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21 de fev. de 2010

JESUS RESISTE À TENTAÇÃO

REFLEXÃO DO EVANGELHO

Quaresma, quadragésimo dia antes da Páscoa. Na Igreja das origens, era o tempo de preparação para obatismo na noite pascalQuaresma, quadragésimo dia antes da Páscoa. Na Igreja das origens, era o tempo de preparação para obatismo na noite pascal.

Também Jesus passou por um "tempo de quarentena" (evangelho). Reviveu toda a história do povo. Conheceu a tentação da fome (cf. Nm 14), mas recordou o ensinamento de Deus: "Não se vive só de pão" (Dt 8,3). Conheceu a tentação do bezerro de ouro, ou seja, de adorar um falso deus, que fornecesse riqueza (cf. Ex 32); mas respondeu, com a palavra de Deus: "Só a Deus adorarás" (Dt 6,13). Conheceu a tentação mais refinada que se pode imaginar, a de manipular o poder de Deus para encurtar o caminho; mas a experiência de Israel, resumida em Dt, lhe oferece novamente a resposta: "Não tentarás o Senhor, teu Deus" (Dt 6,16). Jesus venceu o tentador no seu próprio terreno, o deserto, onde moram as serpentes e os escorpiões, onde Deus provou Israel, mas também Israel tinha colocado o próprio Deus à prova (Sl 95[94],9). Jesus não tentou Deus, mas venceu o tentador. Pelo menos por enquanto, pois a grande tentação ficou para "a hora determinada" (cf. Lc 22,3.31.39).
Em Lc, Jesus é o grande orante, o modelo do fiel. Jesus resistiu à tentação de tentar Deus: sinal de sua imensa confiança no Pai. Ele professa a fé no único Deus como regra de sua vida. Ele se alimenta com a palavra que sai da boca do Altíssimo. Nossa quaresma deve ser um estar com Jesus no deserto, para, como ele, dar a Deus o lugar central de nossa vida. Como ele, com ele e por ele, pois é dando a Jesus o lugar central, que o damos a Deus também. Neste sentido, a quaresma é realmente "ser sepultado com Cristo", para, na noite pascal, com ele ressuscitar.
Lc traz as tentações em ordem diferente de Mt (cf. ano A). Em Mt, o auge é a tentação de adorar o demônio; em Lc, o "transporte" para Jerusalém. Ora, todo o evangelho de Lc é uma migração de Jesus para Jerusalém, e a tentação decisiva será a "tentação de Jerusalém". Jesus resistirá a esse ataque decisivo, na mesma cidade de Jerusalém. Assim, as tentações prefiguram o caminho de Jesus. Por isso é tão importante que nós nos unamos a ele neste "tempo de quarenta", em espírito de prova de nossa fé e vida. É isso que lembra a oração do dia: tornar nossa vida conforme à do Cristo. O salmo responsorial é o Sl 91 [90], que inspirou o Satanás para a terceira tentação, mas que também contém em si a resposta ao Satanás: a ilimitada confiança em Deus.

1º DOMINGO DA QUARESMA - Jesus supera as tentações



EVANGELHO: Lucas 4,1-13

Repleto do Espírito Santo, Jesus voltou do rio Jordão, e era conduzido pelo Espírito através do deserto. Aí ele foi tentado pelo diabo durante quarenta dias. Não comeu nada nesses dias e, depois disso, sentiu fome. Então o diabo disse a Jesus: «Se tu és Filho de Deus, manda que essa pedra se torne pão.» Jesus respondeu: «A Escritura diz: ‘Não só de pão vive o homem’.» O diabo levou Jesus para o alto. Mostrou-lhe por um instante todos os reinos do mundo. E lhe disse: «Eu te darei todo o poder e riqueza desses reinos, porque tudo isso foi entregue a mim, e posso dá-lo a quem eu quiser. Portanto, se te ajoelhares diante de mim, tudo isso será teu.» Jesus respondeu: «A Escritura diz: ‘Você adorará o Senhor seu Deus, e somente a ele servirá’.» Depois o diabo levou Jesus a Jerusalém, colocou-o na parte mais alta do Templo. E lhe disse: «Se tu és Filho de Deus, joga-te daqui para baixo. Porque a Escritura diz: ‘Deus ordenará aos seus anjos a teu respeito, que te guardem com cuidado’. E mais ainda: ‘Eles te levarão nas mãos, para que não tropeces em nenhuma pedra’.» Mas Jesus respondeu: «A Escritura diz: ‘Não tente o Senhor seu Deus’.» Tendo esgotado todas as formas de tentação, o diabo se afastou de Jesus, para voltar no tempo oportuno.

