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7 de abr de 2010

OS MISTÉRIOS DA NOITE QUE VEM CHEGANDO

REFLEXÃO DO EVANGELHO


Cléofas e seu companheiro caminhavam de costas para Jerusalém. Naquele primeiro dia da semana seu coração tinha vivido uma grande decepção. Aquele Jesus no qual haviam posto sua esperança, morrera. Boatos de mulheres diziam que havia ressuscitado, mas na verdade ninguém o vira. Um personagem estranho se associa à sua caminhada. Não sabem eles quem é. Esse peregrino lembra, recorda, fala das coisas que a Escritura prometera. Esses dois que deviam ter tido tanto convivência nas Escrituras agora estavam ai com um coração lento para crer. No coração dos dois, no entanto, vai se operando alguma transformação. O coração de gélido vai se tornando ardoroso. A convivência com esse peregrino diferente vai lhes dando uma nova esperança. E o peregrino “fez de conta que ia adiante”. Esse que havia começado a lhes dar esperança não podia ir embora, não podia desaparecer de seus horizontes. E vem então esse pedido tão forte e tão doce: “Fica conosco, pois já é tarde e a noite vem chegando!”

Cristo ressuscitado caminha ao nosso lado. Esconde-se nas dobras das páginas das Escrituras. Revela-se nos gestos dos sacramentos. Em nossa caminhada espiritual saberemos sempre clamar e suplicar que ele não vá adiante, que não nos deixe, porque a noite com seus fantasmas e seus mistérios nos desconcerta.

Por vezes, na loucura de nossos dias e na engrenagem de nossos projetos, somos novamente invadidos pelas trevas que dominaram a sexta-feira das dores: recusa do bem, condenação do justo, tentações de toda sorte. Devido à rotina, às mil solicitações das coisas debaixo temos medo das trevas. Não queremos mais se envolvidos pelas trevas já que somos discípulos daquele que é luz do mundo e que na sua ressurreição a tudo iluminou.

“Jesus entrou para ficar com eles...” E quando o peregrino sentou-se à mesa e tomou o pão seus olhos se abriram. Era o Senhor...

Terminamos esta reflexão com palavras de Bruno Secondin: “ Todo o episódio está construído em torno de Jesus e da verdade sobre sua morte e ressurreição, mas também da transformação que ocorre nos dois caminheiros. Da experiência de uma violenta desilusão e de tristeza que se lê nos rostos, passa-se à proposta de uma companhia, ao cair da noite, a fim de se continuar a conversa e se partilhar o pão da amizade. E, finalmente, a nova alegria impulsiona a arriscar uma viagem de retorno a Jerusalém, feita à noite. Uma caminhada bem longa. É que quando o coração está cheio de alegria, o cansaço não pesa” ( Leitura Orante da Palavra, Paulinas 2004, p. 175).


Fonte: www.franciscanos.org.br

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