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13 de mai de 2010

ESSE JESUS PRESENTE E AUSENTE

“Pouco tempo ainda, e não me vereis. E outra vez, pouco tempo, a me vereis de novo”. Esta afirmação de Jesus poderá ser lida de dois modos pela comunidade que recebeu o texto de João. Numa primeira leitura pensa-se na partida, na morte de Jesus. Ele seria arrancado do meio dos seus. Os apóstolos não o veriam mais. Pouco tempo depois, no kairós das aparições do ressuscitado, eles o teriam, de novo, por um tempo, de uma forma especial. E depois de um outro “certo tempo” ele deixaria os seus param voltar para o Pai. Esse segundo desaparecimento foi designado de ascensão.

Vivemos o tempo em que Jesus desapareceu de nossos olhos. Ora, a presença de Jesus é fundamental para a vida de sua Igreja. Com a Páscoa e a Ascensão a presença de Jesus é mais espiritual, mais profunda e universal. Trata-se de uma presença que se reconhece na fé. Pode ser que, durante um certo tempo, na vida da Igreja e na história de cada cristão essa presença pareça diluir-se. Pode ser que o organizacional, os esquemas, os números, as tabelas, as estatísticas tenham tais dimensões e proporções que escondam a presença de Jesus. Pode acontecer que uma certa pastoral mais ou menos mecânica não tenha mais feito a experiência do ressuscitado. Sentimos claramente que a Igreja e seus membros precisam ser “evangelizados”, em outras palavras, necessitam tirar o véu dos olhos e enxergar a presença do Senhor. Foi esse o escopo da Conferência de Aparecida.

Jesus vive e é ressuscitado. Não duvidamos. Mas, devido à fragilidade caminhamos na vida como se ele estivesse realmente ausente.

O tempo da Páscoa nos faz compreender uma vez mais a densidade de sua presença nos sacramentos, no mistério da reunião, no rosto dos sofredores, na Palavra da Escritura. Cremos, mas precisamos que o Senhor aumente a nossa fé.

Cristo se ausenta daqueles que dele tinham uma imagem sentimental, romântica. Afasta-se também daqueles que se aferraram à cristandade e o reconhecem apenas no sagrado que se via em toda parte. Hoje, caminhamos na noite. Será preciso coragem.

“O desconhecido é o porvir que deve nascer. É o Espírito que paira sobre as águas e as sacode com as asas gigantes. Parece que bate sempre de fora; mas chama de dentro. Tem a fisionomia do outro, do estrangeiro, e mesmo do inimigo; e entretanto está no intimo, na profundidade inexplorada. É o apelo criador na criatura, o impulso irresistível do nosso ser para um ser maior. A hora em que o homem já não sabe quem é, em que erra como sombra entre as suas próprias ruínas, essa hora de grande solidão e vazio é a dos grandes começos. É a hora em que o desconhecido nos visita, em que o futuro nos atrai. É a hora em que o Espírito nos faz sinal, porque quer tornar-se em nós coração novo, espírito novo” (Eloi Leclerc, O povo no meio da noite, Ed. Franciscana, Braga p. 35-36).

“Vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará. Vós ficareis tristes, mas a vossa tristeza se transformará em alegria” . Felizes os que vivem à luz da presença de Cristo...

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