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20 de fev de 2010

Quaresma, a luta contra o pecado

Desde o início do Cristianismo a Quaresma marcou para os cristãos um tempo de graça, oração, penitência e jejum, com o objetivo de se chegar à conversão. Ela nos faz lembrar as palavras de Jesus: “Se não fizerdes penitência, todos perecereis” (Lc 13,3). Se não deixarmos o pecado, não poderemos ter a vida eterna em Deus; logo, a atividade mais importante é a nossa conversão, renunciar ao pecado.
Nada é pior do que o pecado para a vida do homem, da Igreja e do mundo, ensina a Igreja; por isso Cristo veio, exatamente, “para tirar pecado do mundo” (cf. Jo 1, 29). Ele é o Cordeiro de Deus imolado para isso.
São Paulo insiste: “Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!” (2 Cor 5, 20); “exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (cf Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação” (2 Cor 6, 1-2).
A Quaresma nos oferece, então, esse “tempo favorável” para deixarmos o pecado e voltarmos para Deus. E para isso fazemos penitência. O seu objetivo não é nos fazer sofrer ou nos privar de algo que nos agrada, mas ser um meio de purificação de nossa alma. Sabemos o que devemos fazer e como viver para agradar a Deus, mas somos fracos; a penitência é feita para nos dar forças espirituais na luta contra o pecado.
A melhor Penitência, sem dúvida, é a do Sacramento que tem esse nome. Jesus instituiu a Confissão em Sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da Ressurreição (cf. Jo 20,22) dizendo-lhes: “A quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados”. Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência.
Além do Sacramento da Confissão a Igreja nos oferece outras penitências que nos ajudam a buscar a santidade: sobretudo as recomendadas por Jesus no Sermão da Montanha (cf. Mt 6,1-8): “O jejum, a esmola e a oração”, chamados pela Igreja de “remédios contra o pecado”.
Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma, a Igreja quer ensinar-nos como vencer as tentações de hoje. Vencemos o pecado praticando a virtude oposta a ele. Assim, para vencer o orgulho, devemos viver a humildade; para vencer a ganância devemos dar esmolas; para vencer a impureza, praticar a castidade; para vencer a gula, jejuar; para vencer a ira, aprender a perdoar; para vencer a inveja, ser bom; para vencer a preguiça, levantar-se e ajudar os outros. Essas são boas penitências para a Quaresma.
Todos os exercícios de piedade e de mortificação têm como objetivo livrar-nos do pecado. O jejum fortalece o espírito e a vontade para que as paixões desordenadas (gula, ira, inveja, soberba, ganância, luxúria, preguiça) não dominem a nossa vida e a nossa conduta.
A oração fortalece a alma no combate contra o pecado. Jesus ensinou: “É necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18,1b); “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26,41a); “Pedi e se vos dará” (Mt 7,7). E São Paulo recomendou: “Orai sem cessar” (I Ts 5,17).
A Palavra de Deus nos ensina: “É boa a oração acompanhada do jejum e dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro, porque a esmola livra da morte, e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna” (Tb 12, 8-9).
“A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados” (Eclo 3,33). “Encerra a esmola no seio do pobre, e ela rogará por ti para te livrar de todo o mal” (Eclo 29,15).
Então, cada um deve fazer na Quaresma um “programa” espiritual: fazer o jejum que consegue (cada um é diferente do outro); pode ser parcial ou total. Pode, por exemplo, deixar de ver a TV, deixar de ir a uma festa, a uma diversão, não comer uma comida de que gosta ou uma bebida; não dizer uma palavra no momento de raiva ou contrariedade, não falar de si mesmo, dar a vez aos outros na igreja, na fila, no ônibus; ser manso e atencioso com os outros, perdoar a todos, dormir um pouco menos, rezar mais, ir à Santa Missa durante a semana... Enfim, há mil maneiras de fazer boas penitências que nos ajudam a fortalecer o espírito para que ele não fique sufocado e esmagado pelo corpo e pela matéria.
A penitência não é um fim em si mesma; é um meio de purificação e santificação; por isso deve ser feita com alegria.
Prof. Felipe Aquino

UM MESTRE QUE DESCONCERTA

REFLEXÃO DO EVANGELHO

São muitas as categorias profissionais mencionadas nos textos do Novo Testamento: pescadores, viticultores, lavradores, pastores, tintureiros, copiadores de textos e assim por diante. Uma delas, no entanto, era particularmente pouco apreciada pelos judeus mais sinceros: a dos coletores de impostos. Seus responsáveis eram vistos como traidores do povo. Tiravam-lhe o dinheiro para dar aos ocupantes, esses romanos indesejáveis. Jesus teve entre seus discípulos e ouvintes cobradores de impostos, entre os quais Levi e Zaqueu. O evangelho deste sábado fala da conversão de Levi. Fala de sua vocação.

O tema da vocação é sempre muito caro. Nós, cristãos, não somos religiosos, “meros” seguidores de doutrinas e de “fazedores” de ritos. Sentimo-nos chamados ao seguimento do Senhor. Despreocupado, ocupando-se de colocar número e cifras no livro dos impostos e, quem sabe, pensando em desviar uma parte, lá estava Levi. E Jesus “viu” o homem em questão. Levi entrou no universo de Jesus. Tudo leva a crer que não houve nenhuma preparação prévia para esse chamamento. De repente, ecoa no ar: “Segue-me”. Estamos no universo do discipulado. Jesus organiza um grupo com o qual ele haveria de conviver e que seriam os continuadores de sua obra. O chamado se situa na linha do seguimento, é evidente.

O evangelista faz umas poucas e importantes observações: “Levi deixou tudo, levantou-se e o seguiu”. Presteza, prontidão, generosidade... Não há hesitação. Não se fala em conversas esclarecedoras, em protelação da decisão. Aquele que é chamado se joga confiante no convite de quem o chama. Logo se fala de um banquete oferecido pelo convertido. E Jesus se mistura com cobradores de impostos e pecadores. Os fariseus não viram com bons olhos uma postura tão aberta, tão condescendente.

Jesus não veio para chamar aqueles que já estão no caminho certo. Veio precisamente para se colocar ao lado daqueles que precisam empreender um caminho de conversão. O Reino novo do Mestre começa, precisamente, pela transformação do coração e por isso, o médico vem se ocupar dos doentes e dos fracos. Não há que admirar dessa condescendência.

Pode ser que a força do Ressuscitado ainda em nossos dias irrompa na vida de alguns na linha de tudo deixarem. As pessoas são tomadas de surpresa, no meio de seus negócios, de suas atividades, solteiras ou casadas. Hoje ainda muitos se sentem tocados. Por vezes querem dar a desculpa de que não são dignos, que são pecadores. Mas precisamente a grande marca do mundo de Jesus é a da misericórdia para com os corações contritos e arrependidos.

FONTE: www.franciscanos.org.br

EVANGELHO DO DIA: Lucas 5,27-32

Depois disso, Jesus saiu, e viu um cobrador de impostos chamado Levi, que estava na coletoria. Jesus disse para ele: «Siga-me.» Levi deixou tudo, levantou-se, e seguiu a Jesus. Depois, Levi preparou em casa um grande banquete para Jesus. Estava aí numerosa multidão de cobradores de impostos e outras pessoas sentadas à mesa com eles. Os fariseus e seus doutores da Lei murmuravam, e diziam aos discípulos de Jesus: «Por que vocês comem e bebem com os cobradores de impostos e com pecadores?» Jesus respondeu: «As pessoas que têm saúde não precisam de médico, mas só as que estão doentes. Eu não vim para chamar justos, e sim pecadores para o arrependimento.»