida.

Judas, começa a demonstrar determinados movimentos interiores que vão levá-lo à negação de Jesus. Não queiramos julgá-lo. Trata-se de um misterioso personagem que circula no quadro da paixão do Senhor. Segundo João, ele se insurge com a perda do dinheiro com o perfume. “Por que não se vendeu este perfume por trezentas moedas de prata para dar aos pobres?” E João fornece alguns detalhes que mostram um Judas sem boas intenções: “Judas falou assim não porque se preocupasse com os pobres, mas porque era ladrão; ele tomava conta da bolsa comum e roubava o que se depositava nela”. João, impiedosamente desmascara a postura de Judas diante de seus leitores. Judas não tinha afeto por Jesus. Amava ou idolatrava o dinheiro.

E Jesus: “Judas, deixa que ela faça esse gesto... Ele está fazendo isso em vista de minha sepultura. Estou na iminência de terminar a caminhada. Quando vejo Lázaro aí, esse que esteve na morte, penso em minha morte. Foi duro, Judas, muito duro quando estive diante de sua sepultura e senti o perfume da morte. Estou para terminar a caminhada. Fui amigo da família da mulher que quebrou o frasco em meus pés. Ela, de alguma forma, prefigura minha morte e antecipa a dor de seu coração. Também a vocês, meus apóstolos, me dediquei de coração. Tenho medo que na hora decisiva cada um vá para seu lado. Judas, essa mulher está sentindo ou escutando as batidas do meu coração”.

Certamente Jesus não condenava a esmola e ajuda a ser dada aos pobres. Mas cada coisa em seu lugar. Que ninguém esqueça de partilhar com os pobres. Mas há um outro gastar ou gastar-se por Deus que é importante. Há pessoas que consagram inteiramente a Deus, aos irmãos, à família. Inventam mimos, carinhos, gestos de delicadeza que, teoricamente poderiam ser dispensados. Mas, como esses gestos, presentes, dons, afetos são significativos! Para que existe o dinheiro??? Judas estava ficando com o coração seco. Há os que gastam o que tem de melhor pelo Senhor. Adotam postura diferente daquela de Judas.

E no fim de tudo, os sumos sacerdotes resolveram também matar a Lázaro, porque, por causa dele muitos deixavam os judeus e acreditavam em Jesus.

Entramos na semana da paixão...

Fonte: www.franciscanos.org.br

EVANGELHO DO DIA - João 12,1-11

Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi para Betânia, onde morava Lázaro, que ele havia ressuscitado dos mortos. Aí ofereceram um jantar para Jesus. Marta servia e Lázaro era um dos que estavam à mesa com Jesus. Então Maria levou quase meio litro de perfume de nardo puro e muito caro. Ungiu com ele os pés de Jesus e os enxugou com seus cabelos. A casa inteira se encheu com o perfume. Judas Iscariotes, um dos discípulos, aquele que ia trair Jesus, disse: «Por que esse perfume não foi vendido por trezentas moedas de prata, para dar aos pobres?» Judas disse isso não porque se preocupava com os pobres, mas porque era um ladrão. Ele tomava conta da bolsa comum e roubava do que era depositado nela. Jesus, porém, disse: «Deixe-a. Ela guardou esse perfume para me ungir no dia do meu sepultamento. No meio de vocês sempre haverá pobres; enquanto eu não estarei sempre com vocês.»
Muitos judeus ficavam sabendo que Jesus estava aí em Betânia. Então foram aí não só por causa de Jesus, mas também para verem Lázaro, que Jesus havia ressuscitado dos mortos. Então os chefes dos sacerdotes decidiram matar também Lázaro, porque, por causa dele, muitos judeus deixavam seus chefes e acreditavam em Jesus.

28 de mar de 2010

A SEMANA SANTA: símbolos e significados

Semana Santa, tempo do caminho da salvação, tempo da ressurreição. O Senhor, assumindo as dores da humanidade, a dos pobres, a dos rejeitados e sofredores, nos mostra o tamanho do seu amor para conosco. É hora de pensarmos no amor de Deus por nós, e nas muitas coisas que pesam sobre nossos irmãos e irmãs. A busca da paz que é fraternidade, solidariedade, participação e compromisso há de ser sempre nosso desejo. A força da vida e da paz está na união entre nós. Subamos a Jerusalém, na certeza de Ele ressuscitar.

Domingo de Ramos - O Domingo de Ramos dá início à Semana Santa e lembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, aclamado pelos judeus. A Igreja recorda os louvores da multidão cobrindo os caminhos para a passagem de Jesus, com ramos e matos proclamando: “Hosana ao Filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor”. (Lc 19, 38; Mt 21, 9). Com esse gesto, portando ramos durante a procissão, os cristãos de hoje manifestam sua fé em Jesus como Rei e Senhor.


Quinta-feira Santa -
Celebramos a Instituição do Sacramento da Eucaristia. Jesus, desejoso de deixar aos homens um sinal da sua presença antes de morrer, instituiu a eucaristia.
Na Quinta-feira Santa, destacamos dois grandes acontecimentos:
Bênção dos Santos Óleos: Não se sabe com precisão, como e quando teve início a bênção conjunta dos três óleos litúrgicos. Fora de Roma, esta bênção acontecia em outros dias, como no Domingo de Ramos ou no Sábado de Aleluia. O motivo de se fixar tal celebração na Quinta-feira Santa deve-se ao fato de ser este último dia em que se celebra a missa antes da Vigília Pascal. São abençoados os seguintes óleos:
Óleo do Crisma - Uma mistura de óleo e bálsamo, significando a plenitude do Espírito Santo, revelando que o cristão deve irradiar “o bom perfume de Cristo”. É usado no sacramento da Confirmação (Crisma), quando o cristão é confirmado na graça e no dom do Espírito Santo, para viver como adulto na fé. Este óleo é usado também no sacramento para ungir os “escolhidos” que irão trabalhar no anúncio da Palavra de Deus, conduzindo o povo e santificando-o no ministério dos sacramentos. A cor que representa esse óleo é o branco ouro.
Óleo dos Catecúmenos - Catecúmenos são os que se preparam para receber o Batismo, sejam adultos ou crianças, antes do rito da água. Este óleo significa a libertação do mal, a força de Deus que penetra no catecúmeno, o liberta e prepara para o nascimento pela água e pelo Espírito. Sua cor é vermelha.
Óleo dos Enfermos - É usado no sacramento dos enfermos, conhecido erroneamente como “extrema unção”. Este óleo significa a força do Espírito de Deus para a provação da doença, para o fortalecimento da pessoa para enfrentar a dor e, inclusive a morte, se for vontade de Deus. Sua cor é roxa.
Instituição da Eucaristia e Cerimônia do Lava-pés: Com a Missa da Ceia do Senhor, celebrada na tarde de quinta-feira, a Igreja dá início ao chamado Tríduo Pascal e comemora a Última Ceia, na qual Jesus Cristo, na noite em que vai ser entregue, ofereceu a Deus Pai o seu Corpo e Sangue sob as espécies do Pão e do Vinho, e os entregou para os Apóstolos para que os tomassem, mandando-lhes também oferecer aos seus sucessores. Nesta missa faz-se, portanto, a memória da instituição da Eucaristia e do Sacerdócio. Durante a missa ocorre a cerimônia do Lava-Pés que lembra o gesto de Jesus na Última Ceia, quando lavou os pés dos seus apóstolos. O sermão desta missa é conhecido como sermão do Mandato ou do Novo Mandamento e fala sobre a caridade ensinada e recomendada por Jesus Cristo. No final da Missa, faz-se a chamada Procissão do Translado do Santíssimo Sacramento ao altar-mor da igreja para uma capela, onde se tem o costume de fazer a adoração do Santíssimo durante toda a noite.

Sexta-feira Santa -
Celebra-se a paixão e morte de Jesus Cristo. O silêncio, o jejum e a oração devem marcar este dia que, ao contrário do que muitos pensam, não deve ser vivido em clima de luto, mas de profundo respeito diante da morte do Senhor que, morrendo, foi vitorioso e trouxe a salvação para todos, ressurgindo para a vida eterna. Às 15 horas, horário em que Jesus foi morto, é celebrada a principal cerimônia do dia: a Paixão do Senhor. Ela consta de três partes: liturgia da Palavra, adoração da cruz e comunhão eucarística. Depois deste momento não há mais comunhão eucarística até que seja realizada a celebração da Páscoa, no Sábado Santo.

Sábado Santo -
No Sábado Santo ou Sábado de Aleluia, a principal celebração é a “Vigília Pascal”.

Vigília Pascal:
Inicia-se na noite do Sábado Santo em memória da noite santa da ressurreição gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. É a chamada “a mãe de todas as santas vigílias”, porque a Igreja mantém-se de vigília à espera da vitória do Senhor sobre a morte. Cinco elementos compõem a liturgia da Vigília Pascal: a bênção do fogo novo e do círio pascal; a proclamação da Páscoa, que é um canto de júbilo anunciando a Ressurreição do Senhor; a liturgia da Palavra, que é uma série de leituras sobre a história da Salvação; a renovação das promessas do Batismo e, por fim, a liturgia eucarística.

Domingo de Páscoa
-
A palavra “páscoa” vem do hebreu “Peseach” e significa “passagem”. Era vivamente comemorada pelos judeus do Antigo Testamento. A Páscoa que eles comemoram é a passagem do mar Vermelho, que ocorreu muitos anos antes de Cristo, quando Moisés conduziu o povo hebreu para fora do Egito, onde era escravo. Chegando às margens do Mar Vermelho, os judeus, perseguidos pelos exércitos do faraó teriam de atravessá-lo às pressas. Guiado por Deus, Moisés levantou seu bastão e as ondas se abriram, formando duas paredes de água, que ladeavam um corredor enxuto, por onde o povo passou. Jesus também festejava a Páscoa. Foi o que Ele fez ao cear com seus discípulos. Condenado à morte na cruz e sepultado, ressuscitou três dias após, num domingo, logo depois da Páscoa judaica. A ressurreição de Jesus Cristo é o ponto central e mais importante da fé cristã. Através da sua ressurreição, Jesus prova que a morte não é o fim e que Ele é verdadeiramente o Filho de Deus. O temor dos discípulos em razão da morte de Jesus, na Sexta-Feira, transforma-se em esperança e júbilo. É a partir deste momento que eles adquirem força para continuar anunciando a mensagem do Senhor. São celebradas missas festivas durante todo o domingo.

