Os textos e fotografias produzidos pela equipe da PASCOM da Paróquia São José – C. dos Dantas podem ser livremente utilizados, mencionando-se o blog http://www.montedogalo2009.blogspot.com/ como fonte

28 de fev de 2010

Dados biográficos do Bispo Dom José Adelino Dantas

Neste ano em que comemoramos o centenário do Bispo Dom José Adelino Dantas, estaremos postando neste blog algumas matérias sobre o nosso DOM, e, inicialmente, transcreveremos os dados biográficos, retirados do Livro "Dom JOSÉ ADELINO DANTAS - 2º Bispo de Caicó-RN (Separata do Livro Carnaúba dos Dantas Terra da Música, de Donatilla Dantas)". A coleta de dados foi feita pelo Jornalista Luiz Gonzaga Meira Bezerra, e aqui está transcrita fielmente.



DADOS BIOGRÁFICOS DO BISPO DOM JOSÉ ADELINO DANTAS (Parte 1)

No antigo lugar denominado “Saco de Luiza”, atual cidade de São Vicente, no Seridó, nasceu JOSÉ ADELINO DANTAS, no dia 17 de março de 1910. Filho de Antonio Adelino Dantas e Jovelina de Oliveira Dantas, ambos falecidos. Matriculou-se no Seminário de São Pedro, em Natal, a 5 de fevereiro de 1925, trazido para o Seminário pelo Senhor Bispo Dom José Pereira Alves, terceiro Bispo de Natal. No ano seguinte, 1926, tendo-se fechado o Seminário de Natal todos os alunos foram cursar o Seminário da Paraíba e no meio dos alunos, estava o seminarista JOSÉ ADELINO. Reaberto o Seminário de Natal em 1927, todos voltaram da Paraíba. Findo os estudos em Natal, o Senhor Bispo Dom Marcolino Dantas, conferiu a Tonsura Clerical a JOSÉ ADELINO, na Catedral a 19 de julho de 1931. As ordens menores do Ostiario e Leitor, a 11 de junho de 1933, na Capela do Seminário; as outras duas ordens menores – de Exorcista e Acólito, na Capela Episcopal, a 18 de fevereiro de 1934. Ainda no ano de 1934, foram-lhe conferidas as ordens: do Subdiaconato, a 28 de outubro e a ordem do Diaconato, a 1º de novembro, ambas na Capela do Seminário de São Pedro.
O Presbiterato, ou Ordenação Sacerdotal, teve lugar a 18 de novembro, ainda no ano de 1934, na Capela Santuário do Tirol, de Nossa Senhora das Graças – SantaTerezinha (atual Matriz do Tirol). Foi companheiro de ordenação, em todas as Ordens – o Cônego Jorge D’Grandy de Paiva, residente no Rio.
O Padre JOSÉ ADELINO DANTAS, celebrou a sua primeira missa com solenidade, a 21 de novembro, na Capela de São José, de Carnaúba dos Dantas, então Vila do Acari, atual cidade – município. A segunda missa solene foi na Capela de São Vicente, sua terra natal; e a terceira missa solene, foi na Capela de São Paulo do Potengi, atual paróquia. Na data de sua ordenação sacerdotal, o Padre JOSÉ ADELINO, residia com sua família, em São Paulo do Potengi.
A sua primeira nomeação, foi ainda em 1934, a 28 de novembro para vigário, em Santo Antonio do Salto da Onça, tomando posse do cargo a 8 de dezembro, dia da festa da padroeira local.
A 19 de março de 1935, foi transferido para Natal, sendo investido no cargo de Reitor do Seminário de São Pedro, como sucessor de Mons. Walfredo Gurgel. Sua posse na Reitoria di Seminário a 25 do mesmo, 1935, março.
A 20 de janeiro de 1941, foi agraciado com o título de “Cônego”, honorário do Cabido da Catedral de Belém do Pará, título conferido pelo Arcebispo Dom Antonio de Almeida Lustosa, a pedido de Dom Marcolino.
Em junho de 1951, recebeu o título honorário de “Monsenhor”, camareiro do Santo Padre Pio XII. Vaga a Diocese de Caicó, foi em junho de 1952, Mons. JOSÉ ADELINO, nomeado pelo Papa Pio XII, Bispo Diocesano da Diocese referida acima, como sucessor do Bispo Dom José Delgado, transferido para o Maranhão. A sua Sagração ou Ordenação Episcopal foi a 14 de setembro de 1952, em frente a Catedral de N. S. da Apresentação. Foi sagrante o Arcebispo de Natal, Dom Marcolino Dantas e consagrantes os Bispos Dom Aureliano Matos, Diocesano de Limoeiro, no Ceará, e Dom Eliseu Mendes, na época, Bispo Auxiliar de Fortaleza. A sua posse na Diocese Seridoense foi a 20 do mesmo mês e ano.
Em 1957, foi transferido para a Diocese de Garanhuns em Pernambuco. Vaga pela morte do Bispo Dom Francisco Expedito Lopes. Foi DOM JOSÉ ADELINO, o 5º Bispo de Garanhuns.
Em 1967, foi novamente transferido da Diocese de Garanhuns, para a de Rui Barbosa, na Bahia. Em 1975, por motivo de saúde o Santo Padre Paulo VI, concedeu a DOM JOSÉ ADELINO DANTAS, a renúncia do governo episcopal da diocese baiana, de Rui Barbosa; livre do governo diocesano, veio para o Rio Grande do Norte, localizando-se na cidade de Carnaúba dos Dantas, onde fez residência e prestando ajuda ao vigário do Acari, em cuja jurisdição pertence Carnaúba dos Dantas e circunscrita na Diocese de Caicó. (...)


