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15 de jun de 2010

SEMPRE DE NOVO O TEMA DO PERDÃO

Os discípulos de Jesus se tornam filhos do Pai do céu na medida em que perdoam... Sabemos como é difícil perdoar... Somente contemplando o amor de Jesus pelos seus inimigos é que podemos começar a nos dispor a viver esse mandamento universal da caridade que nos leva à santidade porque Deus amou e ama a todos.

Peçamos ao bem-aventurado Elredo de Rielvaux, abade, que nos ajude a contemplar o Cristo que ama suspenso no madeiro:

“Nada nos impele tanto ao amor dos inimigos – e é nisso que consiste a perfeição do amor fraterno – do que considerar com gratidão a admirável paciência de Cristo, o mais belo de todos os filhos dos homens (Sl 44,3). Ele apresentou seu rosto cheio de beleza aos ultrajes dos ímpios, deixou-os velar seus olhos que governam o universo com um sinal; expôs seu corpo aos acoites; submeteu às pontadas dos espinhos sua cabeça, que faz tremer os principados e as potestades; entregou-se aos opróbrios e às injúrias; finalmente, suportou com paciência a cruz, os cravos, a lança, o fel e o vinagre, conservando em tudo a doçura, a mansidão e a serenidade.

Depois, como cordeiro levado ao matadouro ou como ovelha diante dos que a tosquiam, ele não abriu a boca (Is 53,7).

Ao ouvir esta palavra admirável, cheia de doçura, cheia de amor e imperturbável serenidade: Pai, perdoa-lhes! (Lc 23,34), quem não abraçaria logo com afeto os seus inimigos? Pai, perdoa-lhes!, disse Jesus. Poderá haver oração que exprima maior mansidão e caridade?

Entretanto, Jesus não se contentou em pedir; quis ainda desculpar, e acrescentou; Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem! (Lc 23,34). São, na verdade, grande pecadores mas não sabem avaliar a gravidade de seu pecado. Por, isso, Pai, perdoa-lhes!

Crucificaram-me mas não sabem a quem crucificaram, porque, se soubessem, não teriam crucificado o Senhor da glória (1Cor 2,8). Por isso, Pai, perdoa-lhes! Julgaram-me um transgressor da lei, um usurpador da divindade, um sedutor do povo. Ocultei-lhes a minha face, não reconheceram a minha majestade. Por isso, Pai, perdoa-lhes! Eles não sabem o que fazem!

Por conseguinte, se o homem quer amar-se a si mesmo com amor autêntico, não se deixa corromper por nenhum prazer da carne. Para não sucumbir a esta concupiscência da carne, dirija todo o seu afeto à admirável humanidade do Senhor.

Para encontrar o mais suave repouso nas delícias da caridade fraterna, abrace também com verdadeiro amor os seus inimigos.

Mas, para que esse fogo divino não arrefeça diante das injúrias, contemple sem cessar, com os olhos do coração, a serena paciência de seu amado, Senhor e Salvador”

Fonte: www.franciscanos.org.br

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