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21 de jan de 2010

Minha Despedida ao Amigo Padre Léo (Celina Borges)



O texto a seguir foi escrito pela cantora católica Celina Borges, 4 dias após o falecimento de Padre Léo.



Bem amigos, gostaria de partilhar com vocês o maravilhoso “retiro” que fizemos neste último fim de semana. Entenda bem, com todo respeito peço licença a minha querida Dona Nazaré para assim falar de um momento tão difícil, porém tão abençoado e maravilhoso que foi o presente de poder estar no velório, missas e enterro do meu querido Padre Léo.
É meus irmãos... Muita dor misturada com profunda alegria do céu e certeza de salvação... Ainda não sei definir bem tudo o que vivi e presenciei, mas posso tentar no intuito de mais uma vez edificá-lo caro amigo e de fazê-lo pensar melhor em sua vida como eu estou fazendo agora. Nunca pensei que a morte de uma pessoa pudesse me trazer tanta vontade de trabalhar e viver mais e melhor para Deus e para minha Igreja.
Quando recebi a noticia da morte do Padre Léo, levantei me do quarto e rezando me lembrei da passagem dos 10 leprosos que foram curados mas apenas um voltou para agradecer ao Senhor! Tentei entender o que significaria aquela parábola para mim relativo a este momento e então percebi com clareza que depois de tanta graça recebida eu no mínimo deveria estar ali com ele numa última despedida de gratidão profunda... Mesmo que fosse de longe ou que me custasse muito dirigir durante a noite cansada como estava. Não importava onde eu ficaria, como eu chegaria, se me chamaram para ir ou não, se me deixariam chegar perto dele... Eu queria ir mais do que tudo. Queria gritar te amo, muito obrigada, me ajuda a continuar, me ensina mais, me fala de Deus com aquela propriedade única no Brasil e no mundo.
Enfim meus gritos silenciosos eram muitos e a cada quilômetro chorava e agradecia a Deus e ao meu querido Léo toda a minha cura, todo seu cuidado comigo, (afinal Ele tinha um cuidado especial com os piores) todos os dias e momentos que passei perto deste Gigante... Chorei, sorri uma dezena de vezes, até que chegando em Cachoeira Paulista e participando da primeira missa de corpo presente comecei a presenciar fatos, pessoas, crianças, palavras, soluços e olhares que me levaram a refletir e fazer meu especial retiro particular.
Como Ele era amado, como as pessoas afluíam querendo tocá-lo, multidão de corações gratos e especialmente construídos por este carisma único e espetacularmente alegre e corajoso desejando beijá-lo, uma última vez. Ahh que cena dolorosa e maravilhosa.Pense como Ele estaria vendo aquilo no céu... Como estaria feliz vendo o povo simples se sacrificando para despedir de seu corpinho. Tive vontade de abraçá-lo e só pude dizer ao chegar perto do esquife: Obrigada amigo... Obrigada querido... Deus te recompense Pastor...
Agradeci em lágrimas profundas aqueles dias em Bethânia, o maior retiro da minha vida. Pensei com pesar nos que amo e que não teriam mais oportunidade de conhecer Bethânia com a presença do P.Léo. Quando me levaram para o lado do Eugênio, Ricardo Sá, Nelsinho, Eliana, Salete, Padre Cleidimar e outros, não precisávamos falar nada. A dor e a aceitação da vontade de Nosso Deus estavam estampadas em nossos olhares e em nossos rostos. Só pude abraçá-los longamente e sorrindo trocamos afetos nas mãos dizendo saudade...Beijei as mãos do Eugênio pois seu silêncio doloroso me cortava o peito e não sabia como consolar seu coração de amigo de perto do Léo, e de tantas pregações. Nelsinho me olhava e sorria sereno com aquele Dom profundo de misericórdia estampado no olhar e no sorriso único. Vez em quando olhei para o rosto do Padre Jonas... Como ele se sentiria agora? Quem mais poderia ter sido tão amigo? Quem mais teria partilhado sobre Deus e seus segredos em muitas madrugadas!!! Sereno o Padre Jonas orava... Sua imensa dor era transmudada em oração constante e vez ou outra uma lágrima caía de seu rostinho vermelho mais firme. Mais tarde vim a saber o que o próprio Padre Léo teria falado com o Padre Jonas antes de entrar em coma...
Não consigo narrar aqui, de tão doloroso mas verdadeiro.Contemplei muitas vezes todo o rincão... A cada olhar eu me lembrava de uma frase do Léo, de uma piada simples, mineirona mas tão edificante! Bispos, autoridades, dezenas de Padres, amigos chegavam de todas as partes. Realmente senti novamente um pesar muito grande por não ver Roseane, Flávio, Leandro, Meirinha, Anne, Alessandra, Martini, Cláudio... Ali comigo registrando aquilo tudo.Pessoas que o Padre Léo amou demais, tocou demais, transformou demais!! Quando a gente ama a gente quer o melhor para os nossos.Cada coisa que falavam dele me edificava mais ainda. Quando Dona Nazaré (a mãe do P. Léo) me disse que ele simplesmente me amava muito me senti plena como filha espiritual que sempre fui e seguidora de seus ensinamentos. Abracei a cada um de Bethânia, eles, os filhos reais da vocação, aqueles que conviviam com ele, andavam com ele, dormiam e acordavam...
Enfim foi uma lição de Fé e de certeza de salvação. O Abraço do PC, ministro de musica do P. Léo, o sorriso e acolhida do Betão e da Cris que literalmente carregaram o Padre Léo no colo durante todo o ano de martírio. Quanta vida, quanta força, quanta coragem!!! Seguindo para Itajubá, onde o corpo seria novamente velado e enterrado mais tarde, aí sim que presente para mim!! Pude ficar ali bem no chão graças a Deus, bem como eu gostava de assistir o Léo falar em Bethânia... Sentada aos pés dele, nosso mestre e imitador de Jesus. Me senti novamente Maria (a irmã de Marta) sentada ouvindo as palavras de Jesus. Dona Nazaré vez ou outra mandava beijinhos discretos para a direção do caixão dizendo entre os lábios: Meu filho... Meu filho... Eu vi Nossa Senhora nela... Sei que elas estavam juntas nessa hora.
Que missa maravilhosa, que homilia... Não há tempo para te narrar... Acho que fiquei meio atordoada quando Dom Vagner, amicíssimo do P. Léo, disse: “A questão não é como se morre, quando se morre ou do que se morre, mas sim como se VIVE!”Padre Léo tinha apenas 45 anos, tão novo... Doença tão cruel ... Só Deus pode nos dizer um dia Seus mistérios.
Pensei em fazer música na hora! Que frase e que verdade! Quero viver bem. Quero dar um sentido a minha vida. E vc pode estar dizendo: “Mas Celina, você já não tem um sentido verdadeiro de vida?” Claro, mas preciso rever minhas decisões e escolhas. Dar um sentido de essência a minha missão. Não quero ficar jamais no comodismo ou glamour de palcos. Não desperdiçarei o sacrifício e martírio do meu amigo Padre Léo. A Sua morte me trouxe uma nova ação... Um novo desejo de luta... De levar o evangelho as verdadeiras Nações. Em meio a muitos aplausos do povo enquanto ele era enterrado rezei muito pelo Brasil, por você, por toda nossa Igreja, para que Deus suscite um Novo “ João Batista”, que anuncie os caminhos do Senhor a todos! Eu quero ser... Envia-me Senhor!!! Só pude então compor uma música! Cantei e rezei duas madrugadas!
E Você... Como está vivendo? Não desperdice também o sacrifício deste homem maravilhoso, simples, ousado e apaixonado pela vida. Se ele te conhecesse daria sua vida por você... Ele já te amou sem te conhecer, vamos rezar por Bethânia, pela família do Padre Léo e seguir em frente sem desistir!
Celina Borges, melhor hoje porque conheci um gigante contra o mal... Padre Léo descanse em paz amigo e muito, muito, muito obrigada... Obrigada... Te amo... Sou a menina dos olhos de Deus, menina do céu como você me ensinou! Sua Benção...
Celina Borges - 08.01.2007