O REI MONTADO NUM BURRICO

REFLEXÃO DA LITURGIA


Uma semana inteira para meditar no mistério pascal, santificada pela presença de Jesus, o servo que se torna Senhor. Não estamos apenas representando, dramatizando os acontecimentos de ontem. Nos dias que correm, atualizamos na liturgia da Igreja o mistério da passagem de Cristo, da páscoa Daquele que nos arrancou das trevas para a luz. Mistério dele e mistério nosso.

Duas palavras de Casiano Floristán: “A celebração da Semana Santa culmina com a eucaristia da madrugada de domingo, a que precedia o batismo dos catecúmenos, tanto jovens como adultos. O centro é Cristo com sua paixão, que abarca toda a existência humana, uma vez que ele está presente em todas as vítimas da dor e do sofrimento, simbolizadas pelo cordeiro pascal. A Páscoa não é um mero rito, liturgia ou celebração. Toda a vida é páscoa, passagem, trânsito. (Casiano Floristán, Vida Nueva 2178, março de 1999, p. 24).

Tudo começa com o Domingo dos Ramos ou da Paixão. Paixão e vitória se misturam. A Igreja nunca celebra a cruz desvinculada da vitória da manhã de Páscoa. “Para realizar o mistério de sua morte e ressurreição, Cristo entrou em Jerusalém, sua cidade. Celebrando com fé e piedade a memória dessa entrada, sigamos os passos de nosso salvador para que, associados pela graça à sua cruz, participemos também da sua ressurreição e da sua vida” (Exortação antes da bênção dos ramos).

A procissão dos ramos inaugura a Semana Santa evocando a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. O formulário da bênção das palmas pede o olhar de Deus sobre os ramos, para que seguindo com alegria o Cristo, Rei, os fiéis possam chegar com ele à eterna Jerusalém.

O Cristo é saudado como rei com gritos de Hosana. Os paramentos são rubros, vermelhos. Lembram o fogo e o martírio. Há alegria, vida e movimentação no ar. Os fiéis chegam de todos os cantos e acompanham a procissão. As leituras do Domingo dos Ramos colocam os fiéis diante do sofrimento do Messias. Aparecem justapostos afirmação da glória e do sofrimento de Cristo neste domingo e nos dias da Semana Santa. Este paradoxo, segundo os liturgistas, é a própria linguagem do mistério. A procissão é como um sinal sacramental da Páscoa que é caminhada, caminho e êxodo. Entra-se no templo com as palmas ou ramos, como na sexta-feira se entrará com a cruz e na vigília do sábado com o círio pascal. Tal procissão fala a coragem da partida, da esperança de uma terra e de uma humanidade nova. O Domingo de Ramos se reveste de alegria.

Acompanhemos o Senhor, que corre apressadamente para a sua Paixão e imitemos os que foram ao seu encontro. Não para estendermos à sua frente, no caminho, ramos de oliveira ou de palma, tapetes ou mantos, mas para nos prostrarmos a seus pés, com humildade e retidão de espírito a fim de recebermos o Verbo de Deus que se aproxima e acolhermos aquele Deus que lugar algum pode conter” (Santo André de Creta, Liturgia das Horas II, p. 366).

Jesus entra em Jerusalém montado em um jumentinho. O gesto marca a pobreza e a simplicidade do Messias. Jesus pede que lhe procurem um asno, para devolvê-lo depois. O burrico é a cavalgadura do Messias pobre e humilde de Zacarias (9,9). O cortejo que acompanha Jesus mostra características reais como aparece nos mantos estendido sobre o caminho e nas palavras da ovação. Há uma grande distância entre a concepção vivida pela multidão e a maneira como Jesus encara esse momento. Jesus sente-se a pedra que os pedreiros rejeitaram. Não partilha da concepção de um messianismo triunfalista.


A profecia do servo sofredor, texto escrito muito tempo antes de Jesus e lida na missa dos ramos (Is 50, 4-7), descreve antecipadamente a missão de Jesus: o servo abre os ouvidos para as palavras de Deus, oferece as costas aos que nele batem e as faces aos quem lhe arrancam as barbas, não desvia seu rosto das cusparadas e dos bofetões. Entrados no templo, depois da procissão, somos lançados em cheio na paixão do Senhor (Filipenses).