Comissão de Comunicação do Centenário de Nascimento de Dom José Adelino Dantas

JESUS TRANSFIGURADO: PERSPECTIVA DA VITÓRIA

REFLEXÃO DA LITURGIA


Já chegamos à segunda etapa de nossa subida à festa pascal. A 1a leitura nos apresenta a fé com a qual Abraão recebe a promessa de Deus e assim é considerado justo por Deus. Mas o tema que retém nossa atenção está no evangelho de hoje: a visão da fé que descobre o brilho divino no rosto de Jesus.
No evangelho, Lucas nos conta como Jesus foi orar no monte, levando consigo Pedro,
Tiago e João, e de repente ficou transfigurado diante dos seus olhos.
Apareceu-lhes envolto de glória, acompanhado por Moisés (a Lei) e Elias (os Profetas). Falavam com ele sobre seu "êxodo" em Jerusalém, onde iria enfrentar a condenação e a morte. No momento em que despontava o conflito mortal, Deus mostrou aos discípulos a face invisível de Jesus, seu aspecto glorioso.
Na 2a leitura, Paulo anuncia que Cristo nos há de transfigurar conforme a sua existência gloriosa. Todos nós somos chamados a sermos filhos de Deus. Nosso destino verdadeiro é a glória que Deus nos quer dar. Ora, para chegar lá, devemos - como Jesus - iniciar nosso "êxodo", nossa caminhada da fé e do amor fraterno, comprometido com a prática da transformação. Isso nos pode levar a galgar o Calvário, como aconteceu a Jesus. O caminho é árduo, e as nossas forças parecem insuficientes. Às vezes parece que não existe perspectiva de mudança. Uma sociedade mais justa e mais fraterna parece sempre mais inalcançável. Mas assim como os discípulos de Jesus, pela sua transfiguração no monte, puderam entrever a glória no fim da caminhada, assim sabemos nós que a caminhada da cruz é a caminhada da glória.
Antes de ser desfigurado no Gólgota, o verdadeiro rosto de Cristo foi transfigurado.
Revelou, no monte Tabor, seu brilho divino. Para a fé, os rostos dos nossos irmãos latino-americanos, explorados e pisoteados, brilham como rostos de filhos de Deus. Apesar da desfiguração produzida pela miséria, desigualdade, exclusão, o brilho divino está aí.
Se nós precisamos realizar uma mudança política, econômica e cultural, a mudança radical é a que Deus opera quando torna filho seu aquele que nem figura humana tem. A consciência disto é que nos vai tornar mais irmãos e, daí, mais empenhados em criar uma sociedade digna da glória de Deus que habita em nossos irmãos excluídos. Na Campanha da Fraternidade descobriremos isso. Contemplando a glória de Cristo no rosto do irmão procuraremos caminhos para pôr fim à deformação que nossa sociedade imprimiu a esse rosto, não apenas pela opressão, como também por uma cultura da ilusão e da irresponsabilidade. Por isso, enfrentamos esta caminhada de modo bem concreto, assumindo o sofrimento dos nossos irmãos pisados e oprimidos, participando das lutas materiais, políticas, culturais, e comprovando assim a seriedade de nosso amor fraterno.


Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

2º DOMINGO DA QUARESMA


EVANGELHO: Lucas 9, 28-36


Jesus tomou consigo Pedro, João e Tiago, e subiu à montanha para rezar. Enquanto rezava, seu rosto mudou de aparência e sua roupa ficou muito branca e brilhante. Nisso, dois homens estavam conversando com Jesus: eram Moisés e Elias. Apareceram na glória, e conversavam sobre o êxodo de Jesus, que iria acontecer em Jerusalém. Pedro e os companheiros dormiam profundamente. Quando acordaram, viram a glória de Jesus, e os dois homens que estavam com ele. E quando esses homens já iam se afastando, Pedro disse a Jesus: «Mestre, é bom ficarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.» Pedro não sabia o que estava dizendo. Quando ainda estava falando, desceu uma nuvem, e os encobriu com sua sombra. Os discípulos ficaram com medo quando entraram na nuvem. Mas, da nuvem saiu uma voz que dizia: «Este é o meu Filho, o Escolhido. Escutem o que ele diz!» Quando a voz falou, Jesus estava sozinho. Os discípulos ficaram calados, e nesses dias não contaram a ninguém nada do que tinham visto.

27 de fev de 2010

UM AMOR SEM EXCLUSÕES

REFLEXÃO DO EVANGELHO

O que conta é o amor. Nada mais do que amor. O Sermão da Montanha de Mateus insiste. Não basta apenas evitar o mal, mas amar, praticar o bem de todos os meios e modos, porque somos amados por um Deus que faz chover sobre justos e injustos, santos e pecadores. Somos convidados sermos perfeitos como perfeito é o Pai.
Amar é querer que outro viva, progrida, chegue àquilo para o qual foi chamado. Amar é querer bem como Deus quer bem. A plenitude da vida de um ser humano e, de modo particular de um cristão, é amar.
Amar é colocar o outro em primeiro lugar. É visar os interesses desses outros, mesmo que os meus interesses fiquem em segundo lugar.
Esses outros que estão à minha volta, e mesmo longe, são amados pelo Pai: há o terrorista que destrói prédios e milhares de vidas, há o cunhado que semeou a divisão em nossa família, há o filho que rouba o que temos para pagar sua conta com os traficantes do Morro do Doca.
Todos esses constituem um sonho dourado de Deus e por isso, mesmo clamando por justiça, eles serão respeitados e precisarão ser providenciados os meios e modos para que possam mudar de vida e serem santos e perfeitos como santo e perfeito é o Pai do céus.
O Bispo São Fulgêncio de Ruspe escreve: “Amar os inimigos, obviamente, era uma ordem amarga para os ouvintes, mas era doce o que prometia aos obedientes. Mantenha-se pois no coração a suavidade dessa doçura, e supere-se a dificuldade daquela amargura. Pois os que tiverem amado os inimigos e tratado com benevolência aqueles que os odiavam, serão filhos de Deus. Quanto aos que esses filhos de Deus receberão, o bem-aventurado Apóstolo o revela, dizendo: O próprio Espírito se une ao nosso espírito, atestando que somos filhos de Deus. E, se somos filhos, somos também herdeiros: herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo (Rm 8,16-17). Ouvi, pois, cristãos ouvi filho de Deus, ouvi herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo. Para possuir a herança paterna, estendei a caridade não apenas aos amigos, mas também aos inimigos" (Lecionário Monástico II, p. 143-144).

EVANGELHO DO DIA: Mateus 5, 43-48

«Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo, e odeie o seu inimigo!’ Eu, porém, lhes digo: amem os seus inimigos, e rezem por aqueles que perseguem vocês! Assim vocês se tornarão filhos do Pai que está no céu, porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e a chuva cair sobre justos e injustos. Pois, se vocês amam somente aqueles que os amam, que recompensa vocês terão? Os cobradores de impostos não fazem a mesma coisa? E se vocês cumprimentam somente seus irmãos, o que é que vocês fazem de extraordinário? Os pagãos não fazem a mesma coisa? Portanto, sejam perfeitos como é perfeito o Pai de vocês que está no céu.»

