Os textos e fotografias produzidos pela equipe da PASCOM da Paróquia São José – C. dos Dantas podem ser livremente utilizados, mencionando-se o blog http://www.montedogalo2009.blogspot.com/ como fonte

27 de out de 2009

Meu sacerdócio e uma desconhecida...

Em 1869 estavam juntos o bispo de uma diocese na Alemanha e seu hospede, o bispo Ketteler de Mainz (1811-1877). Durante a conversa o bispo diocesano elogiava as tantas obras benéficas de seu hospede. Mas o bispo Ketteler explicou ao seu interlocutor:“Tudo o que alcancei com a ajuda de Deus, o devo às preces e ao sacrifício de uma pessoa que não conheço. Posso somente dizer que alguém ofereceu a Deus sua vida em sacrifício para mim e graças a isso tornei-me sacerdote”.
E continuou: “Antes eu não me sentia destinado ao sacerdócio. Eu havia prestado alguns exames na faculdade de direito e desejava fazer uma rápida carreira que me permitisse ter um lugar de prestígio no mundo, ser respeitado e ganhar muito dinheiro. Um evento extraordinário, porém impediu-me tudo isso e conduziu minha vida em outras direções. Uma noite, enquanto eu estava sozinho no meu quarto, abandonei-me aos meus sonhos de ambição e aos planos para o futuro. Não sei o que me aconteceu, não sei se estava acordado ou não. O que eu via era a realidade ou um sonho? Só uma coisa sei com certeza: vi aquilo que sucessivamente provocou a virada da minha vida. Claro e límpido, Cristo estava por cima de mim numa nuvem de luz e mostrava-me seu Sagrado Coração. Frente a Ele estava uma freira ajoelhada com as mãos erguidas em posição de imploração. Da boca de Jesus ouvi as seguintes palavras: ‘Ela reza ininterruptamente por ti!’. Eu via com clareza a figura da irmã, e sua fisionomia me impressionou de maneira tão forte que ainda hoje a tenho frente aos meus olhos. Ela me parecia uma pessoa muito simples. Sua roupa era pobre e rude, suas mãos avermelhadas e calosas pelo trabalho pesado. Qualquer coisa que tenha sido, um sonho ou não, para mim foi extraordinário pois fui atingido no íntimo e a partir daquele momento resolvi me consagrar inteiramente a Deus no serviço sacerdotal. Recolhi-me num mosteiro para os exercícios espirituais e conversei sobre tudo isso com meu confessor. Comecei os estudos de teologia aos trinta anos. O resto o senhor já conhece. Se agora o senhor acredita que algo de bom foi feito com minha intermediação, saiba de quem é o mérito: daquela irmã que rezou por mim, talvez sem sequer me conhecer. Tenho certeza que por mim se rezou e ainda se reza em segredo e que sem aquela prece eu não poderia alcançar a meta à qual Deus me destinou”.
“Tem idéia de quem reza pelo senhor e onde?” perguntou o bispo diocesano.
“Não. Posso somente pedir a Deus que a abençoe, se ainda vive, e que lhe devolva mil vezes o que fez por mim”.
No dia seguinte, o bispo Ketteler foi visitar um convento de freiras na cidade próxima e celebrou para elas a S. Missa na capela. Quando estava prestes a terminar a distribuição da S. Comunhão, já na ultima fileira, seu olhar deteve-se sobre uma irmã. Seu rosto empalideceu e ele ficou imóvel, mas logo retomou-se e deu a comunhão à freira que não percebera nada e estava devotadamente ajoelhada. Então concluiu serenamente a liturgia. Para o café da manhã chegou ao convento também o bispo diocesano do dia anterior. O bispo Ketteler pediu à madre superiora que lhe apresentasse todas as irmãs e elas chegaram imediatamente. Os dois bispos se aproximaram e Ketteler as cumprimentava observando-as, mas via-se com clareza que não encontrava o que estava procurando. Em voz baixa dirigiu-se à madre superiora: “Estão todas aqui as irmãs?”
Ela olhando o grupo respondeu: “Excelência, mandei chamá-las todas, mas de fato falta uma!”
“E porque não veio?”
A madre respondeu: “Ela cuida do estábulo, e de maneira tão exemplar que às vezes no seu zelo esquece das outras coisas”.
“Desejo conhecer esta irmã”, disse o bispo.
Pouco depois a freira chegou. Ele empalideceu e após ter dirigido algumas palavras a todas as freiras pediu para ficar a sós com ela.
“Você me conhece?” perguntou.
“Excelência, eu nunca o vi!”.
“Mas você rezou e ofereceu boas obras por mim?” queria saber Ketteler.
“Não tenho consciência disto, pois não sabia da existência de Vossa Excelência”.
O bispo ficou alguns instantes imóvel em silêncio, depois continuou com outras perguntas. “Quais devoções ama mais e pratica com maior freqüência?”
“A veneração ao Sagrado Coração”, respondeu a irmã.
“Parece que você tem o trabalho mais pesado de todo o convento!” continuou. “Ah não, Excelência! Certamente não posso negar que às vezes me repugna”.
“Então o que você faz quando é atormentada pela tentação?”.
“Acostumei-me a enfrentar, por amor a Deus, com zelo e alegria todas as tarefas que me custam muito e depois oferecê-las por uma alma no mundo. Será o bom Deus a escolher a quem dar a Sua graça, eu não quero saber. Também ofereço a hora de adoração da noite, das vinte às vinte e uma horas, para essa intenção”.
“E como teve a idéia de oferecer tudo isso por uma alma?”
“E’ um costume que eu já tinha quando ainda vivia no mundo. Na escola o pároco nos ensinou que devíamos rezar pelos outros como se faz para os próprios parentes. E também acrescentava: ‘Seria necessário rezar muito para aqueles que correm o risco de se perderem para a eternidade. Mas visto que só Deus sabe quem tem mais necessidade, a coisa melhor seria oferecer as orações ao Sagrado Coração de Jesus, confiantes na sua sabedoria e onisciência’. E assim eu fiz, e sempre acreditei que Deus encontra a alma certa”.
“Quantos anos você tem?” Perguntou Ketteler.
“Trinta e três anos, Excelência”.
O bispo, impressionado, interrompeu-se um instante e depois perguntou: “Quando você nasceu?”
A irmã disse o dia de seu nascimento.
O bispo então fez uma exclamação: tratava-se exatamente do dia de sua conversão! Ele a vira exatamente assim, à sua frente como estava naquele momento. “Você não sabe se as suas preces e os seus sacrifícios tiveram sucesso?”
“Não, Excelência”.
“E não gostaria de saber?”.
“O bom Deus sabe quando fazemos algo de bom, isso me basta”, foi a simples resposta.
O bispo estava abalado: “Então, pelo amor de Deus, continue com essa obra!”. A irmã ajoelhou-se à sua frente e pediu a benção. O bispo levantou solenemente as mãos e com profunda comoção disse: “Com os meus poderes episcopais, abençôo sua alma, suas mãos e o trabalho que elas cumprem, abençôo suas orações e seus sacrifícios, seu domínio de si e sua obediência. A abençoo principalmente para sua última hora e peço a Deus que a assista com Sua consolação”.
“Amém”, respondeu pacata a irmã e se afastou.
Fonte: Congregatio Pro Clericis