Fonte: www.franciscanos.org.br

DOMINGO DE RAMOS E DA PAIXÃO DO SENHOR

EVANGELHO: Lucas 22,14-23,56


Quando chegou a hora, pôs-se à mesa e os Apóstolos com Ele. Disse-lhes: «Tenho ardentemente desejado comer esta Páscoa convosco, antes de padecer, pois digo-vos que já não a voltarei a comer até ela ter pleno cumprimento no Reino de Deus.» Tomando uma taça, deu graças e disse: «Tomai e reparti entre vós, pois digo-vos que não tornarei a beber do fruto da videira, até chegar o Reino de Deus.» Tomou, então, o pão e, depois de dar graças, partiu-o e distribuiu-o por eles, dizendo: «Isto é o meu corpo, que vai ser entregue por vós; fazei isto em minha memória.» Depois da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: «Este cálice é a nova Aliança no meu sangue, que vai ser derramado por vós.» «No entanto, vede: a mão daquele que me vai entregar está comigo à mesa! O Filho do Homem segue o seu caminho, como está determinado; mas ai daquele por meio de quem vai ser entregue!» Começaram a perguntar uns aos outros qual deles iria fazer semelhante coisa. Levantou-se entre eles uma discussão sobre qual deles devia ser considerado o maior. Jesus disse-lhes: «Os reis das nações imperam sobre elas e os que nelas exercem a autoridade são chamados benfeitores. Convosco, não deve ser assim; o que fôr maior entre vós seja como o menor, e aquele que mandar, como aquele que serve. Pois, quem é maior: o que está sentado à mesa, ou o que serve? Não é o que está sentado à mesa? Ora, Eu estou no meio de vós como aquele que serve. Vós sois os que permaneceram sempre junto de mim nas minhas provações, e Eu disponho do Reino a vosso favor, como meu Pai dispõe dele a meu favor, a fim de que comais e bebais à minha mesa, no meu Reino. E haveis de sentar-vos, em tronos, para julgar as doze tribos de Israel.» E o Senhor disse: «Simão, Simão, olha que Satanás pediu para vos joeirar como trigo. Mas Eu roguei por ti, para que a tua fé não desapareça. E tu, uma vez convertido, fortalece os teus irmãos.» Ele respondeu-lhe: «Senhor, estou pronto a ir contigo até para a prisão e para a morte.» Jesus disse-lhe: «Eu te digo, Pedro: o galo não cantará hoje sem que, por três vezes, tenhas negado conhecer-me.» Depois, acrescentou: «Quando vos enviei sem bolsa, nem alforge, nem sandálias, faltou-vos alguma coisa?» Eles responderam: «Nada.» E Ele acrescentou: «Mas agora, quem tem uma bolsa que a tome, assim como o alforge, e quem não tem espada venda a capa e compre uma. Porque, digo-vo-lo Eu, deve cumprir-se em mim esta palavra da Escritura: Foi contado entre os malfeitores. Efectivamente, o que me diz respeito chega ao seu termo.» Disseram-lhe eles: «Senhor, aqui estão duas espadas.» Mas Ele respondeu-lhes: «Basta!» Saiu então e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras. E os discípulos seguiram também com Ele. Quando chegou ao local, disse-lhes: «Orai, para que não entreis em tentação.» Depois afastou-se deles, à distância de um tiro de pedra, aproximadamente; e, pondo-se de joelhos, começou a orar, dizendo: «Pai, se quiseres, afasta de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, mas a tua.» Então, vindo do Céu, apareceu-lhe um anjo que o confortava. Cheio de angústia, pôs-se a orar mais instantemente, e o suor tornou-se-lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra. Depois de orar, levantou-se e foi ter com os discípulos, encontrando-os a dormir, devido à tristeza. Disse-lhes: «Porque dormis? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação.» Ainda Ele estava a falar quando surgiu uma multidão de gente. Um dos Doze, o chamado Judas, caminhava à frente e aproximou-se de Jesus para o beijar. Jesus disse-lhe: «Judas, é com um beijo que entregas o Filho do Homem?» Vendo o que ia suceder, aqueles que o cercavam perguntaram-lhe: «Senhor, ferimo-los à espada?» E um deles feriu um servo do Sumo Sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. Mas Jesus interveio, dizendo: «Basta, deixai-os.» E, tocando na orelha do servo, curou-o. Depois, disse aos que tinham vindo contra Ele, aos sumos sacerdotes, aos oficiais do templo e aos anciãos: «Vós saístes com espadas e varapaus, como se fôsseis ao encontro de um salteador! Estando Eu todos os dias convosco no templo, não me deitastes as mãos; mas esta é a vossa hora e o domínio das trevas.» Apoderando-se, então, de Jesus, levaram-no e introduziram-no em casa do Sumo Sacerdote. Pedro seguia de longe. Tendo acendido uma fogueira no meio do pátio, sentaram-se e Pedro sentou-se no meio deles. Ora, uma criada, ao vê-lo sentado ao lume, fitandoo, disse: «Este também estava com Ele.» Mas Pedro negou-o, dizendo: «Não o conheço, mulher.» Pouco depois, disse outro, ao vê-lo: «Tu também és dos tais.» Mas Pedro disse: «Homem, não sou.» Cerca de uma hora mais tarde, um outro afirmou com insistência: «Com certeza este estava com Ele; além disso, é galileu.» Pedro respondeu: «Homem, não sei o que dizes.» E, no mesmo instante, estando ele ainda a falar, cantou um galo. Voltando-se, o Senhor fixou os olhos em Pedro; e Pedro recordou-se da palavra do Senhor, quando lhe disse: «Hoje, antes de o galo cantar, irás negar-me três vezes.» E, vindo para fora, chorou amargamente. Entretanto, os que guardavam Jesus troçavam dele e maltratavam-no. Cobriam-lhe o rosto e perguntavam-lhe: «Adivinha! Quem te bateu?» E proferiam muitos outros insultos contra Ele. Quando amanheceu, reuniu-se o Conselho dos anciãos do povo, sumos sacerdotes e doutores da Lei, que o levaram ao seu tribunal. Disseram-lhe: «Declara-nos se Tu és o Messias.» Ele respondeu-lhes: «Se vo-lo disser, não me acreditareis e, se vos perguntar, não respondereis. Mas doravante, o Filho do Homem vai sentar-se à direita de Deus todo-poderoso.» Disseram todos: «Tu és, então, o Filho de Deus?» Ele respondeu-lhes: «Vós o dizeis; Eu sou.» Então, exclamaram: «Que necessidade temos já de testemunhas? Nós próprios o ouvimos da sua boca.» Levantando-se todos, levaram-no a Pilatos e começaram a acusá-lo, nestes termos: «Encontrámos este homem a sublevar o povo, a impedir que se pagasse tributo a César e a dizer-se Ele próprio o Messias Rei.» Pilatos interrogou-o: «Tu és o rei dos judeus?» Jesus respondeu: «Tu o dizes.» Pilatos disse, então, aos sumos sacerdotes e à multidão: «Nada encontro de culpável neste homem.» Mas eles insistiram, dizendo: «Ele amotina o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia até aqui.» Ao ouvir isto, Pilatos perguntou-se o homem era galileu; e, ao saber que era da jurisdição de Herodes, enviou-o a Herodes, que também se encontrava em Jerusalém nesses dias. Ao ver Jesus, Herodes ficou extremamente satisfeito, pois havia bastante tempo que o queria ver, devido ao que ouvia dizer dele, esperando que fizesse algum milagre na sua presença. Fez-lhe muitas perguntas, mas Ele nada respondeu. Os sumos sacerdotes e os doutores da Lei, que lá estavam, acusavam-no com veemência. Herodes, com os seus oficiais, tratou-o com desprezo e, por troça, mandou-o cobrir com uma capa vistosa, enviando-o de novo a Pilatos. Nesse dia, Herodes e Pilatos ficaram amigos, pois eram inimigos um do outro. Pilatos convocou os sumos sacerdotes, os chefes e o povo, e disse-lhes: «Trouxestes este homem à minha presença como se andasse a revoltar o povo. Interroguei-o diante de vós e não encontrei nele nenhum dos crimes de que o acusais. Herodes tão pouco, visto que no-lo mandou de novo. Como vedes, Ele nada praticou que mereça a morte. Vou, portanto, libertá-lo, depois de o castigar.» Ora, em cada festa, Pilatos era obrigado a soltar-lhes um preso. E todos se puseram a gritar: «A esse mata-o e solta-nos Barrabás!» Este último fora metido na prisão por causa de uma insurreição desencadeada na cidade, e por homicídio. De novo, Pilatos dirigiu-lhes a palavra, querendo libertar Jesus. Mas eles gritavam: «Crucifica-o! Crucifica-o!» Pilatos disse-lhes pela terceira vez: «Que mal fez Ele, então? Nada encontrei nele que mereça a morte. Por isso, vou libertá-lo, depois de o castigar.» Mas eles insistiam em altos brados, pedindo que fosse crucificado, e os seus clamores aumentavam de violência. Então, Pilatos decidiu que se fizesse o que eles pediam. Libertou o que fora preso por sedição e homicídio, que eles reclamavam, e entregou-lhes Jesus para o que eles queriam. Quando o iam conduzindo, lançaram mão de um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e carregaram-no com a cruz, para a levar atrás de Jesus. Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres que batiam no peito e se lamentavam por Ele. Jesus voltou-se para elas e disse-lhes: «Filhas de Jerusalém, não choreis por mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos; pois virão dias em que se dirá: 'Felizes as estéreis, os ventres que não geraram e os peitos que não amamentaram.' Hão-de, então, dizer aos montes: 'Caí sobre nós!' E às colinas: 'Cobri-nos!' Porque, se tratam assim a árvore verde, o que não acontecerá à seca?» E levavam também dois malfeitores, para serem executados com Ele. Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-no a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. Jesus dizia: «Perdoa-lhes, Pai, porque não sabem o que fazem.» Depois, deitaram sortes para dividirem entre si as suas vestes. O povo permanecia ali, a observar; e os chefes zombavam, dizendo: «Salvou os outros; salve-se a si mesmo, se é o Messias de Deus, o Eleito.» Os soldados também troçavam dele. Aproximando-se para lhe oferecerem vinagre, diziam: «Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo!» E por cima dele havia uma inscrição: «Este é o rei dos judeus.» Ora, um dos malfeitores que tinham sido crucificados insultava-o, dizendo: «Não és Tu o Messias? Salva-te a ti mesmo e a nós também.» Mas o outro, tomando a palavra, repreendeu-o: «Nem sequer temes a Deus, tu que sofres o mesmo suplício? Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo que as nossas acções mereciam; mas Ele nada praticou de condenável.» E acrescentou: «Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino.» Ele respondeu-lhe: «Em verdade te digo: hoje estarás comigo no Paraíso.» Por volta do meio-dia, as trevas cobriram toda a região até às três horas da tarde. O Sol tinha-se eclipsado e o véu do templo rasgou-se ao meio. Dando um forte grito, Jesus exclamou: «Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito.» Dito isto, expirou. Ao ver o que se passava, o centurião deu glória a Deus, dizendo: «Verdadeiramente, este homem era justo!» E toda a multidão que se tinha aglomerado para este espectáculo, vendo o que acontecera, regressava batendo no peito. Todos os seus conhecidos e as mulheres que o tinham acompanhado desde a Galileia mantinham-se à distância, observando estas coisas. Um membro do Conselho, chamado José, homem recto e justo, não tinha concordado com a decisão nem com o procedimento dos outros. Era natural de Arimateia, cidade da Judeia, e esperava o Reino de Deus. Foi ter com Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Descendo-o da cruz, envolveu-o num lençol e depositou-o num sepulcro talhado na rocha, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. Era o dia da Preparação e já começava o sábado. Entretanto, as mulheres que tinham vindo com Ele da Galileia acompanharam José, observaram o túmulo e viram como o corpo de Jesus fora depositado. Ao regressar, prepararam aromas e perfumes; e, durante o sábado, observaram o descanso, conforme o preceito.

27 de mar de 2010

PROGRAMAÇÃO PARA O DOMINGO DE RAMOS


Entramos na Semana Santa purificados pelo Sacramento da Penitência, dispostos a participar de todas as celebrações da Igreja. Neste Domingo de Ramos, teremos a seguinte programação:
08 horas - Missa na Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Monte do Galo, com bênção de ramos. Após a missa, sairemos em procissão até a Matriz de São José.
16 horas - Procissão de ramos, da entrada do Povoado Ermo até a Capela de São Francisco, naquele povoado. Após a procissão, celebração da missa dominical.
18h30min - Concentração em frente à Câmara de Vereadores, com bênção dos ramos. Após, a comunidade sairá em procissão até a Matriz de São José, onde acontecerá a Santa Missa Dominical.
Recordemos a Paixão e Ressurreição de Cristo, desde a sua entrada messiânica em Jerusalém!

“Antes de o galo cantar, negar-me-ás três vezes”

"Pedro negou uma primeira vez e não chorou, porque o Senhor não o olhou. Negou-o uma segunda vez e não chorou, porque o Senhor ainda não o tinha olhado. Negou-o uma terceira vez, Jesus olhou-o, e ele chorou, amargamente (Lc 22,62). Olha-nos, Senhor Jesus, para que saibamos chorar o nosso pecado. Isto mostra que mesmo a queda dos santos pode ser útil. A negação de Pedro não me fez mal; ao contrário, com o seu arrependimento, eu ganhei: aprendi a defender-me de um ambiente infiel…

Portanto, Pedro chorou, e muito amargamente; chorou para chegar a lavar a sua culpa com as lágrimas. Também vós, se quereis obter o perdão, apagai a vossa falta com as lágrimas; nesse exato momento, nessa mesma hora, Cristo olha-vos. Se vos suceder alguma queda, ele, testemunha presente da vossa vida secreta, olha-vos para vos lembrar e vos fazer confessar os vossos erros. Fazei então como Pedro, que disse noutra ocasião por três vezes: “Senhor, tu sabes que eu te amo” (Jo 21, 15). Ele negou três vezes, três vezes também ele confessa; mas ele negou na noite, e confessa em pleno dia.

Tudo isto está escrito para nos fazer compreender que ninguém se deve vangloriar. Se Pedro caiu por ter dito: “Ainda que todos se escandalizem de Ti, eu nunca me escandalizarei” (Mt 26,33), que outra pessoa estaria no direito de contar consigo próprio?... Donde te chamarei, Pedro, para me ensinares os teus pensamentos quando tu choravas? Do céu onde já tomaste lugar entre os coros dos anjos, ou ainda do túmulo? Porque a morte, da qual o Senhor ressuscitou, não te repugna por seu turno. Ensina-nos em que é que as tuas lágrimas te foram úteis. Mas tu ensinaste-o bem depressa: porque tendo caído antes de chorar, as tuas lágrimas fizeram-te ser escolhido para conduzir outros, tu que, inicialmente, não tinhas sabido conduzir-te a ti mesmo."