26 de fev de 2010

Comentário do Evangelho

Comentário ao Evangelho do dia feito por Santo Agostinho (354-430), Bispo de Hipona (Norte de África) e Doutor da Igreja Sermão 357

«Se te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti»

«Deus faz que o sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores» (Mt 5, 45). Ele mostra a sua paciência; não lamenta o Seu poder. Também tu [...], renuncia à provocação, não aumentes a tribulação dos que semeiam o tumulto. És amigo da paz? Mantém-te tranquilo dentro de ti mesmo. [...] Deixa de lado as querelas, e volta-te para a oração. Não respondas à injúria com a injúria, mas reza por esse homem. Queres opor-te a ele: fala a Deus por ele. Não digo que te cales: escolhe o meio conveniente, e vê Aquele a quem falas, em silêncio, com um grito do coração. Onde o teu adversário não te vê, aí mesmo, sê bom para ele. A esse adversário da paz, a esse amigo da disputa, responde tu, amigo da paz: «Diz tudo o que quiseres, porque, seja qual for a tua inimizade, tu és meu irmão» [...].«Bem me podes odiar e repelir: tu és meu irmão! Reconhece em ti o sinal do meu Pai; é esta a Palavra do meu Pai: és um irmão quezilento, mas és meu irmão, porque tu dizes tal como eu: «Pai nosso que estais nos céus». Se invocamos um único Pai, por que não somos um só? Peço-te, reconhece o que dizes comigo e reprova o que fazes contra mim. [...] Temos uma única voz diante do Pai; por que não havemos de ter juntos uma única paz?»

EVANGELHO DO DIA: Mateus 5,20-26

«Com efeito, eu lhes garanto: se a justiça de vocês não superar a dos doutores da Lei e dos fariseus, vocês não entrarão no Reino do Céu. Vocês ouviram o que foi dito aos antigos: ‘Não mate! Quem matar será condenado pelo tribunal’. Eu, porém, lhes digo: todo aquele que fica com raiva do seu irmão, se torna réu perante o tribunal. Quem diz ao seu irmão: ‘imbecil’, se torna réu perante o Sinédrio; quem chama o irmão de ‘idiota’, merece o fogo do inferno. Portanto, se você for até o altar para levar a sua oferta, e aí se lembrar de que o seu irmão tem alguma coisa contra você, deixe a oferta aí diante do altar, e vá primeiro fazer as pazes com seu irmão; depois, volte para apresentar a oferta. Se alguém fez alguma acusação contra você, procure logo entrar em acordo com ele, enquanto estão a caminho do tribunal; senão o acusador entregará você ao juiz, o juiz o entregará ao guarda, e você irá para a prisão. Eu garanto: daí você não sairá, enquanto não pagar até o último centavo.»

25 de fev de 2010

Acervo museológico referente a Dom José Adelino Dantas

A comissão responsável pelas exposições que serão realizadas durante as comemorações do centenário de nascimento de Dom José Adelino, em visita técnica realizada domingo passado (21-02-2010) ao Museu Histórico Nossa Senhora das Vitórias, no Monte do Galo, fez uma primeira coleta de dados, fotografando peças que pertenceram ao Bispo, conforme se vê abaixo (apenas parte das fotografias).

Álbum de fotografias

Chapéu Comenda ofertada pelo Governo do Estado (Cortez Pereira) em gratidão a Dom José Adelino (1975)
Título de Eleitor
Passaporte
Mitra da Sagração Episcopal
Maleta com álbum comemorativo e registros do Concílio Vaticano II
Comenda de homenagem do povo de Carnaúba dos Dantas (21 nov 1974)
Caderneta de anotações
Álbum da 3ª encenação da Paixão de Cristo no Monte do Galo (1976)
Credencial para o Concílio Vaticano II, em latim (1962)

Cálice comemorativo ao jubileu episcopal de D. José Adelino. Homenagem da Diocese de Garanhuns
Âmbula de madeira
Fotografia de Dom Adelino (seminarista) com sua mãe, em férias (1926)

Comissão:
Helder Macedo, Juçara Medeiros, Margarida Dantas, Irmã Vera, Evanilson Adelino, João Batista Dantas, João Batista da Silva.

A PRECE DE SÚPLICA

REFLEXÃO DA LITURGIA

Diante do Altíssimo e Belo Senhor, a postura correta do ser humano é de humilde entrega e delicada dependência. Somos do Senhor, dele provimos, para ele nos dirigimos. Nas vicissitudes da vida experimentamos a necessidade de estender-lhe as mãos como um mendigo que pede auxílio. Na primeira leitura da liturgia desta quinta-feira da primeira semana da quaresma, ouvimos um belo texto da Rainha Ester. Esta não suporta mais os sofrimentos e abre o coração diante do Altíssimo: “Vem em meu socorro pois estou só e não tenho outro defensor...vem em auxílio de minha orfandade... transforma em alegria meu luto” (cf. Ester 4,17). Do fundo da existência desta mulher brota um angustiante pedido. O Senhor vê o coração dos pobres e deita neles a força de sua presença e de seu amor.
Ora, aquele que não é dono de seu destino e de sua história. A oração é, antes de tudo, o grito de um pobre, de um mendigo que se lança em Deus e confia nele, ele que cuida dos lírios dos campos e dos pássaros dos céus. O Pai nosso coloca uma hierarquia nos pedidos que devem ser proferidos: há antes de tudo o desejo de que o nome do Senhor seja bendito e sua vontade se faça. Depois vem a súplica do pão, do perdão.
Quando os textos evangélicos falam na insistência no pedido, no bater, no procurar o Senhor não significa que esteja falando de pressão sobre Deus. Ele sabe do que precisamos. O Senhor, no entanto, se compraz em ver esses todos que dele se achegam como fonte de tudo. Há essa mãe de filho doente que faz uma peregrinação ao longíquo santuário pedindo que seu menino fique bom. Há essa mulher que ama seu marido, sua casa, sua família e sente que o marido foge de seus dedos e busca aventuras estranhas. Normal que ela, na solidão de seu coração, mesmo tentando o diálogo e o entendimento com o companheiro, verta lágrimas de dor em seu quarto diante do Senhor. Belíssimos aqueles que, conscientes de seu pecado, não cessam de cantar as dolentes melodias do ato penitencial pedindo que a porta do coração de Deus se mantenha aberta e que ele, Pai dos pródigos, o perdoe.
Os verdadeiros orantes, aqueles que se sentem também em profundo sofrimento nunca esquecem de dizer: “Não se faça a minha, mas a tua vontade”.