20 de fev. de 2010

Quaresma, a luta contra o pecado

Desde o início do Cristianismo a Quaresma marcou para os cristãos um tempo de graça, oração, penitência e jejum, com o objetivo de se chegar à conversão. Ela nos faz lembrar as palavras de Jesus: “Se não fizerdes penitência, todos perecereis” (Lc 13,3). Se não deixarmos o pecado, não poderemos ter a vida eterna em Deus; logo, a atividade mais importante é a nossa conversão, renunciar ao pecado.
Nada é pior do que o pecado para a vida do homem, da Igreja e do mundo, ensina a Igreja; por isso Cristo veio, exatamente, “para tirar pecado do mundo” (cf. Jo 1, 29). Ele é o Cordeiro de Deus imolado para isso.
São Paulo insiste: “Em nome de Cristo vos rogamos: reconciliai-vos com Deus!” (2 Cor 5, 20); “exortamo-vos a que não recebais a graça de Deus em vão. Pois ele diz: Eu te ouvi no tempo favorável e te ajudei no dia da salvação (cf Is 49,8). Agora é o tempo favorável, agora é o dia da salvação” (2 Cor 6, 1-2).
A Quaresma nos oferece, então, esse “tempo favorável” para deixarmos o pecado e voltarmos para Deus. E para isso fazemos penitência. O seu objetivo não é nos fazer sofrer ou nos privar de algo que nos agrada, mas ser um meio de purificação de nossa alma. Sabemos o que devemos fazer e como viver para agradar a Deus, mas somos fracos; a penitência é feita para nos dar forças espirituais na luta contra o pecado.
A melhor Penitência, sem dúvida, é a do Sacramento que tem esse nome. Jesus instituiu a Confissão em Sua primeira aparição aos discípulos, no mesmo domingo da Ressurreição (cf. Jo 20,22) dizendo-lhes: “A quem vocês perdoarem os pecados, os pecados estarão perdoados”. Não há graça maior do que ser perdoado por Deus, estar livre das misérias da alma e estar em paz com a consciência.
Além do Sacramento da Confissão a Igreja nos oferece outras penitências que nos ajudam a buscar a santidade: sobretudo as recomendadas por Jesus no Sermão da Montanha (cf. Mt 6,1-8): “O jejum, a esmola e a oração”, chamados pela Igreja de “remédios contra o pecado”.
Cristo jejuou e rezou durante quarenta dias (um longo tempo) antes de enfrentar as tentações do demônio no deserto e nos ensinou a vencê-lo pela oração e pelo jejum. Da mesma forma, a Igreja quer ensinar-nos como vencer as tentações de hoje. Vencemos o pecado praticando a virtude oposta a ele. Assim, para vencer o orgulho, devemos viver a humildade; para vencer a ganância devemos dar esmolas; para vencer a impureza, praticar a castidade; para vencer a gula, jejuar; para vencer a ira, aprender a perdoar; para vencer a inveja, ser bom; para vencer a preguiça, levantar-se e ajudar os outros. Essas são boas penitências para a Quaresma.
Todos os exercícios de piedade e de mortificação têm como objetivo livrar-nos do pecado. O jejum fortalece o espírito e a vontade para que as paixões desordenadas (gula, ira, inveja, soberba, ganância, luxúria, preguiça) não dominem a nossa vida e a nossa conduta.
A oração fortalece a alma no combate contra o pecado. Jesus ensinou: “É necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo” (Lc 18,1b); “Vigiai e orai para que não entreis em tentação” (Mt 26,41a); “Pedi e se vos dará” (Mt 7,7). E São Paulo recomendou: “Orai sem cessar” (I Ts 5,17).
A Palavra de Deus nos ensina: “É boa a oração acompanhada do jejum e dar esmola vale mais do que juntar tesouros de ouro, porque a esmola livra da morte, e é a que apaga os pecados, e faz encontrar a misericórdia e a vida eterna” (Tb 12, 8-9).
“A água apaga o fogo ardente, e a esmola resiste aos pecados” (Eclo 3,33). “Encerra a esmola no seio do pobre, e ela rogará por ti para te livrar de todo o mal” (Eclo 29,15).
Então, cada um deve fazer na Quaresma um “programa” espiritual: fazer o jejum que consegue (cada um é diferente do outro); pode ser parcial ou total. Pode, por exemplo, deixar de ver a TV, deixar de ir a uma festa, a uma diversão, não comer uma comida de que gosta ou uma bebida; não dizer uma palavra no momento de raiva ou contrariedade, não falar de si mesmo, dar a vez aos outros na igreja, na fila, no ônibus; ser manso e atencioso com os outros, perdoar a todos, dormir um pouco menos, rezar mais, ir à Santa Missa durante a semana... Enfim, há mil maneiras de fazer boas penitências que nos ajudam a fortalecer o espírito para que ele não fique sufocado e esmagado pelo corpo e pela matéria.
A penitência não é um fim em si mesma; é um meio de purificação e santificação; por isso deve ser feita com alegria.
Prof. Felipe Aquino