A reflexão acima foi feita por Santo Ambrósio (cerca de 340-397), bispo de Milão e doutor da Igreja.

Neste final de tempo quaresmal, tempo em que nós cristãos pecadores somos confrontados com a nossa realidade, temos a possibilidade de analisarmos se, realmente, estamos preparados para o período pascal. Se não, ainda há tempo: façamos como Pedro. Mesmo tendo negado já por diversas vezes a Cristo, olhemos para as chagas dEle, analisemos o que Ele fez por nós. Ele, que acolher ser pregado na cruz, aceitando a crueldade terrível deste tormento, a destruição do Seu corpo e da Sua dignidade. Ele, que, pregado na cruz, sofreu sem fugas nem descontos.
Neste final de quaresma, ti pedimos, Senhor, ajuda-nos a nos ligarmos estreitamente a vós. Ajuda-nos a desmascarar a falsa liberdade que nos quer afastar de vós. Ajuda-nos a aceitar a vossa liberdade "de prisioneiro" e a encontrar nesta estreita ligação convosco a verdadeira liberdade. Ajuda-nos, Senhor, a não vós negar mais!

AS AUTORIDADES RESOLVERAM ACABAR COM JESUS

REFLEXÃO DO EVANGELHO


Os sumos sacerdotes e os fariseus se reuniram, preocupados com a difusão da fama de Jesus. E, partir de um preciso momento, as autoridades judaicas tomaram a decisão de acabar com o incômodo Jesus de Nazaré...Chegara a hora do Mestre!

Leiamos com o coração esta pagina luminosa de Cesário de Arles às vésperas da Semana Santa. O bispo de Arles fala da Igreja que nasceu da falta de formosura do esposo desfigurado: “Sobre nosso Senhor e Salvador, caríssimos irmãos, há muito foi profetizado: Ele cresceu como renovo de planta ou como raiz em terra seca (Is 53,2). Por que como raiz? Por que não tem beleza nem atrativo (Is 53,2). Ele sofreu, foi humilhado, recebeu escarros. Não tinha beleza. Tinha aparência de homem, embora fosse Deus. Era semelhante à raiz que, mesmo não sendo bela, traz em seu interior a a força de sua beleza. Escutai, meus irmãos, vede a misericórdia de Deus!

A Igreja cresceu, os povos acreditaram, os príncipes da terra foram vencidos pelo nome de Cristo. (...) Aquele grão de mostarda cresceu, tornou-se a maior das hortaliças; vieram as aves do céu, os grandes do mundo e descansaram debaixo de seus ramos. De onde veio tamanha beleza? Surgiu não sei de que raiz. E esta beleza se manifesta em grande glória. Procuremos a raiz: Cristo recebeu escarros, foi humilhado, flagelado, crucificado, ferido, desprezado. Eis que nele não se encontra beleza alguma.

Entretanto, na Igreja a glória da raiz tem muito valor e corresponde ao próprio esposo, desprezado, desonrado, aviltado. Vós, porém, tendes para ver apenas a árvore que surgiu desta raiz e encheu a terra inteira.

Ele não tem beleza nem atrativo; nós o vimos: ele não tinha beleza nem atrativo (Is 53,2: Vulg.). E onde o vimos sem beleza e sem brilho? No suplício, enquanto homem; antes do suplício, enquanto Deus; depois do suplício enquanto homem e Deus. Enquanto homem, no suplício e capaz de carregar as enfermidades (Is 53,4: Vulg.). Enfermidades de quem? Daqueles por quem sofria. O medico carregava as enfermidades dos desvairados; e enquanto era crucificado, orava e dizia: Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem! (Lc 23,34).

Vede, amemos o esposo! Quanto mais ele se apresenta desfigurado, mais se torna querido e amável à esposa. Voltou a face a fim de não ser reconhecido por aqueles que o crucificavam: Sua face foi ultrajada, não foi considerada de valor (Is 53,2: Vulg.). "
E assim, colocamos nossos passos no terreno santo da semana toda santificada pela paixão, morte e ressurreição do mais belo dos filhos dos homens!


Fonte: www.franciscanos.org.br

EVANGELHO: João 11,45-56

Então muitos judeus, que tinham ido à casa de Maria e que viram o que Jesus fez, acreditaram nele. Alguns, porém, foram ao encontro dos fariseus e contaram o que Jesus tinha feito. Então, os chefes dos sacerdotes e os fariseus reuniram o Conselho. E disseram: «Que é que vamos fazer? Esse homem está realizando muitos sinais. Se deixamos que ele continue assim, todos vão acreditar nele; os romanos virão e destruirão o Templo e toda a nação.» Um deles, chamado Caifás, sumo sacerdote nesse ano, disse: «Vocês não sabem nada. Vocês não percebem que é melhor um só homem morrer pelo povo, do que a nação inteira perecer?» Caifás não falou isso por si mesmo. Sendo sumo sacerdote nesse ano, profetizou que Jesus ia morrer pela nação. E não só pela nação, mas também para reunir juntos os filhos de Deus que estavam dispersos. A partir desse dia, as autoridades dos judeus decidiram matar Jesus. Por isso, Jesus não andava mais em público entre os judeus. Retirou-se para uma região perto do deserto. Foi para uma cidade chamada Efraim, onde ficou com seus discípulos.
A Páscoa dos judeus estava próxima, e muita gente do campo foi a Jerusalém para purificar-se antes da Páscoa. Eles procuravam Jesus, e quando se reuniram no Templo, comentavam: «Que é que vocês acham? Será que ele não vem para a festa?»

26 de mar de 2010

ACREDITAI NAS MINHAS OBRAS

REFLEXÃO DO EVANGELHO

Durante a festa da dedicação do templo os judeus perguntaram diretamente a Jesus: “Se tu és o Messias, diga-nos abertamente". Ele respondeu-lhes: "Já vos disse, mas não acreditais”. Como contexto contínuo ao Evangelho de hoje, Cristo acaba de afirmar: “O Pai e eu somos um”. Então os judeus agarraram pedras para apedrejá-Lo por blasfêmia, porque, sendo um homem, se fazia igual a Deus. E era-o. “A quem o Pai consagrou e enviou ao mundo, dizeis vós que blasfema por que diz que é o filho de Deus? Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis; mas se as faço, embora não acrediteis em mim, acreditai nas obras, para compreenderdes e saberdes que o Pai está em mim e eu no Pai”. Como eles tentaram novamente deter o Senhor, Ele foi para o outro lado do Jordão, para o local onde antes João havia realizado batizados. Não obstante, o texto evangélico acaba dizendo que “muitos acreditaram nele ali”.

Por que foi rejeitado Cristo pelo povo judeu se era a Pessoa mais amável e encantadora que se podia imaginar? É a pergunta que Ele faz aos judeus: “ Fiz-vos muitas obras boas por ordem de meu Pai. Por qual delas me apedrejais?”

Por que é rejeitado Jesus, por que o foi o profeta Jeremias, por que o é o cristão que quer viver segundo o Evangelho? Mistério difícil de explicar. Muitas razões poderiam ser apontadas. Vamos destacar uma que resume todas as muitas outras: porque se rejeita a verdade, que costuma se tornar incômoda, como juízo implacável que é das nossas falhas e erros. Por falta de humildade e sobra de orgulho rejeitamos a verdade, que deixa à mostra a nossa inata maldade e nosso proceder egoísta.

Para rejeição de Cristo contou também o mistério e escândalo da Palavra de Deus feito carne, isto é, debilidade humana. A humanidade de Cristo, em tudo igual à nossa exceto no pecado, era e é grande obstáculo para ver a sua divindade e a glória do Unigênito do Pai. Se bem que as Suas obras, a Sua vida e a Sua conduta revelassem a origem divina, somente através dos olhos da fé, que é dom de Deus e não conclusão forçada de argumentos e raciocínios, se podia e se pode entender o mistério e a Pessoa de Cristo.

Padre Pacheco, Comunidade Canção Nova

E MUITOS ACREDITARAM NELE!


“Jesus passou para o outro lado do Jordão e foi para o lugar onde, antes, João tinha batizado. E permaneceu ali. Muitos foram ter com ele, e diziam: João não fez nenhum sinal, mas tudo o que ele disse, a respeito deste homem é verdade. E muitos ali, acreditaram nele”

Os evangelhos descrevem as reações de incontáveis pessoas diante de Jesus. Houve momentos de adesões imediatas e calorosas. Uns deixavam redes e barcas para segui-lo. O pequeno Zaqueu de Jericó corre para recebê-lo em sua casa e em sua vida. Uma mulher da qual ele tinha expulsado demônios queria retê-lo depois de sua ressurreição. Dois tristonhos personagens custam a reconhecer um curioso peregrino que faz caminhada com eles. Jesus foi objeto de fé e de repulsa. Falamos aqui desse Jesus que escondia em seu rosto, suas palavras, sua vida o mistério de sua Figura. Hoje temos a seguir o Cristo que depois de morto, passou à vida.

A verdadeira fé em Cristo se elabora lentamente nas pessoas e nas comunidades. Tal fé não se manifesta apenas através de um sentimento cálido e emotivo. Pode ser que muitos tenham nascido e crescido em famílias católicas que colocavam gestos religiosos (missa, oração, terço, comemoração do Natal) e assim foram se achegando de Cristo. Outros, haveriam de encontrá-lo em circunstâncias diferentes: no meio dos estudos, através do testemunho de uma comunidade, no meio de sofrimentos duríssimos de serem suportados.

Em nossos dias, a fé em Cristo precisa necessariamente se exprimir a partir da convicção da presença do Ressuscitado em nosso meio. Não se pode alimentar uma fé que evoque e lembre apenas os passos do Galileu. Aquele que foi suspenso entre o céu e a terra ganhou uma nova realidade, a do Ressuscitado.

