Os textos e fotografias produzidos pela equipe da PASCOM da Paróquia São José – C. dos Dantas podem ser livremente utilizados, mencionando-se o blog http://www.montedogalo2009.blogspot.com/ como fonte

30 de dez de 2009

Campanha do Natal Solidário 2009





A Campanha do Natal Solidário em nossa paróquia encerrou ontem (29/12), com uma missa celebrada pelo Padre João Paulo, às 19 horas, na Matriz de São José, seguindo-se da entrega às famílias previamente cadastadas de uma cesta básica. Foram distribuídas cerca de 300 cestas básicas, levando, assim, alegria a muitos lares carnaubenses nesse final de ano. A seleção das famílias beneficiadas foi feita priorizando aquelas pessoas que ainda não tinham recebido cesta de outras entidades do nosso município.
Nossos profundos agradecimentos e nossas orações a todos que nos ajudaram, desde a equipe organizadora até os que contribuíram. Que no ano que se aproxima possamos ter cada vez mais um coração agradecido por tudo que temos, solidário para com o próximo, e transbordante de amor para com todos que se achegam a nós.

Fim de ano - tudo tem seu tempo e ocasião

“Tudo tem seu tempo e ocasião”, diz o Eclesiastes. “Para cada coisa”, dirá outra tradução, “há um tempo debaixo do sol.” O autor continua a repetir as palavras, sem a menor pressa, criando, em sua narrativa, um ritmo que, por si só, expressa o que ele quer dizer: tudo tem seu tempo, tudo tem seu ritmo.
“Tempo de nascer, tempo de morrer;
tempo de plantar, tempo de colher;
tempo de derrubar, tempo de construir;
tempo de chorar, tempo de rir;
tempo de fazer luto, tempo de bailar;
tempo de abraçar, tempo de separar-se;
tempo de procurar, tempo de perder;
tempo de calar, tempo de falar;
tempo de amar, tempo de odiar;
tempo de guerra, tempo de paz”.
Como não rezar com esta passagem a cada final de ano? Como vivi os tempos que o Senhor providenciou? Como acertei o meu passo ao sábio compasso que marca o ritmo da vida, de tudo o que existe debaixo do sol, inclusive eu? Quem nasceu? Quem morreu? Em que nasci? Em que morri? O que plantei? O que colhi? O que derrubei? O que construí? Como chorei? Como ri? Como vivi o luto e a dança? A quem acolhi? De quem parti? A quem deixei partir?
Como falei? Como calei? O que calei? Para que calei? O que falei? Como falei? Para que falei?
Odiei? Fiz guerra? Perdi, então, todo o meu ritmo, todo o meu tempo. Gastei inutilmente os tempos que o Senhor providenciou. Atravessei o compasso que marca o ritmo da vida, inclusive da minha. Matei e morri. Plantei, mas não colhi. Destruí. Se ri, foi pantomima. Se chorei, foi de desgosto. Se dancei, foi grotesco. Se acolhi, só foi a mim mesma. A tudo e a todos enxotei. Minhas palavras destruíram, meu silêncio foi omissão, falsa proteção a mim mesma. Odiei.
Amei? Então construí e promovi a paz, encontrei, então, o sábio ritmo da vida, o tempo interior só conhecido de quem ama. Aproveitei bem os tempos que me deu a Providência. Dancei, feliz e equilibrada, conduzida por meu divino par, ora valsas, ora noturnos, ora barcarolas, ora polcas e mazurcas, ao compasso que marca o ritmo da vida, de toda vida, da minha vida, da sua vida. Dancei, com toda a criação, com Deus e com os irmãos. Deixei-me conduzir pelo hábil Cavalheiro. Nasci e dei à luz. Plantei e colhi. Derrubei feiura, colhi beleza, bem, verdade. Ri, feliz ao acolher, nas dobras da renúncia do amor, meu irmão, a vida, as circunstâncias. Rodopiei, confiante e tranquila, a guardar segredos de amor em meu coração. Amei.
Ora amei, ora odiei? Natural. Sou pecadora. Sou imperfeita. Sou humana. Simplesmente vivi. Colhi os frutos do meu ódio e do meu amor.
Uma coisa sei que, com a mais absoluta certeza, tive, eu, assim como você: o amor do Pai em toda circunstância. A salvação do Filho todos os dias do nosso ano. A ação santificadora do Espírito, disponível em toda ocasião. Criador e criatura dançamos juntos, tal pai e filha na festa dos quinze anos, tal casal de noivos nas bodas, envolvidos, sempre, por muitos outros pares, milhares, milhões, bilhões de outros pares.
Chegamos ao fim de mais um ano em nossa bela sonata da vida. É preciso dar o comando de replay e assisti-la outra vez, serenamente, ouvindo detalhes perdidos na correria, na emoção dos acontecimentos: stacatos sutis, ligaduras ressonantes, fermatas desconcertantes.
Começa uma nova página. Quantos compassos teremos? Que temas se repetirão? Que novos tons serão adotados? Que novas frases musicais serão relidas, recriadas? Que outros instrumentos entrarão? Que interpretação escolheremos dar? Que passos criaremos? Como faremos a leitura, compasso a compasso?
Deus sabe! E é nisso que reside nossa tranquilidade, nossa confiança. Não conhecemos o que virá, mas pelos temas, frases, harmonias e compassos, pelo ritmo e pelo tom já tocados, sabemos que, tocada a quatro mãos, nossa composição será bela. O ritmo, por vezes sincopado, combinará com soluços. O compasso em sua batida convencional, evocará a rotina, que também revela beleza. As notas que voam, oração. As que ficam na memória, contemplação. As que marcam a base, convicção. As que desenham a melodia, inventividade.
Deus sabe! Deus sabe! Deus sabe! Que a proposta de uma vida alucinada não nos seduza. Que o ritmo da evangelização, do amor, este, sim, seja alucinado, sem medida: Jesus tem sede, tem pressa. O ritmo interior, porém, este seja aquele secreto, confiante, sábio, paciente ritmo interior de Maria: “Deus sabe! Deus sabe! Deus sabe! Tudo passa! Deus fica! Deus sabe! Para tudo há um tempo debaixo do sol. Não temo! Deus sabe! Deus sabe! Deus sabe!”
Neste ano, conceda-nos Deus dançarmos tranquilos, ao ritmo interior do mistério da vida.
Maria Emmir Nogueira, Com. Shalom