Fonte: www.franciscanos.org.br

EVANGELHO DO DIA: Mateus 7,7-12

«Peçam, e lhes será dado! Procurem, e encontrarão! Batam, e abrirão a porta para vocês! Pois todo aquele que pede, recebe; quem procura, acha; e a quem bate, a porta será aberta. Quem de vocês dá ao filho uma pedra, quando ele pede um pão? Ou lhe dá uma cobra, quando ele pede um peixe? Se vocês, que são maus, sabem dar coisas boas a seus filhos, quanto mais o Pai de vocês que está no céu dará coisas boas aos que lhe pedirem. Tudo o que vocês desejam que os outros façam a vocês, façam vocês também a eles. Pois nisso consistem a Lei e os Profetas.»

24 de fev de 2010

CNBB lança blog na internet

Entrou no ar na terça-feira, 23/02, o blog da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Atendendo ao pedido do papa Bento XVI, que na sua mensagem para o 44º Dia Mundial das Comunicações Sociais escreveu que a Igreja deve usar dos “novos meios de comunicação a serviço da Palavra”, a página tem por objetivo complementar o site da Conferência, por meio de notícias, vídeos, áudios, fotos e pequenos posts (comentários). Assim como as outras mídias sociais já existentes: Twitter, Youtube, Flickr e Facebook, queremos, por meio dessa nova presença da CNBB na internet, dar mais dinamicidade e agilidade à nossa comunicação.
De acordo com o secretário geral da CNBB, dom Dimas Lara Barbosa, a CNBB vem aumentando seu nicho de informações na internet e o blog vem para dar mais força a essa presença. “Cada vez mais nosso site tem que se aperfeiçoar. Já estamos no Twitter, no Youtube, Facebook, Flickr e, agora, o próximo passo é o nosso blog. Eu espero que essa nova presença complemente as outras mídias já existentes para que a CNBB se comunique de forma mais objetiva. Em breve também vamos criar o blog da Missão Continental para que cresçamos ainda mais com essa presença através das novas tecnologias a serviço do Reino de Deus”, sublinhou dom Dimas.
O assessor de imprensa da CNBB, padre Geraldo Martins Dias, encara a presença da Conferência dos Bispos, na blogosfera, como mais uma alternativa de comunicação para ampliar a presença da CNBB através das novas tecnologias de informação. “O blog representa mais uma alternativa de comunicação de que a CNBB se serve a partir desse universo oferecido pelas novas tecnologias. Ele representa, portanto, o esforço da Igreja chegar de maneira mais ampla possível a todas as pessoas”.
Um dos diferenciais do blog é a publicação de notícias mais objetivas destacando os últimos vídeos e áudios produzidos pela assessoria de imprensa, como também imagens de eventos além de possibilitar aos internautas comentarem os posts, com moderação do administrador. Outra novidade é que os leitores poderão também seguir o blog da CNBB, assim como seguem a página no twitter através de login e e-mail.

JONAS, A RAINHA DO SUL E O FILHO DO HOMEM

REFLEXÃO DO EVANGELHO

A pregação de Jonas tocou profundamente o coração dos habitantes de Nínive. O rei da cidade colocou de lado o manto real e vestiu-se de saco e sentou-se sobre cinza. Fez penitência. A fala de Jesus, segundo Lucas, não estava encontrando eco no coração de seus ouvintes. Ao contrário, havia mesmo séria resistência e um fechamento do coração. São João Crisóstomo, um dos escritores mais profundos do período da Patrística comenta com sabedoria a página de Lucas hoje proclamada. Extraímos do texto do Padre alguns tópicos.
Jesus afirma que, no dia do juízo os habitantes de Nínive haveriam de se levantar contra a geração incrédula que estava diante do Mestre. E, segundo o Crisóstomo, assim poderia ter falado Jesus: “Jonas, na verdade, era apenas um servo, mas eu sou o Senhor; ele saiu do ventre do monstro marinho, eu ressurgi da morte; ele pregou a ruína, eu vim anunciar o reino dos céus. Os ninivitas lhe deram crédito, sem nenhum sinal visível, eu, porém mostrei muitos sinais. Eles ouviram de Jonas somente palavras, eu, no entanto, não revelei nenhuma pseudo-filosofia. Jonas não era senão um enviado, eu, no entanto, vim como Mestre e Senhor de todas as coisas, sem ameaças, sem reprimendas, mas com a oferta do perdão”.
O texto nos fala de um certo lamento de Jesus. Sente-se abandonado por aqueles que o deveriam ter rececido.
Mais adiante, em sua bela meditação, João Crisóstomo, tece considerações a respeito da postura da rainha do Sul que veio de longe para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis Jesus, maior do que Salomão, mas rejeitado. “Jonas dirigiu-se aos ninivitas. A rainha do sul não esperou a vinda de Salomão, mas ela própria foi ao seu encontro, apesar de mulher e de estrangeira, sem considerar a grande distância. A isso não a impeliram perigos ameaçadores nem o temor da morte, mas tão somente um grande amor pelas palavras de sabedoria. E aqui está quem é maior do que Salomão. Outrora veio uma mulher. Agora sou eu que venho. Ela partiu dos confins da terra. Eu percorro cidades e aldeias. Salomão dissertava sobre árvores e plantas, o que não lhe podia ser de grande utilidade: eu vos falo de coisas inefáveis e de grandiosos mistérios."

EVANGELHO DO DIA - Lucas 11,29-32

Quando as multidões se reuniram, Jesus começou a dizer: «Esta geração é uma geração má. Ela busca um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas. De fato, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, assim também será o Filho do Homem para esta geração. No dia do julgamento, a rainha do Sul se levantará contra os homens desta geração, e os condenará. Porque ela veio de uma terra distante para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está quem é maior do que Salomão. No dia do julgamento, os homens da cidade de Nínive ficarão de pé contra esta geração. Porque eles fizeram penitência quando ouviram Jonas pregar. E aqui está quem é maior do que Jonas.»

