Os textos e fotografias produzidos pela equipe da PASCOM da Paróquia São José – C. dos Dantas podem ser livremente utilizados, mencionando-se o blog http://www.montedogalo2009.blogspot.com/ como fonte

4 de jan de 2010

A escolha do amor

Todos os dias fazemos escolhas em nossas vidas. Algumas escolhas são mais simples; outras, mais complexas. Escolhemos a roupa, o sapato, a alimentação, o trajeto. Escolhemos a escola, o trabalho, as prioridades. Como não é possível resolver todos os problemas de uma única vez, vamos escolhendo aqueles que precisam ser solucionados antes. Escolhemos no supermercado, na loja, a forma de pagamento.
Algumas escolhas simples ficam complicadas quando complicamos a vida. Fazer um almoço se torna um calvário para quem está angustiado. Ter de escolher o que fazer e que agrade às outras pessoas da família parece um trabalho insano.Escolher a escola dos filhos. Escolher a mudança de emprego. Aos poucos as escolhas vão exigindo mais reflexão e o resultado da escolha vai ficando mais sério. Uma coisa é escolher a comida errada no cardápio e decidir que não vai pedir mais aquele prato. Outra coisa é perceber que casou com a pessoa errada. A escolha do casamento tem de ser mais demorada do que a do produto de uma prateleira em um supermercado.
Como somos imperfeitos, a dúvida sempre fará parte de nossas escolhas. E é diante da dúvida que amadurecemos. Pessoas que têm certezas absolutas erram mais e sofrem mais com isso. A dúvida nos torna mais humildes, mais abertos ao diálogo.Nesses momentos é que percebemos a nossa maturidade frente aos obstáculos. Os mais concretos ou os mais abstratos.
Nesse início de ano, uma modesta sugestão: diante das dúvidas que surgirem, escolha o amor. Diante de sentimentos mesquinhos como a inveja, o ciúme, a vingança; escolha o amor. Antes de falar, pense. Mas pense com amor. Antes de agredir, lembre-se de que o tempo da cicatriz é mais demorado do que o tempo do comedimento. Antes de usar a palavra como instrumento de maldizer, lembre-se de que o silêncio é o grande amigo e de que, na dúvida, o outro deve receber a sua compaixão. Diante do comodismo, da alienação, escolha o amor em ação. Assim fizeram os apóstolos, mesmo sabendo que seriam incompreendidos; assim fez Francisco de Assis quando ousou chamar a todos de irmãos; ou João Bosco com os jovens que só se aquietavam quando se sentiam amados. Assim fez Madre Tereza de Calcutá que fazia a escolha do amor diante de cada próximo que dela precisasse.
Diante da boa dúvida, é bom pedir ajuda. Para os irmãos e para Deus, a Essência do Amor.
Os desafios são muitos. É por isso que sozinho fica difícil. Como diz a canção:
Eu pensei que podia viver, por mim mesmo. Eu pensei que as coisas do mundo não iriam me derrubar.
E a oração continua e, com ela, nossa certeza: Tudo é do Pai. Toda honra e toda glória. É Dele a vitória alcançada em minha vida.
Que sejamos responsáveis em nossas escolhas mais simples ou mais complexas. Mais uma vez, com amor, tudo fica mais fácil e mais bonito!
Gabriel Chalita

Tragédia em Angra dos Reis: ó Deus, onde estás?

