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12 de fev de 2010

AOS SURDOS FAZ OUVIR

REFLEXÃO DO EVANGELHO

"...e aos mudos falar”. Assim Marcos conclui a descrição que faz da cura de um surdo que falava com dificuldade. Curiosa a maneira como Jesus operou a cura deste homem. “Jesus afastou-se com o homem para fora da multidão; em seguida, colocou os dedos nos seus ouvidos, cuspiu e com a saliva, tocou a língua dele”. Um ritual meio sofisticado. Afastando-se da multidão parece que Jesus queria recolhimento, silêncio, discrição,evirar estardalhaço. Certamente houve ainda a imposição das mãos.
Claramente percebemos que o evangelista aponta para os sacramentos, mormente do batismo. Ainda hoje o ritual do batismo pede a quem preside que toque os ouvidos e a boca de cada criança, dizendo: “ O Senhor Jesus, que fez os surdos ouvir e os mudos falar, lhe conceda que possa logo ouvir sua Palavra e professar a fé para o louvor e glória de Deus Pai”.
Felizes aqueles que têm a capacidade interior de ouvir o Senhor. Esta disposição fundamental da existência aberta para a grande novidade da visita de Deus é que possibilita a realização de maravilhas no coração do homem. Pela audiência da voz da consciência vamos nos construindo como gente de valor, de garra, de personalidade. Nós, cristãos, nas diferentes encruzilhadas de nossas vidas, na infância, na hora das decisões juvenis, no momento do casamento, nos instantes de turbulência seremos ouvintes atentos da voz do Senhor que se manifesta de modo todo particular na Palavra da Escritura, mormente nos evangelhos e textos do Novo Testamento.
Nossos tempos colocam em realce a Lectio divina que pretende ser um lugar de escuta da Palavra que nos transforma. O surdo ouviu os sons todos e a som da voz de Deus.
O surdo curado ganhou também agilidade na língua. Podia falar. Podia professar a fé para o louvor e a glória de Deus. Os que são curados da surdez cantam a gloria daquele que é belo, louvam o Senhor que os arrancou dos estertores da morte, enaltecem com salmos e hinos, com citaras e órgãos a beleza daquele diante do qual tudo é louvor. A Igreja precisa sempre de novo rever o modo como louva a Deus: hinos belos, vozes cuidadosas, sobretudo uma consonância entre a beleza da música e o coração cheio de júbilo daquele que canta.
Desejamos que a catequese, em todas as suas formas, seja lugar de audição: “A catequese é o momento central de toda atividade pastoral, de toda solidariedade e instituição eclesial, de toda estrutura que possa contribuir para a edificação do Corpo Místico de Cristo. A palavra de Deus é essencial para toda experiência cristã; não há iniciativa ou estrutura pastoral que não reflita a exigência de escutar, de apresentar e de aprofundar a mensagem evangélica” (Renovação da Catequese, Itália, n. 143).

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