23 de fev de 2010

O PAI DE TODOS

REFLEXÃO DO EVANGELHO

Um dos temas mais importantes da vida cristã é certamente o da oração. Nas poucas linhas do evangelho proclamado na liturgia de hoje há algumas indicações sobre o tema. O texto de hoje é extraído do sermão da montanha de Mateus.
O primeiro evangelista gosta de insistir no tema da oração feita no silêncio do quarto. Os discípulos de Jesus não podem fazer como os pagãos, ou seja, usar palavras demais. O Pai, o paizinho, conhece aquilo de que necessitam os seus filhos. O cerne da oração é a manifestação da dependência do Senhor. Isto agrada ao Pai: sentir que os seus confiam nele. Liturgias longas, longos textos, muitas palavras na oração certamente estão em contradição com o ensinamento de Jesus.
A oração do Pai nosso tem duas partes bem nítidas. Primeiro pedimos pelo seu nome, pelo reino e pela sua vontade. Na segunda parte são colocados os nossos interesses: o pão, o perdão das ofensas, o não cair em tentação e a libertação do mal.
Há um mundo novo em construção. Os discípulos de Jesus querem o nome do Pai seja exaltado em todos os cantos da terra, que as vozes das gargantas dos homens e das mulheres louvem o Altíssimo e Bom Senhor. Pedimos que se instaure uma nova ordem de coisas: os humildes sendo reis, os soberbos derrubados de seus tronos, os pacificadores sendo reis.
Jesus, o nosso Mestre, deu a vida pela instauração do Reino e os filhos do Pai do céu não cessam de pedir que o Reino se firme e que a vontade do Pai seja feita. Na segunda parte da Oração do Senhor pedimos por nossas necessidades: esse pão cotidiano que não pode ser estocado, porque o Pai que cuida dos lírios dos campos e dos pássaros dos céus, no-lo dá cotidianamente. Pensamos também nessa Eucaristia cotidiana que fortalece nossa vida. Cotidianamente, de manhã cedo, ao meio do dia, à noite, antes da comunhão esse pedido é cheio de significado: O pão nosso de cada dia nos dai hoje...
E sempre essa necessidade que o Pai perdoe as faltas que cotidianamente repetimos. Não temos condições de pedir o perdão de uma vez por todas. Será necessário fazê-lo todos os dias, todas as horas, incessantemente. E o Senhor Jesus vinculou o entendimento a esta nossa solicitação ao esforço que fazemos de colocar o manto do perdão sobre aqueles que nos ofendem. Que o Senhor nos livre de cair em tentações e nos livre do mal!
O Pai nosso não é apenas uma prece a ser repetida, mas uma programa de vida do cristão. Esta oração inspirará todas as preces e orações da Igreja.

Fonte: www.franciscanos.org.br

EVANGELHO DO DIA - Mateus 6,7-15

«Quando vocês rezarem, não usem muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por causa do seu palavreado. Não sejam como eles, pois o Pai de vocês sabe do que é que vocês precisam, ainda antes que vocês façam o pedido. Vocês devem rezar assim: Pai nosso, que estás no céu, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o pão nosso de cada dia. Perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal. De fato, se vocês perdoarem aos homens os males que eles fizeram, o Pai de vocês que está no céu também perdoará a vocês. Mas, se vocês não perdoarem aos homens, o Pai de vocês também não perdoará os males que vocês tiverem feito.»

22 de fev de 2010

JORNAL KYRIE - Fevereiro de 2010

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Cátedra de São Pedro - PEDRO, O MESTRE DA FÉ

A 22 de fevereiro os antigos romanos, segundo informes dos livros litúrgicos, honravam a memória dos mártires e comiam junto de suas tumbas, ao redor de sua “cátedra” (cadeira reservada ao defunto para significar que estava presente no banquete). A partir do século IV, os cristãos começaram a honrar uma “cátedra” muito mais espiritual: a de Pedro, chefe da Igreja de Roma (cf. Intr. Festa de hoje no Missal da Paulus).
Pedro, no evangelho do dia de hoje, é o homem da fé. Ele consegue ver a identidade mais profunda de Cristo porque lhe foi dada uma revelação toda especial. Os Padres da Igreja sempre enalteceram a fé do apóstolo, o mestre da fé.“Hoje é o aniversário da Cátedra de São Pedro, o primeiro apóstolo, que a Igreja celebra com fervorosa piedade(...). Cátedra de sã doutrina e não de falsidade, por ela os crentes são chamados à fé, os doentes recobrem a saúde, os dissolutos recebem uma lei moral e os discípulos, uma regra de vida. Temos consciência de que nessa Cátedra foi proclamada formalmente a instituição de nossa Igreja, a Igreja Católica. Por isso, nos alegramos, reconhecemos e proclamamos nossa fé” (Sto.Agostinho, Lecionário Monástico II, p. 656).
Santo Odão de Cluny, abade, em seus Sermões escreve: “Ó inestimável e imensa bondade, que um homem colocado na terra domine o céu. Pois eis que agora, a um sinal de Pedro, abrem-se as portas do Reino de Deus. Com efeito, ele recebeu de Cristo as chaves do Reino dos céus, para que, libertando os crentes das cadeias dos pecados, lhes abra o céu. Quão acessível e radical é esse remédio! Dirigindo-se a Pedro, o mundo encontra o Reino de Deus perto de si. Cristo colocou Pedro no mundo, deixando-o em seu lugar, como chaveiro do céu, a fim de que ninguém ache difícil subir até lá” (Lecionário Monástico II, p. 667).O Papa Inocêncio III fala da fé e da caridade de Pedro. “A felicidade de Pedro consiste, sobretudo, no conhecimento e no amor, isto é, na fé e na caridade. Destas duas virtudes, uma vem em primeiro lugar, e a outra é a mais importante de todas. O Senhor exigiu as duas de Pedro: a fé quando lhe entregou a chaves; a caridade quando lhe confiou as suas ovelhas”.
O Pontífice Romano continua Pedro entre nós. Ele nos ensina a verdade e nos mostra os campos onde podemos encontrar alimento para nossa vida cristã.

