Os textos e fotografias produzidos pela equipe da PASCOM da Paróquia São José – C. dos Dantas podem ser livremente utilizados, mencionando-se o blog http://www.montedogalo2009.blogspot.com/ como fonte

11 de abr de 2011

A CRESCENTE VIOLÊNCIA RECLAMA A PAZ

Neste início de ano o crescente índice de violência no Seridó tem assustado a população. Crimes e mais crimes, homicídios, acidentes de carro e moto, assaltos e roubos, propagação de drogas aterrorizam a comunidade. Vidas estão sendo ceifadas tragicamente. O temor é grande! Isso sem falar no que se vê na televisão. E todos ficam a pensar: se está acontecendo com o vizinho, a qualquer hora pode acontecer conosco. O efeito psicológico destes tristes acontecimentos é grande. As pessoas ficam em estado de choque, de pavor, com receio de fazer as coisas que normalmente vinham fazendo. É a síndrome da violência.

Ora, a união de vários fatores está gerando a situação caótica do tempo presente: o relativismo ético, onde cada um age como quer, seguindo a própria cabeça, sem se orientar por princípios e valores permanentes; a falta de orientação familiar e de religião; o anseio consumista, alimentado pela propaganda intensiva; a fraqueza humana de pessoas forjadas numa era que a educação não forma cidadãos de caráter forte e sadio; a inércia do Estado diante dos desmandos e dos descumprimentos da legislação, além das leis caducas e dos mecanismos jurídicos cheios de artifícios que não conseguem frear o avanço da violência e das injustiças.

O mal da violência está aí. Ignorá-lo é não querer ver seus efeitos e danos causados ao individuo e à sociedade. Ora, qualquer ação efetiva contra a violência se planeja a partir da constatação da sua presença. Ignorá-la ou achar que ela é normal se converte num mal maior, porque não se faz nada para combatê-la.

O outro lado da moeda é a paz. Viver em paz é um sonho. A paz é fruto da justiça. Este imperioso valor tem sido relegado e esquecido. As conseqüências deste esquecimento são nefastas. Quando a comunidade humana esquece o valor da paz e deixa de construí-la, dia-a-dia, termina substituindo-a pela violência. O caminho da harmonia, do entendimento na convivência social, passa pela não-violência. Gandhi, o profeta da não-violência da Índia, nos ensina que violência gera violência e que só podemos conceber um mundo justo e pacífico a partir de ações não-violentas. São estas ações que geram a paz.

A falta da orientação divina, na vida das pessoas, deixa um imenso vazio, que normalmente é preenchido pelos ímpetos da ânsia do poder e da prepotência. O resultado disso é o império dos conflitos que desemboca na violência, causando tantos males ao ser humano, principalmente ferindo a sua dignidade e semeando a morte. O ser humano é um animal que tem suas necessidades. Atendê-las é uma questão vital. Mas, quando o faz sem os critérios da razão e dos valores humanos e espirituais, seguindo apenas aos instintos, torna-se um ser perigoso, de índole maléfica, que não mede as conseqüências da sua ação.

Se alguém é portador de uma enfermidade, a primeira coisa a fazer é o diagnóstico correto para aplicar a terapia adequada a fim de curá-la. O diagnóstico constata o tipo de enfermidade e o médico, a partir dele, indica o tratamento viável. Quando dizemos que não há enfermidade, logo não há necessidade de tratamento. Mas, se alguém de fato está enfermo e não se faz o diagnóstico e, portanto, não se trata, o estado do enfermo se complica e pode vir a óbito. Se a presença do mal na sociedade não é identificada, se tudo é relativizado, tudo é tido como normal, cada um faz o que quer, o resultado é o caos, a completa falta de condições de convivência social.

Jesus Cristo, o Senhor da Vida, nos convoca a agir sempre em vista da paz. O seu mandamento do amor leva à paz e, portanto, à superação da violência. A presença de Deus na vida do ser humano a enche de força para construir a paz. Que o Senhor mostre a todos e, em especial, aos seridoenses o caminho da paz. A Paz é o sonho da maioria e não a violência


Dom Manoel Delson Pedreira da Cruz

Bispo Diocesano de Caicó - RN.

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