REFLEXÃO DO DIA - Quarta-Feira (30/12)

Havia também uma profetisa chamada Ana, de idade muito avançada. Ela era filha de Fanuel, da tribo de Aser. Tinha-se casado bem jovem, e vivera sete anos com o marido. Depois ficou viúva, e viveu assim até os oitenta e quatro anos. Nunca deixava o Templo, servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações. Ela chegou nesse instante, louvava a Deus, e falava do menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém. Quando acabaram de cumprir todas as coisas, conforme a Lei do Senhor, voltaram para Nazaré, sua cidade, que ficava na Galiléia. O menino crescia e ficava forte, cheio de sabedoria. E a graça de Deus estava com ele. (Lc 2, 36-40)
Respiramos ainda o clima do Natal. Por ocasião da visita que Maria e José fizeram ao Templo encontraram lá Simeão, o ancião dos olhos do infinito e também Ana, profetisa, filha de Fanuel, viúva já idosa e que ali vivia. E ela falava do Menino a todos os que esperavam a libertação de Jerusalém, segundo as informações de Lucas. Nesse clima ainda natalino transcrevemos uma página admirável de um diálogo de Maria com seu filho de autoria de Marie Noel, poetisa francesa do século passado:

Meu Deus que agora dormes, tão frágil em meus braços,
meu menino tão quentinho junto de meu coração que bate.
Adoro-te em minhas mãos, e admirada embalo
a maravilha, ó Deus, que fizeste em mim.
Não poderia eu, ó meu Deus, ter um filho,
virgem que sou em tão humilde estado.
Que florida alegria poderia em mim nascer?
Tu, Deus onipotente, este júbilo me deste....
Que poderia eu retribuir a ti,
já que sobre mim descera tua graça?
Sorrio baixinho, meu Deus
porque eu também, pequenina e limitada,
tinha uma graça e essa graça te dei.
Ó meu Deus, tu não tinhas boca
para poder falar às pessoas de nossa terra.
Tua boca molhada de leite, voltada para o meu seio,
meu filho, esta boca fui eu que te dei!
Mãos, ó meu Deus, não terias
para com teus dedos tocar os doentes,
curar os pobres e cansados corpos de tantos...
Tua mão, botão ainda fechado, róseo e ainda tímido,
Ó meu filho, fui eu quem te dei...
Ó meu Deus, não conhecias a morte para poder salvar o mundo.
Aquela dor, naquele dia, na hora de tua morte de homem,
naquela tarde escura, tu na cruz abandonado e morrendo,
fui eu que te dei a possibilidade de morrer!