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14 de jul de 2010

"Divórcio instantâneo" entra em vigor; arcebispo faz críticas

O Congresso Nacional promulgou nessa terça-feira, 13, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que agiliza o processo de divórcio consensual.
Pelo texto, casais que querem se divorciar estarão liberados do cumprimento prévio da separação judicial por mais de um ano ou de comprovada separação de fato por mais de dois anos, como previa a Constituição.
A PEC deve ser publicada nesta quarta-feira no Diário do Congresso Nacional, quando passa a ter validade.
De acordo com o arcebispo da Paraíba, Dom Aldo di Cillo Pagotto, em um artigo publicado em janeiro deste ano, um mês após a aprovação da PEC do divórcio no Senado, "a medida banaliza a união conjugal, facilitando de imediato a sua dissolução. A instituição familiar, já combalida, fragiliza-se ainda mais".
"A PEC suprime o presente artigo e outros parágrafos que eventualmente ofereçam proteção à Família desde a sua fundação até a sua dissolução", enfatiza Dom Aldo e justifica que, "tempestivamente, um cônjuge poderá pedir separação imediata. Se o legislador anuir, despacha-se o pedido numa meia hora".
O arcebispo diz ainda que "questões delicadas sobre a vida conjugal" deveriam ser melhor analisadas. "Separação é profundamente traumatizante. Caso inevitável, antes de consumada, o casal deve ser acompanhado. Isso comporta um processo de discernimento consciente, maduro, responsável", explica.
"A vida familiar se desfaz, de fato, por medidas como estas, destruindo seus valores perenes. A instituição familiar é substituída pelos relacionamentos fortuitos, feitos para não durar. Pessoas são usadas e substituídas como peças descartáveis. Como ficam os filhos? Será que não se sentirão inseguros, obrigados a se virar por aí? Pensão alimentícia ou visitinhas de faz de conta substituem a presença e o calor humano de um pai? Muitos filhos crescem problemáticos. A origem reside na ausência da Família. Pergunte se isso é ou não verdade a um formador numa boa escola. Pergunte o mesmo a um traficante", reflete Dom Aldo.
No artigo, o arcebispo destaca ainda que com essa aprovação os "direitos individualistas se sobrepõem aos direitos e ao bem da vida familiar, ao bem público. O Estado vai deixando de oferecer proteção à vida e à família"
E conclui, afirmando que "casamento, anteriormente garantido por contrato e compromisso vital em relação ao cônjuge e aos filhos, dilui-se em direitos individualistas. Casamento importa em contrato, em obrigações legais. Não é opção por tempo indeterminado! Casamento não é loteria, diversão das quais, depois que me enjoo, chuto o pau da barraca".

Fonte: CN Notícias

O caminho da santidade



Um conto dos padres do deserto diz que certo monge, vendo a morte chegar, pediu aos seus companheiros que lhe trouxessem a chave do céu: queria morrer agarrado a ela.
Um companheiro saiu correndo e lhe trouxe a Bíblia, mas não era isso que o agonizante queria.
Outro teve a idéia de trazer a chave do sacrário, também não deu certo. Foi então que alguém que conhecia melhor o doente foi buscar agulha e linha. Agarrado a esses objetos prosaicos, o irmão passou mais tranqüilo para a vida eterna.
Era o alfaiate da comunidade: sua chave para o céu era a atividade diária, carinhosamente realizada para servir aos seus irmãos.
A historinha nos leva a entender que o trabalho cotidiano do monge foi a sua verdadeira chave para entrar no céu. Com certeza ele também devia ter rezado muito, meditado bastante, talvez jejuado nos dias certos, e cultivado algumas dezenas de outras virtudes.
No entanto ele sabia muito bem que tudo dependia de como ele havia exercido o seu maior serviço na comunidade. O caminho da santidade pode passar por momentos extraordinários, gestos de heroísmo, façanhas memoráveis; porém passa, em primeiro lugar, por aquilo que fazemos bem ou mal no dia a dia.
Todos nós reconhecemos que, em nossa vida, é muito mais pesado o dever cotidiano do que alguns momentos de esforço, difíceis sim, mas passageiros.
É por isso que João Batista, o precursor, deu respostas diferentes para os diversos grupos de pessoas que lhe perguntavam: “O que devemos fazer?”
Todos deviam partilhar o que estava sobrando de suas roupas e de sua comida. A solidariedade com os necessitados e carentes é o primeiro passo para iniciar uma nova vida.
Sem desprendimento não há verdadeira conversão.
Depois o profeta do deserto apontou escolhas diferentes para os cobradores de impostos,
que extorquiam o povo, e para os soldados que deviam aproveitar demasiadamente da sua força e das suas armas.
Significa que cada um deles, naquele tempo, como também nós, hoje, devemos encontrar o nosso próprio caminho de conversão, a partir do lugar onde estamos.
No entanto, nós adoramos apontar onde os outros deveriam mudar e o que deveriam fazer para dar certo.
Mais uma vez é muito mais fácil criticar os outros, ou declarar como nos comportaríamos se estivéssemos no lugar deles, do que começar a corrigir e a melhorar a nossa própria vida. Os exemplos não faltam.
Muitos sabem perfeitamente o que eles fariam se fossem o presidente ou o governador. No entanto poderiam começar a cuidar melhor das suas famílias e dos seus negócios. Mal conseguem administrar os seus lares; o que fariam se tivessem maior responsabilidade? Não muito diferente acontece na Igreja também. Quem nunca quis dar conselhos ao padre, ao bispo e ao papa? Com toda razão, talvez, mas nem sempre quem distribui sentenças aplica os mesmos critérios para si mesmo.
Com isso não quero dizer que não podemos mais falar ou criticar. Ao contrário, a correção fraterna é evangélica e salutar entre amigos e irmãos. Quando, porém, a crítica é estéril, ou é a descarga de mágoas, invejas e frustrações, ela não serve nem para quem a recebe e nem para quem a dispara. De acordo com nossas responsabilidades, cada um de nós tem muito a melhorar, simplesmente procurando cumprir bem o que se supõe seja o seu dever, ou, ao menos, o seu trabalho cotidiano.
Assim os pais poderiam caprichar mais na educação dos seus filhos. Os educadores deveriam ensinar mais humanidade e amor à vida própria e a dos outros.
Quem julga, deveria julgar com justiça. Quem administra, fazê-lo com mais honestidade e
lisura. Quem comunica, buscar a verdade e não o seu próprio interesse.
Quem deve evangelizar também deveria fazê-lo com alegria, entusiasmo e competência, deixando de lado outras preocupações.Todos precisamos nos agarrar mesmo às agulhas e às linhas de nossas vidas. Fazer bem o que está ao nosso alcance, no dia a dia, sempre será a melhor chave para entrar no Reino do Céu. Se isso ainda nos interessa.

Fonte: comunidade Shalom