Os textos e fotografias produzidos pela equipe da PASCOM da Paróquia São José – C. dos Dantas podem ser livremente utilizados, mencionando-se o blog http://www.montedogalo2009.blogspot.com/ como fonte

4 de mai. de 2010

A PAZ DO SENHOR

Os que participam da Eucaristia, um pouco antes da comunhão, gostam de rezar a oração da paz colocada naquele momento que antecede a recepção do Corpo e do Sangue do Senhor. “Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos apóstolos: Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz”.
Todos buscamos a paz. Não qualquer paz. Não basta apenas uma paz de tranqüilidade, de não se incomodar com nada, de não ser incomodado por ninguém. Não se trata de uma paz pacifista. Pensamos, aqui, nos que são construtores de um mundo de justiça, de entendimento, de colaboração, de perdão, de desarmamento. Paz que começa dentro do coração. Vem à nossa mente as páginas de Isaías. Diriam que as armas de guerra se transformariam em enxadas e foices para a agricultura. Pacíficos são os que se sentam em mesas de negociação para que ninguém saia ferido, nem prejudicado. A paz nasce do respeito pelas diferenças e pela promoção do outro.
Há pessoas que dizem ter pedido a paz. Pensamos em todo esse mundo da violência nas ruas das grandes cidades, assaltos, seqüestros. Uma criança perde a paz quando se dá conta, por exemplo, que seus pais se desentendem. Por vezes, pessoas perdem a paz porque não conseguem o sucesso material que pensavam poder obter. Isso pode incomodar, mas não deve nos fazer perder a paz.
Na verdade, o que nos tira realmente a paz é o dilaceramento provocado em nosso interior pelo pecado. Esse negar de render glórias a Deus nos tira a paz. Existimos para o louvor do Senhor e para louvar o Senhor. Também nos tira a paz o mal que cometemos para com o próximo. Pais que se omitem seriamente na educação dos filhos e verificam que estes foram se degradando, pessoas que buscaram lucros explorando pessoas, omissões que redundaram em sérios prejuízos morais e materiais para os outros, tudo isso nos tira a paz. Ou ao menos deveria tirar.
Por isso, nos textos em que aparece o Senhor ressuscitado, ele oferece a paz aos seus. Junto com a saudação da paz, Jesus confere aos seus apóstolos o poder de perdoar os pecados.
A paz vem da certeza de que, no alto da cruz, foi rasgado um documento que existia contra nós. Dando a vida no alto da cruz, Jesus se tornou nossa paz.
Cabe bem rezar a oração da paz antes da comunhão:
Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos apóstolos: Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz. Não olheis os nossos pecados, mas a fé que anima a vossa Igreja, dai-lhe segundo o vosso desejo, a paz e a unidade.

EVANGELHO DO DIA - João 14,27-31

«Eu deixo para vocês a paz, eu lhes dou a minha paz. A paz que eu dou para vocês não é a paz que o mundo dá. Não fiquem perturbados, nem tenham medo. Vocês ouviram o que eu disse: ‘Eu vou, mas voltarei para vocês’. Se vocês me amassem, ficariam alegres porque eu vou para o Pai, pois o Pai é maior do que eu. Eu lhes digo isso agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vocês acreditem. Já não tenho muito tempo para falar com vocês, pois o príncipe deste mundo está chegando. Ele não tem poder sobre mim, mas vem para que o mundo reconheça que eu amo o Pai, e é por isso que faço tudo o que o Pai me mandou. Levantem-se. Vamos sair daqui.»