EVANGELHO DO DIA - Mateus 16,13-19

Jesus chegou à região de Cesaréia de Filipe, e perguntou aos seus discípulos: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?» Eles responderam: «Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias, ou algum dos profetas.» Então Jesus perguntou-lhes: «E vocês, quem dizem que eu sou?» Simão Pedro respondeu: «Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo.» Jesus disse: «Você é feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que lhe revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso eu lhe digo: você é Pedro, e sobre essa pedra construirei a minha Igreja, e o poder da morte nunca poderá vencê-la. Eu lhe darei as chaves do Reino do Céu, e o que você ligar na terra será ligado no céu, e o que você desligar na terra será desligado no céu.»

21 de fev de 2010

Centenário de nascimento de Dom Adelino

Ontem à noite (sábado, 20/02/10), foi realizada no salão paroquial mais uma reunião em preparação às comemorações do centenário de nascimento de Dom José Adelino Dantas, que ocorrerá durante este ano de 2010.
Um grupo bom e disposto a trabalhar e contribuir com a realização das atividades do Centenário do nosso "Dom" esteve presente à reunião. Algumas comissões foram formadas e na manhã deste domingo uma das equipes já arregaçou as mangas e começou o trabalho no Museu do Monte, visando a elaboração do diagnóstico do acervo de D. Adelino.
As comemorações do centenário de nascimento de Dom Adelino começarão no dia 17 de março deste ano, com uma missa que será celebrada às 09 horas da manhã na Capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, local onde o Bispo está enterrado. A missa será presidida pelo nosso Bispo diocesano, D. Manoel Delson, e contará com a participação de diversas autoridades eclesiais, familiares, amigos e ex-alunos de Dom Adelino.
Muitas outras atividades acontecerão em nosso município no decorrer deste ano tendo como tema principal a vida e obra do "Dom", e a medida em que elas forem sendo agendadas estaremos postando neste blog.
Uma próxima reunião está marcada para o próximo sábado (27/02), ás 20h na Secretaria Paroquial.
(Comissão de Comunicação)

O MONTE DO GALO está diferente...

"O Monte do Galo está diferente. É como se fosse uma criança após o banho e vestida a rigor para uma festa de apresentação. Isto porque o cidadão Manoel Lucas Dantas, conhecido por 'Manoel de Zé Lucas', num rompante de determinação e de devoção à Nossa Senhora das Vitórias resolveu dar uma nova imagem de embelezamento às estruturas físicas do Monte do Galo."
Texto de Hilário Félix Dantas, jornal Kyrie, fev/2010

Hoje pela manhã, os carnaubense e os romeiros puderam participar da Missa em ação de graças e bênção pelo embelezamento das estruturas físicas do Monte do Galo. A santa missa foi celebrada pelo Pe. João Paulo, no cimo do Monte do Galo.
No mês de outrubro do ano passado, a Paróquia havia feito a pintura e recuperação da Capela de Nossa Senhora das Vitórias, localizada no cimo do Monte, como noticiado no jornal Kyrie (edição 19, janeiro/2010). Mas, neste início do ano, um carnaubense devoto de Nossa Senhora das Vitórias resolveu cuidar da limpeza e restauração de todo o restante da estrutura física do Monte do Galo, trabalho esse que foi concluído e que foi abençoado nesta manhã de domingo.

JESUS RESISTE À TENTAÇÃO

REFLEXÃO DO EVANGELHO

Quaresma, quadragésimo dia antes da Páscoa. Na Igreja das origens, era o tempo de preparação para obatismo na noite pascalQuaresma, quadragésimo dia antes da Páscoa. Na Igreja das origens, era o tempo de preparação para obatismo na noite pascal.

Também Jesus passou por um "tempo de quarentena" (evangelho). Reviveu toda a história do povo. Conheceu a tentação da fome (cf. Nm 14), mas recordou o ensinamento de Deus: "Não se vive só de pão" (Dt 8,3). Conheceu a tentação do bezerro de ouro, ou seja, de adorar um falso deus, que fornecesse riqueza (cf. Ex 32); mas respondeu, com a palavra de Deus: "Só a Deus adorarás" (Dt 6,13). Conheceu a tentação mais refinada que se pode imaginar, a de manipular o poder de Deus para encurtar o caminho; mas a experiência de Israel, resumida em Dt, lhe oferece novamente a resposta: "Não tentarás o Senhor, teu Deus" (Dt 6,16). Jesus venceu o tentador no seu próprio terreno, o deserto, onde moram as serpentes e os escorpiões, onde Deus provou Israel, mas também Israel tinha colocado o próprio Deus à prova (Sl 95[94],9). Jesus não tentou Deus, mas venceu o tentador. Pelo menos por enquanto, pois a grande tentação ficou para "a hora determinada" (cf. Lc 22,3.31.39).
Em Lc, Jesus é o grande orante, o modelo do fiel. Jesus resistiu à tentação de tentar Deus: sinal de sua imensa confiança no Pai. Ele professa a fé no único Deus como regra de sua vida. Ele se alimenta com a palavra que sai da boca do Altíssimo. Nossa quaresma deve ser um estar com Jesus no deserto, para, como ele, dar a Deus o lugar central de nossa vida. Como ele, com ele e por ele, pois é dando a Jesus o lugar central, que o damos a Deus também. Neste sentido, a quaresma é realmente "ser sepultado com Cristo", para, na noite pascal, com ele ressuscitar.
Lc traz as tentações em ordem diferente de Mt (cf. ano A). Em Mt, o auge é a tentação de adorar o demônio; em Lc, o "transporte" para Jerusalém. Ora, todo o evangelho de Lc é uma migração de Jesus para Jerusalém, e a tentação decisiva será a "tentação de Jerusalém". Jesus resistirá a esse ataque decisivo, na mesma cidade de Jerusalém. Assim, as tentações prefiguram o caminho de Jesus. Por isso é tão importante que nós nos unamos a ele neste "tempo de quarenta", em espírito de prova de nossa fé e vida. É isso que lembra a oração do dia: tornar nossa vida conforme à do Cristo. O salmo responsorial é o Sl 91 [90], que inspirou o Satanás para a terceira tentação, mas que também contém em si a resposta ao Satanás: a ilimitada confiança em Deus.

