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11 de mai de 2010

AQUELE QUE ESTÁ PARA PARTIR

Preparamo-nos para a festa da Ascensão. Continuamos a ler trechos do quarto evangelista: “Agora parto para aquele que me enviou e nenhum de vós me pergunta ‘para onde vais’?”

Curta foi a trajetória desse Jesus, o Nazareno. Nascimento singelo, infância comum, vida escondida, uns poucos anos andando, pregando, acolhendo, vivendo com as pessoas, falando das coisas do Pai com quem ele dizia ter grande intimidade. Durante uns minguados três anos andou, foi de um lado para o outro, sem toca para morar, sem pedra para reclinar a cabeça, curando, conversando, sendo atropelado pelas multidões, vivendo, simplesmente vivendo. Um dia está no templo e observa o gesto puro de uma pobre viúva que coloca no tesouro do templo tudo o que tem. Fica admirado com tanta generosidade. Sofre com uma outra viúva que ia levando para o cemitério o corpo de seu filho único. Fixa os olhos numa mulher que tinha sido surpreendida em adultério, pede que se lhe seja atirada primeira pedra por aquele homem acusador que não tivesse pecado. Chora diante de Jerusalém, chora diante do túmulo de Lázaro. Tem seu rosto cheio de luminosidade no alto da Montanha, rosto tão lindo e momento tão celestial que os apóstolos pensam ter chegado ao fim, mas não era o fim. Esse mesmo rosto tão cheio de luz, pouco tempo depois está marcado pela feiúra do abandono, dos escarros, do sangue do suor.

E as coisas vão se atropelando: uma ceia de despedida, o lavapés, o pão e o vinho, o suor de sangue no Jardim das Oliveiras, o beijo de Judas, o processo, a dor, a solidão, o abandono, a morte, a visita à mansão dos mortos e a chegada de volta ao ponto de partida. Tinha tido um projeto que lhe havia sido confiado pelo Pai: anunciar a boa nova aos corações partidos, anunciar um ano de graça, fazer com que as frontes dos homens fossem ungidas por sua força de Ungido. Morre e volta para o Pai. E promete o Defensor...

Os apóstolos experimentam tristeza. Ele, o esposo estava de partida. Mas há a promessa de uma força que vem do alto. Ele convencerá o mundo do pecado...

Santo Epifânio fala que Cristo veio ao mundo buscar a ovelha perdida. Ao voltar, na ascensão, diz: “Pai, encontrei a ovelha perdida que a serpente havia induzido ao erro. Tendo-a visto, coberta pela lama de uma vida de pecado, estendendo a minha mão divina, imediatamente a levantei e, impelido por uma profunda compaixão, lavei-a no rio Jordão, perfumando-a depois com a unção do Espírito Santo. Agora, ressuscitado, venho à tua presença para oferecer à tua divindade este dom digno de ti: a ovelha reencontrada” (Lecionário Monástico III, p.547)

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