Virada do Ano. Tudo era alegria. Lá no fundo todos estavam pedindo as bênçãos divinas para terem um ano feliz. Os Reis Magos, protetores da cidade, já estavam a caminho de Belém. Mas ainda não haviam chegado. Na realidade se encontravam em Jerusalém, a capital, para tentar entender os sinais que haviam visto no céu. Onde estaria o Messias que acabara de nascer?
Buscaram a informação no lugar errado, justamente no palácio de Herodes, aquele que seria capaz de qualquer atrocidade para garantir seu trono. Assim mesmo Deus não os abandonou: a estrela divina voltou a brilhar no céu e os conduziu com segurança até o local onde se encontrava o Menino, que recebeu de braços abertos até mesmo aqueles "pagãos" vindos de terras distantes. Com isso fica já explicitado que o Menino é Deus e a expressão salvífica de Deus para todos os povos, sem distinções. Acolhe sorrindo a todos que o acolhem.
Na busca de resposta para os dramas da existência muitos batem na porta errada. Não vão atrás de pessoas sábias, mas de pessoas que se aproveitam da crendice popular. Ou vão buscar as bênçãos com quem não pode abençoar. E sobretudo, vão entender a bênção de uma maneira inadequada. Pensam que bênção significa "sorte", quem sabe "ganhar na mega sena", ou esperar que tudo dê certo ao longo dos 365 dias do novo Ano.
Diante de tragédias como essa de Angra dos Reis, onde umas 50 pessoas perderam a vida, muitos são os que se perguntam: mas afinal, que Deus é esse que em vez de bênção parece mandar maldições? Repetindo uma frase que nada tem de original, mas que brota sempre nos momentos de angústia, vão interpelar Deus, quem sabe cheios de amargura: Onde se encontra Deus em momentos tão trágicos?
A festa dos Reis é um relato cheio de sabedoria. São Mateus, um dos apóstolos que conheceu Maria e muitas outras pessoas fidedignas que "guardavam todas as coisas maravilhosas no seu coração", mas ao mesmo tempo iam passando de boca em boca as maravilhas de Deus, elaborou os fatos de uma maneira magistral. Antes de mais nada foi revelando o verdadeiro rosto de Herodes, proclamado como "o grande". Ele era um assassino, e ponto.
Em seguida foi mostrando que o Filho de Deus não foi nenhum "sortudo". Pelo contrário, desde pequenino foi perseguido, teve que enfrentar 500 quilômetros de deserto, teve que viver no exílio.... e nem pensou em pedir fortunas por presumíveis "danos morais". Com a força que lhe vinha do alto, enfrentou os desafios.
O relato de São Mateus vai mais longe ainda, como fica explicitado em outros episódios, sobretudo naquele que culminou no alto do Calvário: aos seus amados Deus não promete vida fácil, nem felicidade ao alcance da mão. Deus mostra sua presença através de sinais por vezes estranhos, de difícil compreensão, mas que no final acabam revelando a sabedoria de Deus.
Jesus, por experiência própria não iria deixar dúvidas: seu caminho é estreito; quem quiser seguí-lo nem sempre vai encontrar auto estradas em bom estado de conservação. A vida terrestre é assim mesmo, cheia de contradições, para que ninguém caia na tentação de sonhar com uma morada definitiva onde só há lugar para tendas. Para São Mateus, como de um modo ou de outro para todos os Evangelistas, sò encontra Deus quem està sempre a caminho, abrindo caminho em meio às aparentes contradições da vida.
E agora, voltando a Angra dos Reis, cidade tão ligada a um acontecimento magistralmente elaborado por São Mateus: por que tragédia tão grande justamente na época do Natal e na festa dos protetores da cidade? Difícil de encontrar uma resposta. Mas uma coisa é certa: mesmo nas tragédias Deus emite sinais, que devem ser devidamente interpretados. Por vezes nos parecem sinais negativos, mas que na realidade são muito positivos.
Assim seguramente na tragédia de Angra Deus não se encontrava ausente, e muito menos quis castigar; simplesmente quis recordar a todos que a felicidade que Ele promete não se confunde com facilidade, nem com momentos passageiros de bem estar. O verdadeiro Deus não é o Deus da prosperidade. É simplesmente o Deus que nos recorda continuamente que nossa vida na terra está sempre por um fio.
Por isso mesmo é preciso viver intensamente cada momento, como Jesus viveu, e estar sempre preparado, pois não sabemos nem o dia nem a hora em que Deus nos chamará de volta para sua casa. Assim podemos dizer que Deus tanto está presente nos momentos do que denominamos de felicidade, quanto nos momentos que julgamos serem de desgraça. Pois para Deus todos os momentos são de graça, embora nem sempre nos encontramos em condições de interpretar os sinais que Ele emite. A estrela que guiou os sábios do Oriente por vezes desaparece; mas quem persevera na caminhada de fé sempre irá reenconcontrá-la, e sempre acabará chegando onde Deus se encontra na forma de uma criança frágil, mas revestida da força do alto.
Frei Antônio Moser, teólogo