UM MESTRE QUE DESCONCERTA

REFLEXÃO DO EVANGELHO

São muitas as categorias profissionais mencionadas nos textos do Novo Testamento: pescadores, viticultores, lavradores, pastores, tintureiros, copiadores de textos e assim por diante. Uma delas, no entanto, era particularmente pouco apreciada pelos judeus mais sinceros: a dos coletores de impostos. Seus responsáveis eram vistos como traidores do povo. Tiravam-lhe o dinheiro para dar aos ocupantes, esses romanos indesejáveis. Jesus teve entre seus discípulos e ouvintes cobradores de impostos, entre os quais Levi e Zaqueu. O evangelho deste sábado fala da conversão de Levi. Fala de sua vocação.

O tema da vocação é sempre muito caro. Nós, cristãos, não somos religiosos, “meros” seguidores de doutrinas e de “fazedores” de ritos. Sentimo-nos chamados ao seguimento do Senhor. Despreocupado, ocupando-se de colocar número e cifras no livro dos impostos e, quem sabe, pensando em desviar uma parte, lá estava Levi. E Jesus “viu” o homem em questão. Levi entrou no universo de Jesus. Tudo leva a crer que não houve nenhuma preparação prévia para esse chamamento. De repente, ecoa no ar: “Segue-me”. Estamos no universo do discipulado. Jesus organiza um grupo com o qual ele haveria de conviver e que seriam os continuadores de sua obra. O chamado se situa na linha do seguimento, é evidente.

O evangelista faz umas poucas e importantes observações: “Levi deixou tudo, levantou-se e o seguiu”. Presteza, prontidão, generosidade... Não há hesitação. Não se fala em conversas esclarecedoras, em protelação da decisão. Aquele que é chamado se joga confiante no convite de quem o chama. Logo se fala de um banquete oferecido pelo convertido. E Jesus se mistura com cobradores de impostos e pecadores. Os fariseus não viram com bons olhos uma postura tão aberta, tão condescendente.

Jesus não veio para chamar aqueles que já estão no caminho certo. Veio precisamente para se colocar ao lado daqueles que precisam empreender um caminho de conversão. O Reino novo do Mestre começa, precisamente, pela transformação do coração e por isso, o médico vem se ocupar dos doentes e dos fracos. Não há que admirar dessa condescendência.

Pode ser que a força do Ressuscitado ainda em nossos dias irrompa na vida de alguns na linha de tudo deixarem. As pessoas são tomadas de surpresa, no meio de seus negócios, de suas atividades, solteiras ou casadas. Hoje ainda muitos se sentem tocados. Por vezes querem dar a desculpa de que não são dignos, que são pecadores. Mas precisamente a grande marca do mundo de Jesus é a da misericórdia para com os corações contritos e arrependidos.