Comentário ao filme Karol



Karol, este fascinante filme, é baseado no livro Storia di Karol, do vaticanista Gianfranco Svidercoschi. Se trata de uma grande produção em dois episódios: o homem que se tornou papa (2005) e o papa que permaneceu homem (2006) é dirigido por Giacomo Battiato, de Gênero: Drama/Documentário com classificação etária de 16 anos.
O papa João Paulo II foi representado por Piotr Adamczyk, que na época tinha 32 anos, um dos mais populares atores poloneses da atualidade. A produção é italiana, e conta com atores também da Polônia, americanos e um alemão. No Elenco se destacam: Piotr Adamczyk ( Karol Wojtyla), Malgosia Bela (Hania), Raoul Bova (Tomasz Zaleski), Kaja Bien, Szymon Bobrowski…
Este importante filme tem um valor histórico inestimável: Karol viveu em um país espremido entre potências militares, a União Soviética de um lado e a Alemanha do outro. Ele conheceu os horrores da violência, quando a Polônia foi ocupada pela Alemanha nazista e também quando o comunismo foi implantado no seu país após a Segunda Guerra Mundial. Ele mudou o curso da história, sendo um dos pivôs do colapso do comunismo, sobretudo na Polônia. Assim, o filme deixa a contribuição para reflexão de importantes temas como: lutas sociais; o sofrimento humano e a fé; sistemas políticos e a a liberdade religiosa.

