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14 de mar de 2010

Centenário de Nascimento de Dom José Adelino Dantas

Assim escreveu Dom Heitor de Araújo Sales, quando Bispo de Caicó, sobre o seu Professor Dom José Adelino Dantas:

DOM JOSÉ ADELINO DANTAS

O Rio Grande do Norte pode se orgulhar de ter tido grandes e eminentes filhos. Entre eles, alinha-se, nos primeiros lugares, Dom José Adelino Dantas. Grande como sacerdote do Senhor, eminente como homem de cultura.
Ainda no primeiro ano de sacerdócio, foi chamado pelo então bispo de Natal, Dom Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas, para desempenhar o importante cargo de reitor do Seminário de São Pedro. Todos os que passamos pelo Seminário de Natal de 1935 a 1952 podemos testemunhar a piedade, o zelo no serviço de Deus, a dedicação à Igreja daquele sacerdote que, pouco a pouco, ia plasmando na alma e no coração dos jovens a figura do colaborador íntimo do Salvador dos homens. Dom Adelino foi um homem de Igreja, profundamente fiel às diretrizes de seu Bispo e da Santa Sé. Fomentava não só a obediência ao Papa e ao Bispo, mas também o amor e o carinho. Ao celebrar a Santa Missa, sua fé transparecia em suas atitudes de profunda piedade e até no seu tom de voz. Qualquer coisa que pudesse denotar mesmo uma pequena irreverência por parte de alguém na Capela do Seminário era por ele imediatamente condenada. O fautoso repreendido com voz mansa, mas publicamente para servir de exemplo para os outros. Era seu amor pela Eucaristia que assim o levava a agir. Sabia participar da vida dos recreios, pois era um homem que sabia sentir com os outros. Assim, foi ele depois como 2º bispo de Caicó (1952-1958), como 6º bispo de Garanhuns (1958-1967), como 2º bispo de Rui Barbosa (1967-1975) e, finalmente, como bispo emérito em Carnaúba dos Dantas, terra que escolheu para, mesmo doente e alquebrado pelos anos, dar a Deus as últimas forças no desempenho na sua missão de sacerdote.
Mas, se brilhou tanto como sacerdote, não foi menor a sua luminosidade como homem de cultura. Profundo conhecedor da língua e da literatura latinas, foi grande professor de muitas disciplinas. Suas aulas jamais eram monótonas. Sabia transmitir os conhecimentos de maneira profunda e atraente. Com facilidade, compunha versos na difícil métrica da poesia latina. Foi um grande discípulo e grande amigo de Padre Monte, como ficou conhecido sábio e santo o Cônego Luiz Gonzaga do Monte. Nos tempos da segunda Guerra Mundial, serviu em Natal um tenente, metido a intelectual, que foi fragorosamente derrotado numa polêmica pelos jornais que se tornou famosa na época. Depois da morte do Padre Monte, o tenente voltou a atacar a Igreja. Veio, então, a campo o então Cônego Adelino demonstrando toda sua cultura suas qualidades de polemista. Ao final do primeiro artigo, concluiu: “O Pe. Monte morreu, mas seus discípulos estão vivos. Cuidado com eles!”
Durante toda a vida, guardou sempre o gosto pelos estudos e pela pesquisa. Soube sempre incentivar as grandes qualidades do seridoense, a quem também não poupava a crítica quando era necessária para fazê-lo crescer.
Foi assim D. Adelino. Grande figura humana. Sabia cativar a todos por sua conversa amiga, por sua grande bondade, por seu desprendimento. Foi uma glória para o Seridó.



(Do livro "Dom JOSÉ ADELINO DANTAS - 2º Bispo de Caicó-RN - Separata do Livro Carnaúba dos Dantas Terra da Música, de Donatilla Dantas")

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