FONTE: www.franciscanos.org.br

EVANGELHO DO DIA: Lucas 5,27-32

Depois disso, Jesus saiu, e viu um cobrador de impostos chamado Levi, que estava na coletoria. Jesus disse para ele: «Siga-me.» Levi deixou tudo, levantou-se, e seguiu a Jesus. Depois, Levi preparou em casa um grande banquete para Jesus. Estava aí numerosa multidão de cobradores de impostos e outras pessoas sentadas à mesa com eles. Os fariseus e seus doutores da Lei murmuravam, e diziam aos discípulos de Jesus: «Por que vocês comem e bebem com os cobradores de impostos e com pecadores?» Jesus respondeu: «As pessoas que têm saúde não precisam de médico, mas só as que estão doentes. Eu não vim para chamar justos, e sim pecadores para o arrependimento.»

19 de fev. de 2010

CONSIDERAÇÕES EM TORNO DO JEJUM

REFLEXÃO DO EVANGELHO
O evangelho desta sexta-feira das cinzas traz a famosa questão do jejum. Os fariseus estranham que os discípulos de Jesus não jejuem. Jesus afirma que enquanto ele, o esposo, o noivo, estiver no meio dos homens não há razões para o jejum. Aproveitamos o texto para refletir sobre o sentido do jejum.

Enzo Bianchi, Prior da Comunidade de Bose, na Itália, escreve: “Conhecemos muito bem essa atmosfera que reina no Ocidente. Ressoam, obsessivamente, mensagens que pedem “tudo, cada vez mais e logo”. Os modelos visam essa voracidade que se denomina “consumo de massas”, onde reinam “novos deuses e novos senhores” que impõem comportamentos fechados sobre eles mesmos e narcisistas, mascarando um egoísmo que não reconhece mais o outro, e, menos ainda, entre outros, os últimos e os que estão necessitando. Digamos a verdade: as raras vezes em que se pede o jejum aos cristãos, ele é praticado sob a forma – ameaçada pela hipocrisia - de uma refeição sacrificada em favor das vítimas da fome ou como engajamento pela paz. É muito pouco! Como quer que seja, o jejum cristão, aquele ordenado, - sim, ordenado! – por Jesus e pela Igreja primitiva, é outra coisa, que se trata, por outras circunstâncias, de não confundir com o jejum praticado pelo muçulmanos durante o mês de Ramadã”.


Por que, então, o jejum cristão? É preciso dizer que é necessário praticá-lo para compreendê-lo e para atingir suas razões profundas. Para começar, jejuar significa impor uma disciplina à oralidade. Os monges, em particular, tiveram consciência de que o alimento traz consigo uma dimensão afetiva extraordinariamente poderosa. A anorexia e bulimia são indícios de perturbações afetivas com repercussões sobre a alimentação. Eis por que o comportamento alimentar do homem recebe um “extra” de sentido. Não depende somente das necessidades fisiológicas, mas pertence ao registro da afetividade e do desejo. A oralidade, então, exige uma disciplina para passar da necessidade ao desejo, do consumo à atitude eucarística do agradecimento, da necessidade individual à comunhão. É aqui que a Eucaristia ensina ao cristão o exercício e a experiência da comunhão, da partilha. Eis a razão do jejum antes da Eucaristia. Trata-se não de uma mortificação em vista de se tornar digno, não de uma penitência meritória, mas de uma dialética jejum-Eucaristia, de uma disciplina do desejo, a fim de discernir o que é verdadeiramente necessário para viver, além do pão. Através do jejum, trata-se de dominar o vetor do consumo para favorecer o da comunhão” (Enzo Bianchi, Dar sentido ao tempo, Ed.Loyola, São Paulo 2007, 45ss).

Fonte: www.franciscanos.org.br

EVANGELHO DO DIA: Mateus 9,14-15

Então os discípulos de João se aproximaram de Jesus, e perguntaram: «Nós e os fariseus fazemos jejum. Por que os teus discípulos não fazem jejum?» Jesus respondeu: «Vocês acham que os convidados de um casamento podem estar de luto, enquanto o noivo está com eles? Mas chegarão dias em que o noivo será tirado do meio deles. Aí então eles vão jejuar».