Os que desejam solidificar sua fé haverão de freqüentar as Escrituras como gente que tem fome de encontrar nelas a presença daquele que se torna presente na aparente ausência.

A vida sacramental regular atesta para os outros e nos garante que vivemos sob o bafejo do ressuscitado.

Nossos tempos exigem uma fé lúcida. Nada de crendice. Saber dizer com nossa vida: um dia, o Deus grande se encarnou no seio de Maria, sorveu as águas de nossas fontes, amou, caminhou, corrigiu, incentivou, acolheu as pessoas, trabalhou para que o importante fosse importante e o sem importância fosse considerado sem importância. Lançou os fundamentos de um mundo novo que brotava do coração de seu Pai; reino de irmãos, de paz, de misericórdia, onde os últimos são os primeiros e os príncipes lavam os pés dos outros. Esse morreu e depois se fez presente a testemunhas especiais e continua vivo entre nós. E pela força de seu Espírito nos chama e nos cativa... e os que a ele respondemos não vivemos mais para nós para ele.

Por que tantos conservam apenas uma vaga lembrança a respeito de Cristo?

Porque nossos contemporâneos se comprazem em considerar com respeito pequeno e sem respeito essa pessoa? Por que têm tanta dificuldades em ver em Cristo a presença do abismo de Deus?

Fonte: www.franciscanos.org.br

EVANGELHO DO DIA - João10,31-42

As autoridades dos judeus pegaram pedras outra vez para apedrejar Jesus. Então Jesus disse: «Por ordem do meu Pai, tenho feito muitas coisas boas na presença de vocês. Por qual delas vocês me querem apedrejar?» As autoridades dos judeus responderam: «Não queremos te apedrejar por causa de boas obras, e sim por causa de uma blasfêmia: tu és apenas um homem, e te fazes passar por Deus.»
Jesus disse: «Por acaso, não é na Lei de vocês que está escrito: ‘Eu disse: vocês são deuses’? Ninguém pode anular a Escritura. Ora, a Lei chama de deuses as pessoas para as quais a palavra de Deus foi dirigida. O Pai me consagrou e me enviou ao mundo. Por que vocês me acusam de blasfêmia, se eu digo que sou Filho de Deus? Se não faço as obras do meu Pai, vocês não precisam acreditar em mim. Mas se eu as faço, mesmo que vocês não queiram acreditar em mim, acreditem pelo menos em minhas obras. Assim vocês conhecerão, de uma vez por todas, que o Pai está presente em mim, e eu no Pai.» Eles tentaram outra vez prender Jesus, mas ele escapou das mãos deles.

25 de mar de 2010

O ANJO E A MULHER: eles tratam da restauração do homem

SOLENIDADE DA ANUNCIAÇÃO DO SENHOR

No meio da quaresma, uma festa interrompe o programa habitual da vida da Igreja. O Anjo visita Maria e assim começa a se manifestar em nossa carne a salvação que vem de Deus.

Queremos meditar, com o coração, as sábias palavras de São Pedro Crisólogo.

Ouvistes hoje, caríssimos irmãos, um anjo que trata com uma mulher, da reparação do homem. Ouvistes que o homem, para voltar à vida, deve refazer as mesmas etapas que o conduziram à morte. O anjo trata da nossa salvação com Maria, porque um anjo tratara com Eva de nossa ruína. Ouvistes que um anjo, com inefável arte, construiu, com argila de nosso carne, o templo da divina majestade.

Ouviste que, por um mistério insondável, Deus toma lugar na terra, e o homem nos céus. Ouviste que, de maneira inaudita, Deus e o homem se uniram em um mesmo corpo. Ouviste que a nossa frágil natureza carnal foi fortalecida pela exortação evangélica para poder conter toda a glória da divindade. Enfim, para que a areia frágil de nosso corpo não sucumbisse sob o imenso peso do templo celeste, construído em Maria, e para que não se quebrasse o ramo tenro que na Virgem deveria sustentar o fruto de todo o gênero humano, a voz do anjo começou por afugentar o medo, dizendo: Não tenhas medo, Maria.

Não tenhas medo, Maria, pois encontraste graça (Lc 1, 30). Quem encontrou graça, é certo, não conhece o temor. Encontraste graça diante de quem? Diante de Deus. Bem aventurada aquela que, entre os homens, tem a felicidade, só ela, de ouvir antes de todos: Encontraste graça. Quanta graça? Como fora dito antes: a plenitude da graça. Verdadeiramente, a plenitude, semelhante a uma chuva copiosa, inundando e embebendo toda criatura. Pois encontraste graça diante de Deus.

Dizendo isso, o próprio anjo ficou maravilhado: tanto por ter apenas uma mulher recebido a vida, como por todos os homens terem recebido a vida por intermédio da mulher. Admira-se o anjo de que a imensidão de Deus, para quem todo ser criado é restrito e limitado, venha encerrar-se nos estreitos limites do ventre virginal. Daí, vem a lentidão do Anjo, daí vem o chamado da Virgem pelo nome, afirmando a sua dignidade. A Virgem escuta e, talvez, para apaziguar sua emoção, elabora sua mensagem com lentidão e temor. Pensai, irmãos, como é justo e conveniente que, com reverência e tremor, meditemos sobre o mistério, quando a Anjo, não sem receio, dissipa o temor daquela que escuta: Eis que conceberás em teu seio.
(Lecionário Monástico II, p, 718-719).

Fonte: www.franciscanos.org.br

EVANGELHO: Lucas 1,26-38

No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia chamada Nazaré. Foi a uma virgem, prometida em casamento a um homem chamado José, que era descendente de Davi. E o nome da virgem era Maria. O anjo entrou onde ela estava, e disse: «Alegre-se, cheia de graça! O Senhor está com você!» Ouvindo isso, Maria ficou preocupada, e perguntava a si mesma o que a saudação queria dizer. O anjo disse: «Não tenha medo, Maria, porque você encontrou graça diante de Deus. Eis que você vai ficar grávida, terá um filho, e dará a ele o nome de Jesus. Ele será grande, e será chamado Filho do Altíssimo. E o Senhor dará a ele o trono de seu pai Davi, e ele reinará para sempre sobre os descendentes de Jacó. E o seu reino não terá fim.» Maria perguntou ao anjo: «Como vai acontecer isso, se não vivo com nenhum homem?» O anjo respondeu: «O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com sua sombra. Por isso, o Santo que vai nascer de você será chamado Filho de Deus. Olhe a sua parenta Isabel: apesar da sua velhice, ela concebeu um filho. Aquela que era considerada estéril, já faz seis meses que está grávida. Para Deus nada é impossível.» Maria disse: «Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra.» E o anjo a deixou.

24 de mar de 2010

PERMANECER NA PALAVRA DO MESTRE

REFLEXÃO DO EVANGELHO


Os discípulos de Jesus, de modo especial durante o tempo da quaresma, vão ouvindo e assimilando os longos e profundos discursos joaninos do Mestre. Com isso pretendem se preparar para a Páscoa. “Se permanecerdes na minha palavra, sereis verdadeiramente meus discípulos, e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”.

Permanecer na palavra de Jesus!... Não se trata apenas de ler esporádica, ou mesmo diariamente, textos dos evangelhos. Nem apenas de chegar a uma agilidade mental capaz de fazer ligações entre Marcos e Lucas, João e Mateus. Não se trata apenas de ser perito nas teorias exegéticas. Permanecer na palavra de Jesus é adotar interior e exteriormente a posição de alguém que escuta com o interior esse Jesus que está perto de nós, ressuscitado, vivo... falando pelos evangelhos sim, mas também através da voz dos sem voz, dos gestos dos sacramentos e no fervor das reuniões fraternas. Um Mestre que se busca com avidez e que quer ver nosso interior ir se conformando com o seu. Permanecer na palavra significa ligar-se faminta e persistentemente a esse Cristo que acolhemos pela fé.

De tanto ouvir o Mestre dá-se o seguimento. Emergem discípulos do Senhor no meio da massa, pessoas que casando, comendo, viajando, trabalhando, alegrando-se, sofrendo, vivendo... são discípulos de Jesus e não meros “religiosos” sem expressão, gente que não consegue fazer a diferença. Fazem a diferença os que ouvem e põem em prática. Os que ouvem Cristo se tornam discípulos.

“Jesus faz dos discípulos, seus familiares, porque compartilha com eles a mesma vida que procede do Pai e lhes pede, como discípulos, uma união íntima com ele, obediência à Palavra do Pai, para produzirem frutos de amor em abundância (Doc. de Aparecida, n. 133).

“Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. De tanto escutar a Palavra com as entranhas, de tanto fazer lugar dentro de si para a ação de Cristo ressuscitado, começando a ser discípulo simples, alegre, serviçal, generoso, o seguidor de Cristo entra na esfera da verdade. Conhece a verdade. Não apenas uma verdade da mente, intelectual, repetida sem pensar. Conhece uma verdade experimentada.

Lavando os pés dos outros, esquentando uma sopinha para um doente, emprestando sem exigir juros, os que são de Cristo vão se libertando do ego e da mentira de cada um de nós. A verdade da pessoa de Jesus e a alegria do discipulado libertam... Somente a verdade cristã e evangélica liberta o homem das amarras que a vida prepara.