2 de mai. de 2010

UM MANDAMENTO NOVO PARA UM MUNDO NOVO

REFLEXÃO DA LITURGIA DOMINICAL

Muitas pessoas hoje demonstram desânimo. As notícias são deprimentes. Guerras intermináveis, que sempre de novo inflamam por baixo das brasas. Populações africanas que se apagam pela fome, pelas epidemias. Cruéis guerras religiosas na Ásia, na Indonésia. Extermínio das crianças meninas na China. Violência em nossos bairros, corrupção em nossas instituições. E mesmo na Igreja ...
Existe alguém que possa dar um rumo a este mundo? A resposta é: você mesmo, mas não sozinho. Alguém faz aliança com você. Ou melhor: com vocês, como comunidade. E em sinal dessa aliança, deixou-lhes um exemplo e modo de proceder: um novo mandamento. "Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei" - isto é, até o fim, até o dom da própria vida, seja vivendo, seja morrendo. É o que nos recorda o evangelho de hoje.
Não há governo ou poder que nos possa eximir deste mandamento. Só se o assumirmos como regra de nossa vida, o mundo vai mudar. Não existe um mundo tão bom e tão bem governado, que possamos deixar de nos amar mutuamente com ações e de verdade. Mas, por mais desgovernado que o mundo seja, se nos amarmos mutuamente como Jesus nos tem amado, o mundo vai mudar.
Por que, então, depois de dois mil anos de cristianismo, o mundo está tão ruim assim? A este respeito podem-se fazer diversas perguntas, por exemplo: Será que os homens se têm amado suficientemente com o amor que Jesus nos mostrou? E como seria o mundo se não tivesse existido um pouco de amor cristão? Não seria bem pior ainda?
O Apocalipse, lido nas liturgias deste tempo pascal, muitas vezes é considerado um livro de terror e de medo. Mas, na realidade, ele termina numa visão radiante da nova criação, da nova Jerusalém, simbolizando a indizível felicidade, a "paz" que Deus prepara para os que são fiéis ao novo mandamento de seu Filho (2ª leitura). A nova Jerusalém é o povo de Deus envolvido pelo esplendor, ainda escondido, do amor de Cristo, que o torna radiante, como o amor do noivo torna radiante a sua amada. Quem é amado e se entrega ao amor, torna-se amor!
É isso que deve acontecer entre nós. Jesus nos amou até o fim. Nossa comunidade ec1esial deve transformar-se em amor, irradiando um mundo infeliz e desviado por interesses egoístas e mortíferos. Ao invés de ver somente o lado ruim da Igreja - talvez porque nosso olho é ruim -, vamos tratar de ver a Igreja como uma moça um tanto desajeitada e acanhada, mas que aos poucos vai sentindo quanto ela está sendo amada e, por isso, se torna cada dia mais amável e radiante. Ora, para isso, é preciso que deixemos penetrar em nós o amor de Deus e o façamos passar aos nossos irmãos, não em palavras, mas com ações e de verdade.

5º DOMINGO DE PÁSCOA

EVANGELHO: João 13,31-33a.34-35

Quando Judas Iscariotes saiu, Jesus disse: «Agora o Filho do Homem foi glorificado, e também Deus foi glorificado nele. Deus o glorificará em si mesmo, e o glorificará logo. Filhinhos: vou ficar com vocês só mais um pouco. Eu dou a vocês um mandamento novo: amem-se uns aos outros. Assim como eu amei vocês, vocês devem se amar uns aos outros. Se vocês tiverem amor uns para com os outros, todos reconhecerão que vocês são meus discípulos.» Simão Pedro perguntou: «Senhor, para onde vais?» Jesus respondeu: «Para onde eu vou, você não pode me seguir. Você me seguirá mais tarde.» Pedro disse: «Senhor, por que não posso seguir-te agora? Eu daria a minha própria vida por ti.» Jesus respondeu: «Você daria a vida por mim? Eu lhe garanto: antes que o galo cante, você me negará três vezes.»

1 de mai. de 2010

A calça do Seu Joaquim

O seu Joaquim era funcionário de um Banco. Certa noite, saindo do trabalho, percebeu que sua calça tinha um buraco. Com medo de não ter uma calça adequada, no dia seguinte, resolveu entrar numa loja e comprar uma calça nova. Como sempre, a calça estava bastante comprida, por ser ele de baixa de estatura. Sobravam sete centímetros. A balconista perguntou se queria que mandasse a roupa para uma costureira ajeitar no tamanho certo. Para isso, porém, deveria esperar até o dia seguinte, porque a loja estava fechando. O seu Joaquim respondeu que tinha três mulheres em casa e que, com certeza, ao menos uma delas podia ajeitar a calça. O homem chegou animado em casa e foi direto com a esposa, mostrou a calça nova e disse que precisava cortá-la uns sete centímetros. Por azar a mulher estava passando roupa e respondeu que estava muito cansada, não tinha certeza de ter tempo e vontade para ajeitar a calça do marido.
O seu Joaquim não desanimou, foi atrás da sogra, que também morava com eles. Gentilmente perguntou a ela se podia encurtar, em sete centímetros, a calça nova. A sogra estava assistindo à telenovela e respondeu com mau humor que deixasse a calça sobre o sofá, mas não garantia se ia costurá-la, ou não, naquela noite. Enfim o seu Joaquim foi atrás da filha pedindo o mesmo favor. Esta respondeu não ter tempo porque no dia seguinte tinha uma prova na universidade. O seu Joaquim, meio triste, foi dormir sem saber o que podia acontecer com a sua calça nova. Mais tarde a mulher dele percebeu que tinha sido grossa com o marido. Pegou a calça nova e cortou sete centímetros das pernas. A sogra, quando desligou a televisão, decidiu que afinal o genro não era tão mal e que precisava ser ajudado. Também cortou a calça. Por fim a filha, arrependida, achou por bem fazer uma boa ação e cortar a bendita calça do pai. Podemos imaginar o resultado de tanto serviço e o seu Joaquim foi trabalhar com a calça velha.
As três mulheres pensaram em ajudar, mas o resultado foi um desastre. O bem deve ser bem feito, de outra forma pode não ser tão bom como desejávamos.

