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4 de jan de 2010

Tragédia em Angra dos Reis: ó Deus, onde estás?

Virada do Ano. Tudo era alegria. Lá no fundo todos estavam pedindo as bênçãos divinas para terem um ano feliz. Os Reis Magos, protetores da cidade, já estavam a caminho de Belém. Mas ainda não haviam chegado. Na realidade se encontravam em Jerusalém, a capital, para tentar entender os sinais que haviam visto no céu. Onde estaria o Messias que acabara de nascer?
Buscaram a informação no lugar errado, justamente no palácio de Herodes, aquele que seria capaz de qualquer atrocidade para garantir seu trono. Assim mesmo Deus não os abandonou: a estrela divina voltou a brilhar no céu e os conduziu com segurança até o local onde se encontrava o Menino, que recebeu de braços abertos até mesmo aqueles "pagãos" vindos de terras distantes. Com isso fica já explicitado que o Menino é Deus e a expressão salvífica de Deus para todos os povos, sem distinções. Acolhe sorrindo a todos que o acolhem.
Na busca de resposta para os dramas da existência muitos batem na porta errada. Não vão atrás de pessoas sábias, mas de pessoas que se aproveitam da crendice popular. Ou vão buscar as bênçãos com quem não pode abençoar. E sobretudo, vão entender a bênção de uma maneira inadequada. Pensam que bênção significa "sorte", quem sabe "ganhar na mega sena", ou esperar que tudo dê certo ao longo dos 365 dias do novo Ano.
Diante de tragédias como essa de Angra dos Reis, onde umas 50 pessoas perderam a vida, muitos são os que se perguntam: mas afinal, que Deus é esse que em vez de bênção parece mandar maldições? Repetindo uma frase que nada tem de original, mas que brota sempre nos momentos de angústia, vão interpelar Deus, quem sabe cheios de amargura: Onde se encontra Deus em momentos tão trágicos?
A festa dos Reis é um relato cheio de sabedoria. São Mateus, um dos apóstolos que conheceu Maria e muitas outras pessoas fidedignas que "guardavam todas as coisas maravilhosas no seu coração", mas ao mesmo tempo iam passando de boca em boca as maravilhas de Deus, elaborou os fatos de uma maneira magistral. Antes de mais nada foi revelando o verdadeiro rosto de Herodes, proclamado como "o grande". Ele era um assassino, e ponto.
Em seguida foi mostrando que o Filho de Deus não foi nenhum "sortudo". Pelo contrário, desde pequenino foi perseguido, teve que enfrentar 500 quilômetros de deserto, teve que viver no exílio.... e nem pensou em pedir fortunas por presumíveis "danos morais". Com a força que lhe vinha do alto, enfrentou os desafios.
O relato de São Mateus vai mais longe ainda, como fica explicitado em outros episódios, sobretudo naquele que culminou no alto do Calvário: aos seus amados Deus não promete vida fácil, nem felicidade ao alcance da mão. Deus mostra sua presença através de sinais por vezes estranhos, de difícil compreensão, mas que no final acabam revelando a sabedoria de Deus.
Jesus, por experiência própria não iria deixar dúvidas: seu caminho é estreito; quem quiser seguí-lo nem sempre vai encontrar auto estradas em bom estado de conservação. A vida terrestre é assim mesmo, cheia de contradições, para que ninguém caia na tentação de sonhar com uma morada definitiva onde só há lugar para tendas. Para São Mateus, como de um modo ou de outro para todos os Evangelistas, sò encontra Deus quem està sempre a caminho, abrindo caminho em meio às aparentes contradições da vida.
E agora, voltando a Angra dos Reis, cidade tão ligada a um acontecimento magistralmente elaborado por São Mateus: por que tragédia tão grande justamente na época do Natal e na festa dos protetores da cidade? Difícil de encontrar uma resposta. Mas uma coisa é certa: mesmo nas tragédias Deus emite sinais, que devem ser devidamente interpretados. Por vezes nos parecem sinais negativos, mas que na realidade são muito positivos.
Assim seguramente na tragédia de Angra Deus não se encontrava ausente, e muito menos quis castigar; simplesmente quis recordar a todos que a felicidade que Ele promete não se confunde com facilidade, nem com momentos passageiros de bem estar. O verdadeiro Deus não é o Deus da prosperidade. É simplesmente o Deus que nos recorda continuamente que nossa vida na terra está sempre por um fio.
Por isso mesmo é preciso viver intensamente cada momento, como Jesus viveu, e estar sempre preparado, pois não sabemos nem o dia nem a hora em que Deus nos chamará de volta para sua casa. Assim podemos dizer que Deus tanto está presente nos momentos do que denominamos de felicidade, quanto nos momentos que julgamos serem de desgraça. Pois para Deus todos os momentos são de graça, embora nem sempre nos encontramos em condições de interpretar os sinais que Ele emite. A estrela que guiou os sábios do Oriente por vezes desaparece; mas quem persevera na caminhada de fé sempre irá reenconcontrá-la, e sempre acabará chegando onde Deus se encontra na forma de uma criança frágil, mas revestida da força do alto.
Frei Antônio Moser, teólogo

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