O papa Bento XVI no seu discurso após ter assistido disse: “A sucessão das imagens mostrou-nos um papa imerso no contacto com Deus e precisamente por isto, sempre sensível às expectativas dos homens”; e referente à violência da época disse: “Não pode deixar de despertar em cada pessoa o compromisso de fazer tudo o que puder para que nunca mais se venham a repetir as vicissitudes de uma barbárie tão desumana”.

É belo ver como todas as cenas são apresentadas com capacidade de prender a atenção do espectador com entretenimento e reflexão. Deixo aqui minha indicação para os grupos de catequese, cinema paroquial e para as famílias; nele história, fé e arte são de uma junção imcomparável. Só assistindo pra ver.
Pe. Geraldinho, Canção Nova

TODOS ANDAVAM ATRÁS DELE

REFLEXÃO DO EVANGELHO - Marcos 3,7-12
Na verdade Jesus, segundo os relatos dos evangelhos, era procurado por muita gente. Não tinha mais sossego nem tranquilidade. As poucas indicações do texto de Marcos proclamado na liturgia de hoje dizem-no com toda clareza: muita gente da Galiléia o seguia, também de Jerusalém, da Iduméia, de Tiro, Sidônia... toda essa gente tinha ouvido falar daquilo que Jesus fazia... Tudo leva a crer que corriam atrás de Jesus por causa dos milagres que iam resolvendo problemas pessoais desses que andavam atrás dele... Diz-se claramente: “Jesus tinha curado muitas pessoas, e todos os que sofriam de algum mal, jogavam-se sobre ele para tocá-lo”.
Jesus é aquele que se faz próximo da doença e da miséria das pessoas. Muitos acreditavam que dele saía um poder curativo. Esse gesto de curar exprime amor, atenção, caridade. Jesus fica condoído com a dor do pequeno que o procura, Emociona-se sobretudo com a confiança dessa gente tão infeliz. Os que são de Cristo continuam operando os “milagres” de Cristo quando inventam condições novas para que os mais doentes tenham uma roupa limpa, cuidados necessários, médicos dedicados e corações atenciosos à sua volta. Os cristãos operam os mesmos milagres de Cristo através do exercício da caridade verdadeira. Nós, discípulos de Jesus, somos reveladores da bondade do Pai. Traduzimos o amor de Jesus pelo amor que damos aos outros.
O texto de Marcos deixa transparecer uma pontinha de irritação da parte de Jesus com tanta gente... Jesus pede que os discípulos providenciem uma barca porque a multidão o comprimia.
Não dá para viver dias e dias no meio de tanta gente, sufocado de todos os lados. Todos que tentamos viver intensamente nossa vida humana, familiar e cristã no meio do mundo sentimos saudade do deserto, do silêncio, daqueles momentos em que podemos descansar perto do Senhor. Não podemos perder a qualidade de nosso relacionamento com Deus num ativismo louco. Francisco de Assis pedia que seus frades trabalhassem, estivessem no meio das pessoas, mas nunca perdessem o espírito da oração e da santa devoção. Não podemos nos deixar sufocar pelas pessoas e acontecimentos....
Ainda no texto de Marcos encontramos uma outra observação de Jesus. Os espírito maus caem aos seus pés e declaram-no Filho de Deus. “Mas Jesus ordenava severamente que não dissessem quem ele era”. Sabemos que Marcos escreve seu evangelho adotando a tática do segredo messiânico. O Evangelho mostra as pessoas gradativamente descobrindo a identidade de Cristo que, na realidade, será proclamada de maneira solene pelo soldado romano ao pé da cruz: “Verdadeiramente, este homem era Filho de Deus” (Mc 15,39). Jesus não quer que “espíritos” maus declarassem sua mais profunda identidade naquele momento.
Nós, ao longo de nossa vida, vamos descobrindo quem ele é. Quem dera que, no final de nossos dias, tenhamos a possibilidade de dizer com toda verdade a Cristo: “Tu és o Filho de Deus”.

EVANGELHO DO DIA - Marcos 3,7-12

Jesus se retirou para a beira do mar, junto com seus discípulos. Muita gente da Galiléia o seguia. E também muita gente da Judéia, de Jerusalém, da Iduméia, do outro lado do Jordão, dos territórios de Tiro e da Sidônia, foi até Jesus, porque tinha ouvido falar de tudo o que ele fazia. Então Jesus pediu aos discípulos que arrumassem uma barca, para ele não ficar espremido no meio da multidão. Com efeito, Jesus tinha curado muitas pessoas, e todos os que sofriam de algum mal se jogavam sobre ele para tocá-lo. Vendo Jesus, os espíritos maus caíam a seus pés gritando: «Tu és o Filho de Deus!» Mas Jesus ordenava severamente para não dizerem quem ele era.