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24 de jun de 2010

“QUE VIRÁ A SER DESTE MENINO?”

Os vizinhos e a parentela de Isabel e Zacarias ficaram meio alvoroçados com o nascimento do menino, filho da velhice de um casal constituído de pessoas muito ligadas ao Senhor. Mulheres, homens e crianças deviam circular nas proximidades da casa do casal. “Os vizinhos e parentes ouviram dizer como o Senhor tinha sido misericordioso com Isabel e alegraram-se com ela.”
Não lhe puseram o nome de Zacarias, mas de João. Num clima de alegria e de efervescência, as pessoas que estavam presentes também no momento da circuncisão, se perguntavam : “O que virá a ser este menino?”
São Pedro Damião tem uma resposta para esta interrogação: “Ouve: João é patriarca, ou melhor, é o remate e a coroa dos patriarcas. João é profeta, pois aponta com o dedo aquele cuja vinda anuncia. João é o anjo, e mesmo o eleito entre os anjos, e disto dá testemunho o próprio Salvador, ao dizer: Eis que vou enviar o meu anjo que prepare um caminho diante de mim (Ml 3,1). João é apóstolo, mesmo o primeiro e principal dos apóstolos, porque foi um homem enviado por Deus (Jo 1,6). João é evangelista, e mesmo o primeiro semeador e pregador do Evangelho do Reino. João é virgem, e mais ainda é símbolo da virgindade, sinal de pudor, exemplo de castidade. João é mártir, e até luz dos mártires, modelo do martírio mais valoroso do nascimento à morte do Cristo. João é Elias, a lâmpada que arde ilumina, o amigo do Esposo, aquele que prepara a Esposa”.
Lecionário Monástico I, p. 87

E Agostinho tenta explicar o fato de Zacarias ter recuperado a voz depois do nascimento de João: “Zacarias emudece e perde a voz até o nascimento de João, o precursor do Senhor; só então recupera a voz. Que significa o silêncio de Zacarias? Não seria o sentido da profecia que antes da pregação de Cristo, estava, de certo modo, velado, oculto, fechado? Mas com a vinda daquele a quem elas se referiam, tudo se abre e se torna claro. O fato de Zacarias recuperar a voz no nascimento de João tem o mesmo significado que o rasgar do véu no templo, quando Cristo morreu na cruz. Se João se anunciasse a si mesmo, Zacarias não abriria a boca. Solta a língua porque nasce aquele que é a voz. Com efeito, quando João anunciava o Senhor, perguntaram-lhe: Quem és tu? ( Jo 1, 19). E ele respondeu: Eu sou a voz do que clama no deserto (Jo 1, 23. João é a voz: o Senhor, porém, no princípio era a Palavra (Jo 1,1). João é a voz no tempo; Cristo é, desde o princípio a Palavra eterna”
Liturgia das Horas III, p. 1375

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