ABRE-TE!


Effathá! Dizes-nos Tu Senhor, permanentemente, e nós continuamos calados, sem falarmos do Teu amor a toda a gente.
Effathá! Dizes-nos Tu Senhor, permanentemente, e nós continuamos surdos, sem queremos ouvir a Tua voz.
Effathá! Dizes-nos Tu Senhor, permanentemente, e nós continuamos de coração fechado, sem deixarmos que habites em nós.
Effathá! Dizes-nos Tu Senhor, permanentemente, e nós continuamos de mente fechada, tentando controlar a fé, com a razão.
Effathá! Dizes-nos Tu Senhor, permanentemente, e nós continuamos ausentes, longe da Tua Palavra, longe da oração.
Effathá! Dizes-nos Tu Senhor, permanentemente, e nós continuamos de braços fechados, sem acolher o nosso irmão.
Mas Tu Senhor não desistas, de abrir as nossas bocas, de abrir os nossos ouvidos, de abrir os nossos corações, de abrir as nossas mentes, de abrir os nossos braços.
Que em cada hora e minuto, do tempo que a Tua vida nos dá, nós possamos sempre ouvir a voz do teu amor, que nos diz permanentemente, Effathá! Effathá! Effathá!

REFLEXÃO DO DIA - Terça-Feira 27/10

E Jesus dizia: "A que é semelhante o Reino de Deus, e com o que eu poderia compará-lo? Ele é como a semente de mostarda que um homem pega e joga no seu jardim. A semente cresce, torna-se árvore, e as aves do céu fazem seus ninhos nos ramos dela." Jesus disse ainda: "Com o que eu poderia comparar o Reino de Deus? Ele é como o fermento que uma mulher pega e mistura com três porções de farinha, até que tudo fique fermentado." (Lc 13, 18-21)
Muitas vezes falamos que o Reino de Deus é sobrenatural, mas queremos que ele se manifeste em coisas naturais grandiosas. Isto demonstra que na verdade vemos a sua grandiosidade, mas não percebemos a sua natureza, o que faz com que a grandiosidade seja vista a partir da materialidade, o que é um erro, e não a partir da grandiosidade que Deus faz a partir do pequeno, do grão de mostarda ou da levedura do fermento, ou seja, das pequenas coisas que surpreendem os que olham com o olhar da fé a realidade. Deus escolhe as coisas pequenas do mundo para revelar o Reino, e nos mostra a força do seu braço a partir das transformações que os pequenos realizam no dia a dia.
Fonte: CNBB