Fonte: www.franciscanos.org.br

EVANGELHO: João 8,31-42

Então Jesus disse para as autoridades dos judeus que tinham acreditado nele: «Se vocês guardarem a minha palavra, vocês de fato serão meus discípulos; conhecerão a verdade, e a verdade libertará vocês.» Eles disseram: «Nós somos descendentes de Abraão, e nunca fomos escravos de ninguém. Como podes dizer: 'vocês ficarão livres’? «Jesus respondeu: «Eu garanto a vocês: quem comete o pecado, é escravo do pecado. O escravo não fica para sempre na casa, mas o filho fica aí para sempre. Por isso, se o Filho os libertar, vocês realmente ficarão livres. Eu sei que vocês são descendentes de Abraão; no entanto, estão procurando me matar, porque minha palavra não entra na cabeça de vocês. Eu falo das coisas que vi junto do Pai; vocês também devem fazer aquilo que ouvem do pai de vocês.»
As autoridades dos judeus disseram a Jesus: «Nosso pai é Abraão.» Jesus disse: «Se vocês são filhos de Abraão, façam as obras de Abraão. Agora, porém, vocês querem me matar, e o que eu fiz, foi dizer a verdade que ouvi junto de Deus. Isso Abraão nunca fez. Vocês fazem a obra do pai de vocês.» Então eles replicaram: «Não somos filhos ilegítimos; só temos um pai, que é Deus.» Jesus disse: «Se Deus fosse pai de vocês, vocês me amariam, porque eu saí de Deus e venho dele. Não vim pela minha própria vontade, mas foi ele que me enviou.»

23 de mar de 2010

Conversão é um reencontro com Deus

Causa-nos uma sensação de desconforto cada vez que ouvimos falar em penitência, ou mudança de vida. Aprendemos tão bem a lição (legítima), da autoestima, que parece tirar do esquema qualquer alusão a fraquezas nossas, ou pior ainda, a pecados. Trata-se de uma verdadeira crise de compreensão da penitência. Soa estranho aos ouvidos quando Jesus insiste na conversão do coração. Mas toda a crise traz em si a esperança de uma superação, para inaugurar tempos novos.

Precisamos ter clareza sobre o valor das penitências: jejuns, subir escadas de joelhos, flagelar-se, não comer carne, ou até carregar pedra na cabeça... Tudo isso pode ser feito, quando entregamos essa penitência a Cristo, para estarmos unidos a Ele na sua dor. “O sangue de Jesus nos purifica de todo pecado” (1 Jo 1, 7). Não é o nosso esforço que nos justifica. “Eis aquele que tira o pecado do mundo” (Jo 1, 29). A penitência, entendida como virtude, é um esforço permanente do cristão para se manter na santidade, e na perfeição. Também para superar as fragilidades da vida. É um ideal jamais completado nesta vida. Ninguém deve ser cristão para ser penitente. Mas ao contrário, se deve ser penitente para ser bom cristão.

Essa verdadeira ascese deve nos acompanhar na vida. Mas a Santa Igreja nos convida, de maneira mais acentuada, no tempo quaresmal (como também em todas as sextas-feiras do ano). O que se pede é tão pouco, nada impossível de cumprir. A nossa Mãe Igreja nos pede um jejum mitigado, e a abstinência de alguma coisa que muito nos agrada. Isso na sexta-feira santa, como também nas demais sextas-feiras do ano (exceção é o tempo pascal). Essas penitências devem levar à coroa de todo arrependimento: a prática da caridade para com o próximo. Vejam como o Papa Bento XVI sugeriu penitências muito mais pesadas ao povo irlandês, para alcançar o perdão pelos pecados sexuais praticados pelo clero. Tenho certeza de que o povo católico da Irlanda vai aceitar tal purificação. Será um novo começo para uma comunidade mais fiel e mais santa. A Irlanda vai reencontrar o seu caminho de justificação, em Cristo.

Dom Aloísio Roque Oppermann
www.comshalom.org

Fotos do Encontro Vocacional

Fotos do Encontro Vocacional dos zonais I e III da Diocese de Caicó, realizado no domingo passado (21/03), no IMJCF, em nossa cidade.

“PARA ONDE EU VOU, VÓS NÃO PODEIS IR!”

REFLEXÃO DO EVANGELHO

Estamos vivendo os dias da última semana antes da Semana das Semanas, semana em que comemoramos a exaltação de Jesus no alto da cruz e na glória do Pai. Domingo próximo é a festa dos ramos. Aos poucos cresce a dramaticidade do texto de João. Jesus sabe que as circunstâncias levam-no ao desfecho de sua caminhada e ao cumprimento de sua missão. João faz com que Jesus dê aos seus interlocutores a certeza de que ele sente a presença do Pai a seu lado... precisamente neste momento que parece de abaixamento, mas é de elevação.

Há um pequeno lamento. “Eu parto e vós me procurareis, mas morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, não podeis ir”. Na realidade, só poderão estar lá os que fizeram o êxodo com Jesus. Os que podem conviver com o Pai nesse mistério de intimidade não são os que pensam segundo as categorias humanas e os pensamentos de baixo. Jesus é do alto. Os que querem sua morte são de baixo: homens carnais e espirituais, os que se comprazem nas coisas imediatas e os que colocam os olhos nas realidades verdadeiras.

No meio do texto, uma pergunta: “Quem és tu, então?”. O evangelista se apressa em dizer que Jesus é daquele que o enviara. Imaginam-no um livre atirador e nunca puderam compreender que ele era porta-voz do Pai, presença do Pai, que aquele que o enviara estava sempre com ele.


No alto da colina haveriam de erguer a Jesus e prender à cruz o corpo daquele que o Pai enviara, daquele que era um com o Pai. A graça da morte de Deus em Cristo, Jesus permite que alguns possam perceber a verdadeira identidade de Jesus. O Filho atento sempre a fazer o que agrada ao Pai está ali e por detrás dessa total inanição está aquele que é. “Quando levantardes o Filho do Homem, sabereis quem EU SOU! Ali, naquela entrega ao Pai que o acompanhava, começava a ressurreição. Realmente, Cristo, elevado da terra ao céu, morria e nascia, fazia sua páscoa e para sempre olharíamos para a cruz gloriosa elevada acima de todos.

Jesus vai para o madeiro e para a glória. Vai cumprir a vontade plena do Pai: “A salvação sempre veio do madeiro. Com efeito, no tempo de Noé, a vida foi conservada pela arca de madeira. No tempo de Moisés, ao ver o seu bastão, o mar intimidou-se diante daquele que o golpeava. Teve, então, tanto poder o bastão de Moisés e será ineficaz a cruz do Salvador? O madeiro, no tempo de Moisés, abrandou a água. E do lado de Cristo a água correu sobre o madeiro. A água e o sangue constituíram o primeiro dos sinais de Moisés; o mesmo ocorreu no último sinal de Jesus. Primeiro, Moisés mudou o rio em sangue; Jesus, no fim, deixou correr de seu lado água e sangue” (São Cirilo de Jerusalém).

EVANGELHO: João 8,21-30

Jesus continuou dizendo: «Eu vou-me embora e vocês vão me procurar, mas vocês vão morrer no seu pecado. Para onde eu vou, vocês não podem ir.» As autoridades dos judeus comentavam: «Por acaso ele vai se matar? Pois está dizendo: ‘Para onde eu vou, vocês não podem ir’.»
Jesus continuou a falar: «Vocês são daqui de baixo, eu sou lá de cima. Vocês são deste mundo, mas eu não sou deste mundo. É por isso que eu digo que vocês vão morrer nos seus pecados. Se vocês não acreditam que Eu Sou, vocês vão morrer nos seus pecados.» Então as autoridades dos judeus perguntaram: «Quem és tu?» Jesus respondeu: «O que eu estou dizendo desde o começo. Eu poderia dizer muita coisa a respeito de vocês, e condená-los. Mas, aquele que me enviou é verdadeiro, e eu digo ao mundo as coisas que ouvi dele.» Eles não compreenderam que Jesus falava a respeito do Pai.
Jesus continuou dizendo: «Quando vocês levantarem o Filho do Homem, saberão que Eu Sou e que não faço nada por mim mesmo, pois falo apenas aquilo que o Pai me ensinou. Aquele que me enviou está comigo. Ele não me deixou sozinho, porque sempre faço o que agrada a ele.» Enquanto Jesus falava essas coisas, muitos acreditaram nele.

22 de mar de 2010

I Congresso Diocesano da Pastoral Familiar


Foi dado o primeiro passo para implantação da Pastoral Familiar na nossa Paróquia.
Houve no final de semana passado - dias 19, 20 e 21 de março - o I Congresso Diocesano da Pastoral Familiar. A nossa paróquia mandou uma representação de três casais para, a partir deles , serem feitos os estudos de implantação na nossa Pastoral Familiar. Foram eles: Nonato e Carmem, João Maria e Dinha e Kinho e Lucineide.
Que Deus dê sabedoria e direcionamento a estes casais para unirem-se aos demais movimentos e pastorais já existentes e assim engrandecerem os trabalhos voltados às famílias.
Venha fazer parte você também! Lembre-se que na palavra está escrito "Assim também a fé, se não tiver obras, é morta em si mesma." (Tiago, 2:17).
Portanto a caridade é a mais excelsa das virtudes. De nada adianta ter fé ao ponto de transportar montanhas, se não for devidamente acompanhada pelas boas obras e essas obras podem ser desenvolvidas por qualquer um de nós, dentro da pastoral familiar.
(fotos e texto cedidos)

Fotos da Procissão em honra a São José


Fotos da procissão de encerramento da festa de São José, realizada na tarde do dia 19/03. Após a procissão, realizada pelas principais ruas da cidade, houve um momento de adoração ao Santíssimo Sacramento, na Matriz de São José, e, em seguida, o arreamento da bandeira do nosso Padroeiro.

Fotos da Missa Solene da festa de São José

Fotos da missa solene da festa do nosso padroeiro São José, realizada na manhã do dia 19 de março, presidida pelo Vigário Geral da Diocese de Caicó, Pe. Edson, e concelebrada pelos padres João Paulo, Stanley, Henock e Ivanof.

JORNAL KYRIE - Mês de Março/2010

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SECULARIZAÇÃO: o que é?

