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21 de mar de 2010

MULHER, EU TAMBÉM NÃO TE CONDENO

REFLEXÃO DO EVANGELHO

O último domingo da Quaresma, antes de chegar à Semana Santa, apresenta-nos uma página bem conhecida do evangelho de João: a cilada armada contra Jesus para que ele julgue se a adúltera devia ser ou não apedrejada. Podemos assim olhar um pouco para trás e entender melhor o caminho que a catequese quaresmal deste ano nos ajudou a percorrer. Como é o Deus que Jesus veio nos fazer conhecer melhor? No terceiro domingo entendemos que não é um Deus caprichoso, imprevisível na punição de supostos culpados e de supostos inocentes. Ao contrário, Deus nos foi apresentado como alguém muito paciente, que manda limpar e adubar a figueira incapaz de produzir frutos; tudo na esperança de que algo de melhor aconteça. Com a parábola do pai misericordioso e dos dois irmãos entendemos a misericórdia de Deus, Ele fica feliz em acolher de volta o filho perdido e pede também ao filho maior a graça do perdão. O Deus de Jesus é um Deus paciente, misericordioso e justo, sempre. Porém de um jeito surpreendente, muito maior do que nós pobres homens chegaríamos a pensar.

Assim também aconteceu com a mulher pecadora. De fato foi uma cilada para Jesus, porque lhe foi pedido de confrontar-se com a Lei de Moisés. Lei amparada nada menos que pela autoridade de Deus. Mais uma vez Jesus não somente consegue se sair bem, como deixa claro o ensinamento.

As questões podem ser duas. Uma é: que Deus é este que permite a morte de uma pessoa? A Lei devia ser para a vida e não para a morte. Já nesse sentido Jesus aponta a verdadeira finalidade da Lei quando, repetindo as palavras dos profetas, diz: Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva (cfr. Ez 18,32). Deus, portanto, é o Deus da vida e o seu nome não pode ser usado – nem amparado por uma Lei - para condenar à morte. Talvez nós não tenhamos mais esse problema, visto que, graças a Deus, não apedrejamos mais em praça pública. Contudo de uma forma ou de outra, em nome dos nossos princípios morais, dos quais nos achamos legítimos defensores, nos consideramos autorizados a julgar, condenar e excluir irmãos e irmãs que não entram no esquema dos nossos valores. Depois, talvez, abrimos brechas ou abismos nesses princípios, quando for de nosso interesse. Acontece.

A outra questão – a do pecado – diz respeito a todos nós, e não simplesmente às palavras de Jesus: - Quem é sem pecado jogue a primeira pedra - mas pela própria realidade do pecado. Com efeito, o pecado não é somente a transgressão de uma lei, é muito mais. Não é a simples ou cega obediência a uma lei que torna o homem justo. É a medida do amor que deve orientar as nossas ações, decisões e critérios de vida. O pecado é uma falta de amor, com Deus e com o próximo. O senso do pecado é diferente do senso de culpa. Culpado é aquele que infringe uma lei e, talvez, deva ser punido. Se pagar a pena volta a se sentir limpo. Mas no caso do pecado o importante é reconhecer a falta de amor e, portanto, o pecado só pode ser recompensado com mais amor. Não será a punição a absolver o pecado, mas o perdão. Reconhecendo a bondade de Deus e a sua grandeza e misericórdia em nos amar de novo, o perdão nos coloca, mais uma vez, no caminho de poder amar mais. Nesse sentido, o pecado e o relativo perdão nos permitem conhecer o verdadeiro amor de Deus, que não condena o pecador, mas o perdoa, para que tendo feita a experiência enriquecedora e insubstituível do amor-perdão, saiba ter também misericórdia com os seus irmãos pecadores. - A quem pouco foi perdoado, pouco ama - disse Jesus ao fariseu que o havia hospedado e que o criticava por ter acolhido as lágrimas da prostituta (Lc 7,47).

Nós continuamos a julgar-nos uns aos outros, sempre disputando quem é melhor e quem é pior, transformando-nos todos em juízes, na maioria das vezes em causa própria. Sem contar as vezes que somente enxergamos as falhas dos outros, sem nunca reconhecemos as nossas. Deveríamos admitir as nossas faltas de amor, ou seja, os nossos pecados. Se a todos Deus oferece o perdão e a todos ele amou enviando o seu próprio Filho que, por sua vez, nos amou entregando a sua própria vida, por que continuamos a nos querer condenar? Unamo-nos no bem e na paz. Desarmemos os nossos corações e as nossas mãos. Assim conheceremos melhor a Deus.


Dom Pedro José Conti (site CNBB)

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