REFLEXÃO DO DIA - Segunda-Feira 04/01

Ao saber que João tinha sido preso, Jesus voltou para a Galiléia. Deixou Nazaré, e foi morar em Cafarnaum, que fica às margens do mar da Galiléia, nos confins de Zabulon e Neftali, para se cumprir o que foi dito pelo profeta Isaías: «Terra de Zabulon, terra de Neftali, caminho do mar, região do outro lado do rio Jordão, Galiléia dos que não são judeus! O povo que vivia nas trevas viu uma grande luz; e uma luz brilhou para os que viviam na região escura da morte.» Daí em diante, Jesus começou a pregar, dizendo: «Convertam-se, porque o Reino do Céu está próximo.» Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando a Boa Notícia do Reino, e curando todo tipo de doença e enfermidade do povo. E a fama de Jesus espalhou-se por toda a Síria. Levaram-lhe todos os doentes atingidos por diversos males e tormentos: endemoninhados, epiléticos e paralíticos. E Jesus os curou. Numerosas multidões da Galiléia, da Decápole, de Jerusalém, da Judéia e do outro lado do rio Jordão começaram a seguir Jesus. (Mt 4,12-17.23-25)

Estamos no início da pregação de Jesus. Ele deixa Nazaré e vai morar em Cafarnaum, no território de Zabulon e Neftali, na Galiléia dos pagãos. Ali ele começa a anunciar a luminosidade do Evangelho. Vemos Jesus como pregador. Na região brilhou uma grande luz. O tema da luz, da grande luz, toma conta de nosso horizonte.
O tempo da natal é marcado pelo tema da luminosidade. Há a luz da estrela sobre o presépio do Menino, luz que convoca os Magos.. Nesse Jesus, agora adulto, se realizam as profecias do Antigo Testamento. Um povo que andava nas trevas viu uma grande luz. Jesus tem muitos nomes: pastor, porta, ungido, caminho. Mas é luz. Não se pode esconder a luz debaixo da mesa. Os que andam com Jesus caminham na luz porque Jesus é a luz do mundo. Durante a sua vida deverá ele travar um duro combate com as trevas, luta que vai durar até o momento da cruz. As trevas quererão vencê-lo como também desejarão derrotar os cristãos, iluminados a partir de seu batismo. Com seu modo de ser, com uma claridade misteriosa da qual está revestido porque ele vem da luz do Pai, com as palavras que profere o Messias arranca os povos das trevas e os leva para a claridade.
Verdade que, nem sempre, os circunstantes puderam ver a luz no rosto de Cristo. Ele era tão parecido com tantos outros nazarenos. Mais tarde, bem mais tarde, seu rosto seria mesmo desfigurado, na hora das trevas, no momento da paixão. Realmente as trevas pareciam vitoriosas.
Na caminhada terrena do Messias houve um momento de particular luminosidade. Sobre a montanha seu rosto se transfigurou e brilhou como o sol. A transfiguração tinha sido um prenúncio da luz da páscoa. Na clara manhã da ressurreição vitoriosa brilharia para sempre a luz do Senhor e nós, seus discípulos, conheceríamos nossa vocação de serem iluminados na luz da ressurreição.
A pregação do Messias é luz. A evangelização é luz. A Igreja tem que anunciar a conversão, como Jesus, porque respondendo ao apelo de transformação do coração os fiéis se iluminam e são blindados contra as trevas. Pregar a conversão é anunciar a iluminação. Antigo documento da catequese da Igreja da Itália afirma que o ministério da pregação reúne homens e mulheres na Igreja mediante a fé A Igreja continua a pregação de Jesus no convite à conversão. “Aquele que, movido pelo Espírito, procura ser atento e dócil à palavra de Deus, percorre um itinerário de conversão a Cristo, abandonando sua própria vontade, conformando-se com Cristo, comprometido com a Igreja e levando vida nova para o mundo. O cristão segue um itinerário de conversão que pode comportar, ao mesmo tempo, a alegria do encontro e contínua exigência de busca posterior; o arrependimento pela infidelidade e a coragem de recomeçar; a paz pela descoberta e o desejo de novos conhecimentos, a certeza da verdade e a constante necessidade de novas luzes” (Il rinovamento della catechesi, CEI, n. 17).

Para começar o dia



Bendito és tu, Pai Santo, fonte de vida, do amor e da paz!
Por tua bondade deste-me a graça de mais um dia.
Que este dia seja para a glória de teu nome e para o meu crescimento na fé.
Quero ser instrumento de tua paz e de teu amor.
Dá-me teu Santo Espírito, para que eu trate bem as pessoas que encontrar neste dia.
Por onde passar hoje,
que eu deixe uma semente de teu reino e um sinal de tua presença.


Padre Luiz Cechinato