Construir um mundo sem Deus é construí-lo contra o homem

Secularização significa viver sem Deus, sem religião, porque “século” significa “mundo”. Secularização é um estilo de vida, uma cultura, um jeito de viver, sem fé, sem Deus, sem a dimensão espiritual da vida. Viver no mundo, no século e sem transcendência. A medida de tudo é o próprio homem, a razão humana. A isso chamamos de antropocentrismo. A política, a ciência, a economia expulsaram a religião. Deus, além de inútil, virou um estorvo para o homem secularizado. Ele não passa de uma projeção do homem fraco e doentio. A secularização é a indiferença religiosa. Vive-se como se Deus não existisse. O homem "inventou" Deus e agora O ignora e O descarta. Para ele, o lugar de Deus é o exílio.

A secularização eclipsou a Deus, mas criou ídolos vorazes que devoram tudo. A depredação do meio ambiente é consequência do egoísmo globalizado e sem ética que provocou também a atual crise econômica e financeira. Nossa realidade está construída sobre areia. A soberba da razão, a atrofia espiritual, o culto estéril do individualismo, o vazio do coração, o endeusamento do dinheiro, do sexo e do poder são rostos do “império do mal” e da queda da atual civilização.

Ronda por aí a cultura da morte sob o manto do terrorismo e da violência, e agora, da morte do ser humano eliminado no uso de células-tronco embrionárias, que, na prática, leva à justificação do aborto. Não só se pratica o mal, mas se tenta justificá-lo e transformá-lo em bem e em expressão de progresso.

Secularização hoje é um estilo de vida sem Deus que impõe modelos e critérios consumistas, cujos resultados são: a droga, o fracasso familiar, a erotização da vida, a prática generalizada da corrupção, a banalização da vida do feto e do idoso. A fome não foi exorcizada e aparecem novas pobrezas. Vivemos numa situação de “iniquidade social”.

A própria secularização faz surgir uma “nova religiosidade selvagem”, envolvida com interesses financeiros, exorcismos exploradores, atitudes extravagantes, guerras santas; como dizia Santo Agostinho: “A necessidade é mãe de todas as coisas”. Cresceram as religiões, mas não cresceu o amor a Deus, ao próximo e a transformação do mundo.

O apóstolo Paulo escreve que se vivemos sem Deus, vivemos sem esperança. Estamos no “século do medo”, reféns da depressão e do vazio existencial. Uma vida sem amor e sem sentido é uma prisão. Essa realidade faz explodir a indústria do divertimento, do armamento, dos desejos insaciáveis, das necessidades desnecessárias, da lógica da força.

A secularização acaba deixando no ser humano a saudade de Deus, do amor do Pai, da misericórdia do Filho, do desejo e da fome da verdade e do bem. Render-se ao amor de Deus é o caminho de uma nova cultura, marcada pela teologia da beleza, pela expressão da alegria e pela espiritualidade da esperança: “Convertei-vos e vivereis”. Voltar para Deus equivale a reconstruir a “civilização do amor”. Oxalá, a misericórdia divina, com Sua benevolência, paciência e providência, nos alcance um coração de mãe para termos atitudes filiais com Deus e fraternas com os outros.

A secularização não respeita um dado estrutural do próprio homem que é a religiosidade, o desejo de Deus, a necessidade do sentido, da verdade e do absoluto. Na realidade, o ser humano é mais espiritual que material. É um ser de esperança. Construir um mundo sem Deus é construí-lo contra o homem. O mistério e a fé são fundamentos para a existência. Ajudam a pensar e alargam o alcance da razão. Quando a dimensão religiosa não é resolvida ou foi desrespeitada, a fome de sentido da vida e as perguntas existenciais ficam sem resposta. No lugar da oração, da meditação, da adoração aparecem o vazio, a farra, o álcool, as drogas etc. O homem é um ser religioso. Portanto, é questão de justiça o ensino religioso e a liberdade religiosa. A secularização não constrói o verdadeiro humanismo.
Dom Orlando Brandes
Fonte: CNBB

AQUELE QUE É A LUZ DO MUNDO

REFLEXÃO DO EVANGELHO


Várias são as auto-revelações de Jesus no evangelho de João. Ele é o pão da vida; o caminho, a verdade e a vida; a porta das ovelhas; o bom pastor; a ressurreição e a vida; a videira verdadeira. Proclama-se também como luz do mundo. Ele veio para jogar luminosidade na trajetória da humanidade. Seria como um candelabro aceso para iluminar a todos de todos os tempos. E, ao mesmo tempo, convida os seus a serem luz do mundo e a continuarem sua missão que foi a de arrancar o mundo das trevas. Natal e Páscoa são festas de luz.

Todo o evangelho de João descreve um combate entre as trevas e a luz. Ele, o habitante da luz, veio ao mundo mas as trevas não conseguiram captar tal luminosidade. Luz da luz, luz verdadeira da luz verdadeira nasceu à luz de uma estrela no Oriente e, guiados pela estrela, Magos distantes vieram ao seu encontro. Ele realizava uma profecia desejo do livro de Isaías.

“O povo que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas trevas da morte, uma luz resplandeceu” (...) “Porque nasceu para nós um menino; foi nos dado um filho...” (Isaías 9, 1ss).

O Deus luminosidade do qual Jesus procedia já tinha esclarecido a caminhada do Povo de Israel através da coluna de fogo que guiava a marcha de dia e de noite pelas terras arenosas do deserto.

Jesus tem consciência de que veio para restituir a vista aos cegos, aos que não podiam enxergar, aos que eram privados da luz. Ele cospe no chão, unta com uma lama os olhos dos cegos, estes enxergam e passam a segui-lo. Há toda uma espiritualidade batismal que vem da iluminação. Jesus é o iluminador.

Aos poucos Jesus vai sendo envolvido pelas trevas dos corações que lhes faziam oposição. E o combate só teria seu desfecho no alto da cruz... quando chegasse a hora, quando depois de passar pela morte viesse a ressurreição.

Concretamente, neste texto, Jesus fala bem próximo do templo. O Missal Cotidiano da Paulus observa com justeza: “O lugar e a circunstância em que Jesus fez a revelação tem um significado particular: a luz no templo significava a presença de Deus e lembrava a nuvem luminosa no deserto. Em Jesus, novo templo, habita a plenitude da divindade; ele é a presença luminosa de Deus que nos guia e assiste no novo êxodo para a verdadeira liberdade. O mundo atual, que perdeu o sentido do pecado, não pode reencontrar o caminho se não for iluminado pela luz de Cristo; muitos procuram caminho na noite da dúvida e do desânimo. A única verdadeira luz é Cristo. O dever da Igreja e de todos os cristãos é precisamente não esconder esta luz, mas fazê-la brilhar, na difusão da mensagem cristã e no testemunho da própria vida” (p. 294).

Fonte: www.franciscanos.org.br

EVANGELHO DO DIA - João 8,12-20

Jesus continuou dizendo: «Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas possuirá a luz da vida.» Então os fariseus disseram: «O teu testemunho não vale, porque estás dando testemunho de ti mesmo.» Jesus respondeu: «Embora eu dê testemunho de mim mesmo, o meu testemunho é válido, porque eu sei de onde venho e para onde vou. Vocês julgam como homens, mas eu não julgo ninguém. Mesmo que eu julgue, o meu julgamento é válido, porque não estou sozinho, mas o Pai que me enviou está comigo. Na Lei de vocês está escrito que o testemunho de duas pessoas é válido. Eu dou testemunho de mim mesmo, e o Pai que me enviou dá testemunho de mim.» Então lhe perguntaram: «Onde está o teu Pai?» Jesus respondeu: «Vocês não conhecem nem a mim nem o meu Pai. Se vocês me conhecessem, também conheceriam o meu Pai.»
Jesus falou essas coisas enquanto estava ensinando no Templo, perto da sala do Tesouro. E ninguém o prendeu, porque a hora dele ainda não havia chegado.

21 de mar de 2010

5ª SEMANA DA QUARESMA

"A ti, que escutas a oração,
vem todo mortal por causa do seu pecado.
As nossas culpas pesam sobre nós,
mas tu as perdoas."
(Salmo 64)

O Documento de Aparecida nos abre os olhos para compreendermos a igual dignidade dos homens e das mulheres. Leia e procure entender e praticar o ensinamento dos bispos:

A antropologia cristã ressalta a igual identidade entre homem e mulher em razão de terem sido criados a imagem e semelhança de Deus. O mistério da Trindade nos convida a viver uma comunidade de iguais na diferença. Em uma época marcada pelo machismo, a prática de Jesus foi decisiva para significar a dignidade da mulher e de seu valor indiscutível: falou com elas (cf. J0 4,27), teve singular misericórdia com as pecadoras (cf. Lc 7,36-50; Jo 8,11), curou-as (cf. Mc 5,25-34), reivindicou sua dignidade (cf. Jo 8,1-11), escolheu-as como primeiras testemunhas de sua ressurreição (cf. Mt 28,9-10) e incorporou-as ao grupo de pessoas que lhe eram mais próximas (cf. Lc 8,1-3). A figura de Maria, discípula por excelência entre discípulos, é fundamental na recuperação da identidade da mulher e de seu valor na Igreja. O canto de Magnificat mostra Maria como mulher capaz de se comprometer com sua realidade, de ter uma voz profética diante dela. A relação entre a mulher e o homem é de reciprocidade e de colaboração mútua. Trata-se de harmonizar, complementar e trabalhar somando esforços. A mulher é corresponsável, junto com o homem, pelo presente e pelo futuro de nossa sociedade humana. Lamentamos que inumeráveis mulheres de toda condição não sejam valorizadas em sua dignidade, fiquem com frequência sozinhas e abandonadas, não se reconheçam nelas suficientemente seu abnegado sacrifício e inclusive heróica generosidade no cuidado e educação dos filhos nem na transmissão da fé na família. Muito menos se valoriza nem se promove adequadamente sua indispensável e peculiar participação na construção de uma vida social mais humana e na edificação da Igreja. Ao mesmo tempo, sua urgente dignificação e participação pretende ser distorcida por correntes ideológicas, mascadas pela marca cultural das sociedades de consumo e do espetáculo, que são capazes de submeter as mulheres a novas formas de escravidão. Na América Latina e no Caribe é necessário superar uma mentalidade machista que ignora a novidade do cristianismo, onde se reconhece e proclama a "igual dignidade e responsabilidade da mulher em relação ao homem".


