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22 de jan de 2010

FÉ FÁCIL

Crer em Deus custou caro para Moisés, para Jacó, para Jeremias, para Paulo, para Pedro e os demais apóstolos, para Estevão, Agostinho, Gregório Magno, Maomé e para milhares de pregadores da sua existência. Todos eles sofreram profundamente enquanto buscavam um sentido para sua fé em Deus.
É do místico e papa Gregório Magno (540-604) a afirmação de que Deus é uma experiência angustiante e que é difícil alcançá-lo, porque ele permanece oculto numa escuridão impenetrável. Nada sabemos sobre Ele. Procurá-lo com sinceridade dói.
Moisés, Jeremias e Paulo tiveram vislumbres. Milhares morreram por afirmarem sua existência. A leitura da vida dos patriarcas e dos grandes santos e místicos mostra que ninguém chega a Deus sem atravessar a barreira do seu ego e a ciladas dos sentidos. Ambos nos puxam para trás. Libertar-se do egoísmo, do conforto e do orgulho dói. Sai-se esfolado da refrega, descrita simbolicamente na luta hercúlea de toda uma noite que Jacó travou com o anjo do Senhor. (Gn 32,35)
Fé fácil teve Salomão que mentiu para sua mãe e começou por matar seu irmão Adonias para não perder o trono (1 Rs 2,24-28). Matou também quem servira seu pai. Construiu para Deus um templo majestoso e, logo depois, um ainda maior e mais rico palácio para si mesmo. Disse ter visto Deus duas vezes. Foi riquíssimo e teve tudo o que queria, começando pelas suas 300 mulheres e 700 concubinas que, segundo 1 Rs 11,3, lhe perverteram o coração. O rei que viu Deus duas vezes terminou por adorar Astarote deusa dos sidônios.
Com enorme aparato e com eficiente marketing Salomão se fez passar por vidente, todo poderoso, infalível, sábio e justo. A leitura de sua vida mostra um crente que foi deixando de ser bom. A fama, a riqueza e sua falsa noção de Deus o levaram a uma vida de luxo, de ira, de manipulação da fé e das pessoas ao seu redor. Morreu adorando Quemós, Moloque e outros deuses.
Ao que tudo indica não sofreu pela fé. Mudava de Deus a seu bel prazer. Este, o grande perigo da fé fácil e confortável que traz riquezas, fama e sucesso ao pregador. Ele nunca sabe se terminará seus dias no colo do verdadeiro Deus ou do Deus confortável e recompensador que ele criou.
Em tempos de igrejas de resultado e de pregadores que enriquecem a olhos vistos, convém lembrar homens como Gideão, Salomão, Jeremias, Paulo, e Simão o Mago. São histórias sobre quem serviu à verdade e quem a manipulou por riquezas e poderes.

DOS QUE FORAM CHAMADOS PARA SEREM ENVIADOS

REFLEXÃO DO EVANGELHO - Marcos 3,13-19

Um dos temas fundamentais do Novo Testamento é o da vocação daqueles que foram chamados a viver intimidade com Cristo para depois serem enviados. Nós os designamos de apóstolos. A Conferência de Aparecida fala de discípulos missionários. O texto do evangelho de hoje nos faz pensar de modo especial, nos bispos e sacerdotes, mas alargamos o horizonte e incluímos todos os batizados, porque o cristão é sempre um convocado para a ação. Pelo testemunho e pela palavra são enviados, agem na continuação do agir de Cristo. Que missão mais nobre e mais importante do que esta?
São curiosas algumas observações de Marcos. O evangelista empresta solenidade ao momento. Jesus sobe a um monte, ou seja, espaço típico de maior proximidade com Deus. Chama a todos com liberdade absoluta. Chama quem quer. “E eles foram até ele”. Ou seja, responderam o chamado. A iniciativa, porém, foi de Cristo.
Na parte central do texto vem descrita a identidade dessa nova comunidade. “Então Jesus designou doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar com autoridade para expulsar demônios”. Há dois momentos: estar com o Senhor, privar da intimidade do Senhor e depois serem enviados. Esta será sempre a norma dos que agem em nome de Cristo. Haverão eles de estar com o Senhor no silêncio da consciência, na leitura do Evangelho, na oração de intimidade, na vivência gozosa em fraternidade. Assim forjados, serão enviados.
A Igreja toda tem a mesma dinâmica. Há um momento do estar junto, partilhar a Palavra, comer o pão, tempo do ”vede como eles se amam”. E depois é o ir pelo mundo e tentar expulsar o mal das engrenagens deste mesmo mundo que foi amado pelo Mestre e pelo qual ele deu a própria vida.
Apóstolos que são enviados! Estamos num tempo de urgente evangelização. Um biógrafo de Francisco de Assis (sec. XX) fala da urgência da evangelização naquele tempo e nos nossos tempos: “Neste mundo de mutação elevam-se pungentes apelos humanos, algumas vezes angustiantes: apelos de mais tolerância e liberdade, de mais justiça, de mais participação nas decisões e nas responsabilidades, desejo de paz garantida pelo respeito dos direitos do homem e dos povos... Hoje, como no tempo de Francisco, estes apelos partem do coração dos pobres e dos pequenos. Constituem o grito de todos os famintos e dos oprimidos de todos os lados. Homens e mulheres carregam , em sua carne ferida e em sua dignidade desrespeitada, as verdadeiras ânsias do homem e o segredo do mundo futuro” (Éloi Leclerc, Francisco de Assis. O Retorno ao Evangelho, Vozes/CEFEPAL, 1983, Petropolis, p. 127)

Evangelho do dia – Marcos 3,13-19

Jesus subiu ao monte e chamou os que desejava escolher. E foram até ele. Então Jesus constituiu o grupo dos Doze, para que ficassem com ele e para enviá-los a pregar, com autoridade para expulsar os demônios. Constituiu assim os Doze: Simão, a quem deu o nome de Pedro; Tiago e João, filhos de Zebedeu, aos quais deu o nome de Boanerges, que quer dizer «filhos do trovão»; André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão o cananeu, e Judas Iscariotes, aquele que depois o traiu.