Vale a pena refletir sempre sobre o mandamento de Jesus: “Amai-vos uns aos outros”. Não é um amor qualquer, não é uma simples boa ação, é muito mais: é um estilo de vida, o seguimento de um exemplo, e o testemunho que somos discípulos do verdadeiro Mestre.
É por isso que Jesus continua dizendo que a maneira certa de amar é a mesma com a qual ele nos amou. Total, radical, sem reservas. Quando limitamos o amor o matamos antes de nascer. Quando, por exemplo, decidimos amar somente os que nos amam, os simpáticos, os do nosso partido, da nossa igreja, os nossos bajuladores, não estamos vivendo bem o amor. Podemos até pensar que estamos amando e sendo amados, mas pode ser que isso aconteça por interesse, por vantagem, por negócio, ou mesmo por medo de arriscar algo mais da nossa vida. Mais uma vez, quando nos resguardamos demais querendo nos defender dos aproveitadores, corremos o perigo de nunca sair do nosso egoísmo, de nunca aprender a nos doar como Jesus, ou ao menos, sempre um pouco mais, além de cálculos e barganhas.
A situação não melhora muito se olharmos as nossas comunidades. Segundo Jesus o amor entre os discípulos deveria ser visível para todos: aos de dentro e aos de fora. Talvez seja mais fácil, às vezes, salvar as aparências, manter as boas maneiras exteriores, as palavras educadas e os sorrisos superficiais. Podemos sempre enganar os que olham de fora, mas e os de dentro? Seria enganar e mentir a nós mesmos. Está difícil, não está? Vamos desanimar e desistir? De jeito nenhum, ao contrário, maior é o desafio, maior deve ser a nossa determinação. Jesus nos aponta a “medida alta”, isto é: a meta, o ideal para que o desejemos, o almejemos, o sonhemos. Se tivesse pedido menos, já estaríamos todos conformados com os fracassos, as meias medidas. Seríamos cristãos remediados. Nunca desejaríamos o melhor. Jesus não brincava, porque conhecia o coração humano e a tentação da mediocridade. Para aprender a doar tudo, até a nossa vida, temos que aprender a dar sempre, cada vez um pouco mais, até alcançar a “medida alta” da santidade, do amor pleno como o de Jesus.
Talvez para isso precisamos “cortar” alguma coisa: o egoísmo, o comodismo, a indiferença. Quem vai ficar mais curto, nesse caso, é o nosso orgulho, mas o nosso amor vai crescer. Não como a calça nova do seu Joaquim.

Dom Pedro José Conti

1º DE MAIO - Dia de São José Operário

A Igreja, providencialmente, nesta data civil marcada, muitas vezes, por conflitos e revoltas sociais, cristianizou esta festa, isso na presença de mais de 200 mil pessoas na Praça de São Pedro, as quais gritavam alegremente: "Viva Cristo Trabalhador, vivam os trabalhadores, viva o Papa!" O Papa, em 1955, deu aos trabalhadores um protetor e modelo: São José, o operário de Nazaré.

O santíssimo São José, protetor da Igreja Universal, assumiu este compromisso de não deixar que nenhum trabalhador de fé – do campo, indústria, autônomo ou não, mulher ou homem – esqueça-se de que ao seu lado estão Jesus e Maria. A Igreja, nesta festa do trabalho, autorizada pelo Papa Pio XII deu um lindo parecer sobre todo esforço humano que gera, dá a luz e faz crescer obras produzidas pelo homem: "Queremos reafirmar, em forma solene, a dignidade do trabalho a fim de que inspire na vida social as leis da eqüitativa repartição de direitos e deveres."

São José, que na Bíblia é reconhecido como um homem justo, é quem revela com sua vida que o Deus que trabalha sem cessar na santificação de suas obras, é o mais desejoso de trabalhos santificados: "Seja qual for o vosso trabalho, fazei-o de boa vontade, como para o Senhor, e não para os homens, cientes de que recebereis do Senhor a herança como recompensa... O Senhor é Cristo" (Col 3,23-24).

São José Operário, rogai por nós!

EVANGELHO DO DIA - Mateus 13,54-58

E Jesus voltou para a sua terra. Ensinava as pessoas na sinagoga, de modo que ficavam admiradas. Diziam: «De onde vêm essa sabedoria e esses milagres? Esse homem não é o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs, não moram conosco? Então, de onde vem tudo isso?» E ficaram escandalizados por causa de Jesus. Mas Jesus disse: «Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família.» E Jesus não fez muitos milagres aí, por causa da falta de fé deles.