1º DOMINGO DA QUARESMA - Jesus supera as tentações



EVANGELHO: Lucas 4,1-13

Repleto do Espírito Santo, Jesus voltou do rio Jordão, e era conduzido pelo Espírito através do deserto. Aí ele foi tentado pelo diabo durante quarenta dias. Não comeu nada nesses dias e, depois disso, sentiu fome. Então o diabo disse a Jesus: «Se tu és Filho de Deus, manda que essa pedra se torne pão.» Jesus respondeu: «A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem’.» O diabo levou Jesus para o alto. Mostrou-lhe por um instante todos os reinos do mundo. E lhe disse: «Eu te darei todo o poder e riqueza desses reinos, porque tudo isso foi entregue a mim, e posso dá-lo a quem eu quiser. Portanto, se te ajoelhares diante de mim, tudo isso será teu.» Jesus respondeu: «A Escritura diz: ‘Você adorará o Senhor seu Deus, e somente a ele servirá’.» Depois o diabo levou Jesus a Jerusalém, colocou-o na parte mais alta do Templo. E lhe disse: «Se tu és Filho de Deus, joga-te daqui para baixo. Porque a Escritura diz: ‘Deus ordenará aos seus anjos a teu respeito, que te guardem com cuidado’. E mais ainda: ‘Eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em nenhuma pedra’.» Mas Jesus respondeu: «A Escritura diz: ‘Não tente o Senhor seu Deus’.» Tendo esgotado todas as formas de tentação, o diabo se afastou de Jesus, para voltar no tempo oportuno.

20 de fev de 2010

Quaresma, a luta contra o pecado

Desde o início do Cristianismo a Quaresma marcou para os cristãos um tempo de graça, oração, penitência e jejum, com o objetivo de se chegar à conversão. Ela nos faz lembrar as palavras de Jesus: “Se não fizerdes penitência, todos perecereis” (Lc 13,3). Se não deixarmos o pecado, não poderemos ter a vida eterna em Deus; logo, a atividade mais importante é a nossa conversão, renunciar ao pecado.
Nada é pior do que o pecado para a vida do homem, da Igreja e do mundo, ensina a Igreja; por isso Cristo veio, exatamente, “para tirar pecado do mundo” (cf. Jo 1, 29). Ele é o Cordeiro de Deus imolado para isso.
São Paulo insiste: “Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!” (2 Cor 5, 20); “exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (cf Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação” (2 Cor 6, 1-2).
A Quaresma nos oferece, então, esse “tempo favorável” para deixarmos o pecado e voltarmos para Deus. E para isso fazemos penitência. O seu objetivo não é nos fazer sofrer ou nos privar de algo que nos agrada, mas ser um meio de purificação de nossa alma. Sabemos o que devemos fazer e como viver para agradar a Deus, mas somos fracos; a penitência é feita para nos dar forças espirituais na luta contra o pecado.
A melhor Penitência, sem dúvida, é a do Sacramento que tem esse nome. Jesus instituiu a Confissão em Sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da Ressurreição (cf. Jo 20,22) dizendo-lhes: “A quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados”. Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência.
Além do Sacramento da Confissão a Igreja nos oferece outras penitências que nos ajudam a buscar a santidade: sobretudo as recomendadas por Jesus no Sermão da Montanha (cf. Mt 6,1-8): “O jejum, a esmola e a oração”, chamados pela Igreja de “remédios contra o pecado”.
Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma, a Igreja quer ensinar-nos como vencer as tentações de hoje. Vencemos o pecado praticando a virtude oposta a ele. Assim, para vencer o orgulho, devemos viver a humildade; para vencer a ganância devemos dar esmolas; para vencer a impureza, praticar a castidade; para vencer a gula, jejuar; para vencer a ira, aprender a perdoar; para vencer a inveja, ser bom; para vencer a preguiça, levantar-se e ajudar os outros. Essas são boas penitências para a Quaresma.
Todos os exercícios de piedade e de mortificação têm como objetivo livrar-nos do pecado. O jejum fortalece o espírito e a vontade para que as paixões desordenadas (gula, ira, inveja, soberba, ganância, luxúria, preguiça) não dominem a nossa vida e a nossa conduta.
A oração fortalece a alma no combate contra o pecado. Jesus ensinou: “É necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18,1b); “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26,41a); “Pedi e se vos dará” (Mt 7,7). E São Paulo recomendou: “Orai sem cessar” (I Ts 5,17).
A Palavra de Deus nos ensina: “É boa a oração acompanhada do jejum e dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro, porque a esmola livra da morte, e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna” (Tb 12, 8-9).
“A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados” (Eclo 3,33). “Encerra a esmola no seio do pobre, e ela rogará por ti para te livrar de todo o mal” (Eclo 29,15).
Então, cada um deve fazer na Quaresma um “programa” espiritual: fazer o jejum que consegue (cada um é diferente do outro); pode ser parcial ou total. Pode, por exemplo, deixar de ver a TV, deixar de ir a uma festa, a uma diversão, não comer uma comida de que gosta ou uma bebida; não dizer uma palavra no momento de raiva ou contrariedade, não falar de si mesmo, dar a vez aos outros na igreja, na fila, no ônibus; ser manso e atencioso com os outros, perdoar a todos, dormir um pouco menos, rezar mais, ir à Santa Missa durante a semana... Enfim, há mil maneiras de fazer boas penitências que nos ajudam a fortalecer o espírito para que ele não fique sufocado e esmagado pelo corpo e pela matéria.
A penitência não é um fim em si mesma; é um meio de purificação e santificação; por isso deve ser feita com alegria.
Prof. Felipe Aquino

UM MESTRE QUE DESCONCERTA

REFLEXÃO DO EVANGELHO

São muitas as categorias profissionais mencionadas nos textos do Novo Testamento: pescadores, viticultores, lavradores, pastores, tintureiros, copiadores de textos e assim por diante. Uma delas, no entanto, era particularmente pouco apreciada pelos judeus mais sinceros: a dos coletores de impostos. Seus responsáveis eram vistos como traidores do povo. Tiravam-lhe o dinheiro para dar aos ocupantes, esses romanos indesejáveis. Jesus teve entre seus discípulos e ouvintes cobradores de impostos, entre os quais Levi e Zaqueu. O evangelho deste sábado fala da conversão de Levi. Fala de sua vocação.