Na última semana da Quaresma, a proposta penitencial é a partilha de bens na Campanha da Fraternidade. No Domingo de Ramos, acontecerá em todas as missas e outras celebrações a Coleta da Solidariedade, que se destina à ação social e caritativa das igrejas e comunidades eclesiais participantes do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (Conic), a quem coube a organização da CF Ecumênica de 2010.


Do Livro "Tenho Sede: Retiro Popular 2010", de Dom Alberto Taveira

MULHER, EU TAMBÉM NÃO TE CONDENO

REFLEXÃO DO EVANGELHO

O último domingo da Quaresma, antes de chegar à Semana Santa, apresenta-nos uma página bem conhecida do evangelho de João: a cilada armada contra Jesus para que ele julgue se a adúltera devia ser ou não apedrejada. Podemos assim olhar um pouco para trás e entender melhor o caminho que a catequese quaresmal deste ano nos ajudou a percorrer. Como é o Deus que Jesus veio nos fazer conhecer melhor? No terceiro domingo entendemos que não é um Deus caprichoso, imprevisível na punição de supostos culpados e de supostos inocentes. Ao contrário, Deus nos foi apresentado como alguém muito paciente, que manda limpar e adubar a figueira incapaz de produzir frutos; tudo na esperança de que algo de melhor aconteça. Com a parábola do pai misericordioso e dos dois irmãos entendemos a misericórdia de Deus, Ele fica feliz em acolher de volta o filho perdido e pede também ao filho maior a graça do perdão. O Deus de Jesus é um Deus paciente, misericordioso e justo, sempre. Porém de um jeito surpreendente, muito maior do que nós pobres homens chegaríamos a pensar.

Assim também aconteceu com a mulher pecadora. De fato foi uma cilada para Jesus, porque lhe foi pedido de confrontar-se com a Lei de Moisés. Lei amparada nada menos que pela autoridade de Deus. Mais uma vez Jesus não somente consegue se sair bem, como deixa claro o ensinamento.

As questões podem ser duas. Uma é: que Deus é este que permite a morte de uma pessoa? A Lei devia ser para a vida e não para a morte. Já nesse sentido Jesus aponta a verdadeira finalidade da Lei quando, repetindo as palavras dos profetas, diz: Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva (cfr. Ez 18,32). Deus, portanto, é o Deus da vida e o seu nome não pode ser usado – nem amparado por uma Lei - para condenar à morte. Talvez nós não tenhamos mais esse problema, visto que, graças a Deus, não apedrejamos mais em praça pública. Contudo de uma forma ou de outra, em nome dos nossos princípios morais, dos quais nos achamos legítimos defensores, nos consideramos autorizados a julgar, condenar e excluir irmãos e irmãs que não entram no esquema dos nossos valores. Depois, talvez, abrimos brechas ou abismos nesses princípios, quando for de nosso interesse. Acontece.

A outra questão – a do pecado – diz respeito a todos nós, e não simplesmente às palavras de Jesus: - Quem é sem pecado jogue a primeira pedra - mas pela própria realidade do pecado. Com efeito, o pecado não é somente a transgressão de uma lei, é muito mais. Não é a simples ou cega obediência a uma lei que torna o homem justo. É a medida do amor que deve orientar as nossas ações, decisões e critérios de vida. O pecado é uma falta de amor, com Deus e com o próximo. O senso do pecado é diferente do senso de culpa. Culpado é aquele que infringe uma lei e, talvez, deva ser punido. Se pagar a pena volta a se sentir limpo. Mas no caso do pecado o importante é reconhecer a falta de amor e, portanto, o pecado só pode ser recompensado com mais amor. Não será a punição a absolver o pecado, mas o perdão. Reconhecendo a bondade de Deus e a sua grandeza e misericórdia em nos amar de novo, o perdão nos coloca, mais uma vez, no caminho de poder amar mais. Nesse sentido, o pecado e o relativo perdão nos permitem conhecer o verdadeiro amor de Deus, que não condena o pecador, mas o perdoa, para que tendo feita a experiência enriquecedora e insubstituível do amor-perdão, saiba ter também misericórdia com os seus irmãos pecadores. - A quem pouco foi perdoado, pouco ama - disse Jesus ao fariseu que o havia hospedado e que o criticava por ter acolhido as lágrimas da prostituta (Lc 7,47).

Nós continuamos a julgar-nos uns aos outros, sempre disputando quem é melhor e quem é pior, transformando-nos todos em juízes, na maioria das vezes em causa própria. Sem contar as vezes que somente enxergamos as falhas dos outros, sem nunca reconhecemos as nossas. Deveríamos admitir as nossas faltas de amor, ou seja, os nossos pecados. Se a todos Deus oferece o perdão e a todos ele amou enviando o seu próprio Filho que, por sua vez, nos amou entregando a sua própria vida, por que continuamos a nos querer condenar? Unamo-nos no bem e na paz. Desarmemos os nossos corações e as nossas mãos. Assim conheceremos melhor a Deus.


Dom Pedro José Conti (site CNBB)

5º DOMINGO DA QUARESMA


EVANGELHO: João 8,1-11

Jesus foi para o monte das Oliveiras. Ao amanhecer, ele voltou ao Templo, e todo o povo ia ao seu encontro. Então Jesus sentou-se e começou a ensinar. Chegaram os doutores da Lei e os fariseus trazendo uma mulher, que tinha sido pega cometendo adultério. Eles colocaram a mulher no meio e disseram a Jesus: «Mestre, essa mulher
foi pega em flagrante cometendo adultério. A Lei de Moisés manda que mulheres desse tipo devem ser apedrejadas. E tu, o que dizes?» Eles diziam isso para pôr Jesus à prova e ter um motivo para acusá-lo. Então Jesus inclinou-se e começou a escrever no chão com o dedo. Os doutores da Lei e os fariseus continuaram insistindo na pergunta. Então Jesus se levantou e disse: «Quem de vocês não tiver pecado, atire nela a primeira pedra.» E, inclinando-se de novo, continuou a escrever no chão. Ouvindo isso, eles foram saindo um a um, começando pelos mais velhos. E Jesus ficou sozinho. Ora, a mulher continuava ali no meio. Jesus então se levantou e perguntou: «Mulher, onde estão os outros? Ninguém condenou você?» Ela respondeu: «Ninguém, Senhor.» Então Jesus disse: «Eu também não a condeno. Pode ir, e não peque mais.»

20 de mar de 2010

Congresso Diocesano da Pastoral Familiar


Está sendo realizado neste final de semana (19, 20 e 21), em Caicó/RN, o I Congresso Diocesano da Pastoral Familiar. A nossa paróquia enviou como representantes para esse congresso os casais Hércules/Lucineide, Nonato/Carmem e João Maria/Dinha.
A Pastoral Familiar de Carnaúba estará sendo implantada este ano, mas já existem vários movimentos trabalhando nesta área, apesar da inexistência da pastoral.
Que o Espírito Santo derrame suas bênçãos sobre os participantes desse congresso, e que os mesmos possam levar para as suas paróquias os frutos colhidos durante esses dias.

ACOLHENDO UMA LUZ QUE NÃO SE ESPERAVA

REFLEXÃO DO EVANGELHO


Ouvindo a fala, as pessoas começaram a dar suas impressões: “Este é verdadeiramente o profeta. Ele é o Messias” E outros: “Porventura o Messias virá da Galiléia?” Não havia unanimidade em torno dele. Havia mesmo quem quisesse prendê-lo. Neste tempo da quaresma estamos assistindo todo o processo montado contra Jesus a partir da dureza dos corações, de maneira especial segundo o relato de João.
A todos nós, discípulos, cabe acolher esse Cristo em nossas vidas. Muitos de nós o encontramos em nossa família, numa comunidade viva que dele vivia, nos sacramentos.
Na medida que vivemos, talvez, tenhamos nos acostumado com uma imagem talvez um tanto estática do Cristo, fixado nas Escrituras. Pode ser que, aos poucos, alguns tenham perdido toda estima por sua adorável figura e, na prática, ele tenha desaparecido do horizonte de suas vidas.
Pode mesmo ter se dado que Cristo passasse a não ser significar mais nada para as pessoas. Por vezes vemos declarações pouco delicadas a seu respeito certamente por parte de pessoas que o conheceram na família e na catequese.
Difícil examinar todos os passos da acolhida e da rejeição de Cristo. Não se trata apenas de um empenho “livresco”, de estudo. Trata-se de acolher uma luz que não se esperava. Pessoas que se organizam interiormente apenas a partir de seus projetos pessoais, de seus interesses e são incapazes de acolher outros mestres, outros horizontes, outras perspectivas de vida. Tais pessoas terão dificuldade em acolher o Cristo.
Muitos, devido a fato, de terem vaga idéia a respeito da realidade de Cristo ressuscitado se dão conta da ingenuidade de sua fé e abandonam.
Outros ainda, tendo tido um contacto com Cristo e com suas exigências se entregaram a ele, mas, com o tempo, com o cansaço foram tendo de Cristo como que uma vaga idéia do passado.Suas exigências aos olhos de muitos, passaram a ser quase insuportáveis.
Estamos chegando aos dias da semana santa. Lá se conclui o processo. Aquele Jesus será rejeitado. E, nós cristãos, exprimiremos nossa fé naquele que se nos apresentou como uma luz que não esperávamos. Muitos hoje jogados na vida, na paz e na guerra, no casamento ou não, com filhos ou sem, sadios ou doentes, podemos nos dar conta, e de fato nos damos, de que uma luz que vem dele nos atinge e nesses momentos começamos a viver.