O tema da vocação é sempre muito caro. Nós, cristãos, não somos religiosos, “meros” seguidores de doutrinas e de “fazedores” de ritos. Sentimo-nos chamados ao seguimento do Senhor. Despreocupado, ocupando-se de colocar número e cifras no livro dos impostos e, quem sabe, pensando em desviar uma parte, lá estava Levi. E Jesus “viu” o homem em questão. Levi entrou no universo de Jesus. Tudo leva a crer que não houve nenhuma preparação prévia para esse chamamento. De repente, ecoa no ar: “Segue-me”. Estamos no universo do discipulado. Jesus organiza um grupo com o qual ele haveria de conviver e que seriam os continuadores de sua obra. O chamado se situa na linha do seguimento, é evidente.

O evangelista faz umas poucas e importantes observações: “Levi deixou tudo, levantou-se e o seguiu”. Presteza, prontidão, generosidade... Não há hesitação. Não se fala em conversas esclarecedoras, em protelação da decisão. Aquele que é chamado se joga confiante no convite de quem o chama. Logo se fala de um banquete oferecido pelo convertido. E Jesus se mistura com cobradores de impostos e pecadores. Os fariseus não viram com bons olhos uma postura tão aberta, tão condescendente.

Jesus não veio para chamar aqueles que já estão no caminho certo. Veio precisamente para se colocar ao lado daqueles que precisam empreender um caminho de conversão. O Reino novo do Mestre começa, precisamente, pela transformação do coração e por isso, o médico vem se ocupar dos doentes e dos fracos. Não há que admirar dessa condescendência.

Pode ser que a força do Ressuscitado ainda em nossos dias irrompa na vida de alguns na linha de tudo deixarem. As pessoas são tomadas de surpresa, no meio de seus negócios, de suas atividades, solteiras ou casadas. Hoje ainda muitos se sentem tocados. Por vezes querem dar a desculpa de que não são dignos, que são pecadores. Mas precisamente a grande marca do mundo de Jesus é a da misericórdia para com os corações contritos e arrependidos.

FONTE: www.franciscanos.org.br

EVANGELHO DO DIA: Lucas 5,27-32

Depois disso, Jesus saiu, e viu um cobrador de impostos chamado Levi, que estava na coletoria. Jesus disse para ele: «Siga-me.» Levi deixou tudo, levantou-se, e seguiu a Jesus. Depois, Levi preparou em casa um grande banquete para Jesus. Estava aí numerosa multidão de cobradores de impostos e outras pessoas sentadas à mesa com eles. Os fariseus e seus doutores da Lei murmuravam, e diziam aos discípulos de Jesus: «Por que vocês comem e bebem com os cobradores de impostos e com pecadores?» Jesus respondeu: «As pessoas que têm saúde não precisam de médico, mas só as que estão doentes. Eu não vim para chamar justos, e sim pecadores para o arrependimento.»

19 de fev de 2010

CONSIDERAÇÕES EM TORNO DO JEJUM

REFLEXÃO DO EVANGELHO
O evangelho desta sexta-feira das cinzas traz a famosa questão do jejum. Os fariseus estranham que os discípulos de Jesus não jejuem. Jesus afirma que enquanto ele, o esposo, o noivo, estiver no meio dos homens não há razões para o jejum. Aproveitamos o texto para refletir sobre o sentido do jejum.

Enzo Bianchi, Prior da Comunidade de Bose, na Itália, escreve: “Conhecemos muito bem essa atmosfera que reina no Ocidente. Ressoam, obsessivamente, mensagens que pedem “tudo, cada vez mais e logo”. Os modelos visam essa voracidade que se denomina “consumo de massas”, onde reinam “novos deuses e novos senhores” que impõem comportamentos fechados sobre eles mesmos e narcisistas, mascarando um egoísmo que não reconhece mais o outro, e, menos ainda, entre outros, os últimos e os que estão necessitando. Digamos a verdade: as raras vezes em que se pede o jejum aos cristãos, ele é praticado sob a forma – ameaçada pela hipocrisia - de uma refeição sacrificada em favor das vítimas da fome ou como engajamento pela paz. É muito pouco! Como quer que seja, o jejum cristão, aquele ordenado, - sim, ordenado! – por Jesus e pela Igreja primitiva, é outra coisa, que se trata, por outras circunstâncias, de não confundir com o jejum praticado pelo muçulmanos durante o mês de Ramadã”.


Por que, então, o jejum cristão? É preciso dizer que é necessário praticá-lo para compreendê-lo e para atingir suas razões profundas. Para começar, jejuar significa impor uma disciplina à oralidade. Os monges, em particular, tiveram consciência de que o alimento traz consigo uma dimensão afetiva extraordinariamente poderosa. A anorexia e bulimia são indícios de perturbações afetivas com repercussões sobre a alimentação. Eis por que o comportamento alimentar do homem recebe um “extra” de sentido. Não depende somente das necessidades fisiológicas, mas pertence ao registro da afetividade e do desejo. A oralidade, então, exige uma disciplina para passar da necessidade ao desejo, do consumo à atitude eucarística do agradecimento, da necessidade individual à comunhão. É aqui que a Eucaristia ensina ao cristão o exercício e a experiência da comunhão, da partilha. Eis a razão do jejum antes da Eucaristia. Trata-se não de uma mortificação em vista de se tornar digno, não de uma penitência meritória, mas de uma dialética jejum-Eucaristia, de uma disciplina do desejo, a fim de discernir o que é verdadeiramente necessário para viver, além do pão. Através do jejum, trata-se de dominar o vetor do consumo para favorecer o da comunhão” (Enzo Bianchi, Dar sentido ao tempo, Ed.Loyola, São Paulo 2007, 45ss).

Fonte: www.franciscanos.org.br

EVANGELHO DO DIA: Mateus 9,14-15

Então os discípulos de João se aproximaram de Jesus, e perguntaram: «Nós e os fariseus fazemos jejum. Por que os teus discípulos não fazem jejum?» Jesus respondeu: «Vocês acham que os convidados de um casamento podem estar de luto, enquanto o noivo está com eles? Mas chegarão dias em que o noivo será tirado do meio deles. Aí então eles vão jejuar».